terça-feira, 7 de setembro de 2010

Devagar se chega ao longe

Existem algumas coisas que eu preciso sim confessar a respeito do basquete nacional brasileiro.

Nunca fui um grande entusiasta do basquete nacional. Não é pra menos, nasci em uma geração na qual o Brasil apenas decepcionou em Campeonatos Mundiais, não disputou uma Olimpíada sequer desde 1996, em Atlanta, quando nossa equipe tinha ainda um fora de série em quadra como Oscar Schimidt.


Sou também de uma geração marcada por uma administração polêmica, como a de Gerasime “Grego” Bosikis, que simplesmente conseguiu afastar todos os melhores atletas da Seleção Brasileira, fez com que grandes empresas deixassem o esporte e equipes fossem desfeitas. Colocou o basquete brasileiro na UTI.


Em 2009, Grego renunciou e Carlos Nunes assumiu, com o apoio de ex-jogadores como Oscar Schimidt e Hortência. Nesse meio-tempo, foi criada a NBB (Novo Basquete Brasil), que tirou a organização do Nacional de Basquete das mãos da Confederação Brasileira. Bom para os clubes, melhor ainda para o basquete nacional.

Lembro como se fosse hoje da matéria que minha equipe de Esportes no Jornal Contexto produziu em 2009 a respeito da ressurreição do basquete brasileiro. 23 anos depois da maior conquista do basquete brasileiro no Panamericano de Indianápolis, quando o Brasil venceu os Estados Unidos na casa dos adversários, nosso basquete mostrou no Mundial da Turquia deste ano que está no caminho certo, mas que ainda há um longo caminho a ser percorrido.



O Brasil enfim voltou a mostrar um basquete no mínimo digno. Dificultou e muito a vida dos Estados Unidos em partida válida pela primeira fase e só não saiu vencedor por detalhes. Contra a Argentina, nesta terça-feira, faltou uma atuação um pouco melhor do coletivo. Se dependesse do individual, nossa estrela Marcelinho Huertas tinha garantido a vitória fácil fácil com seus 32 pontos.


A Argentina, campeã olímpica e vice-mundial nesta década, tem uma geração que está perto do seu fim, mas que ainda busca dar uma última alegria a sua torcida. Além de jogo coletivo, um fora de série como Luiz Scola não faz mal a ninguém: 37 pontos, mais do que decisivos para a vitória.

Espero, com muita convicção, que o trabalho do argentino Ruben Magnano seja mantido na nossa Seleção. Ele mostrou que tem capacidade para, cada vez mais, melhorar o jogo coletivo dessa equipe que até tem talentos individuais, mas que precisam ser revertidos em benefícios de UM GRUPO, e não individualidades. Certo, Leandrinho?

E que venha o pré-Olímpico na Argentina, em 2011!

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