quinta-feira, 29 de abril de 2010

O dia que nunca chega

“Waiting for the one, The Day That Never Comes (esperando por ele, o dia que nunca chega)”: é com o trecho da música de uma das minhas bandas favoritas, o Metallica, que começo a minha análise sobre a primeira partida das oitavas-de-final da Taça Libertadores da América, que colocou frente a frente as duas equipes mais populares do futebol brasileiro, Flamengo e Corinthians.

Aquilo que tinha tudo pra ser uma excelente partida de futebol virou praticamente uma partida de pólo aquático. Debaixo de muita chuva, o que se viu no primeiro tempo de Flamengo e Corinthians foi aquilo que se esperava de um jogo brigado: bolas alçadas na área, jogadores apanhando das poças d’água, festival de tombos no chão e muita briga – disso os torcedores de ambas as equipes não podem reclamar.

Aos 36 minutos da primeira etapa, um fato isolado que poderia mudar o rumo da partida aconteceu. De maneira infantil, o meio-campista Michael, do Flamengo, tomou o segundo cartão amarelo e foi expulso, igualando os times em número de jogadores. Mas como, se o Corinthians não teve ninguém expulso? Teve sim, Ronaldo.


Em 2010, um fato vem incomodando e muito o torcedor corintiano. Além de fora de forma, bem mais do que em relação a 2009, Ronaldo parece ter desaprendido de jogar futebol. Bolas que antes o Fenômeno dominava fácil, hoje parecem cocos verdes em seu pé. Gols abertos para a sua finalização que antes pareciam quilométricos, hoje parecem cada vez menores. A velocidade e a arrancada de leopardo, hoje o tornam uma mera foca gorda, lenta e sem mobilidade, ainda mais molhada como o Fenômeno estava na partida de ontem.

O que o corintiano pode esperar de Ronaldo? É exatamente esse o problema. Em 2010, o corintiano vem esperando pelo momento em que o “nove” vai voltar a decidir, assim como já provou em outros anos. O problema é que essa espera não acaba nunca, logo chega o final do ano, o corintiano ainda esperando por uma boa atuação. Quando acordar, esse mesmo torcedor verá que o ano acabou e que o centenário foi jogado no lixo.

Apesar da derrota simples por 1 a 0 diante do Flamengo, gol de Adriano, acho muito difícil uma vitória do Corinthians por mais de dois gols de diferença no Pacaembu. Nem tanto pela força do Flamengo, mais pela falta de poder ofensivo do Corinthians. Vale lembrar que, nessa Libertadores, o Timão ainda não venceu nenhum adversário em casa por dois gols de diferença (e olha que os adversários eram bem mais fracos).

Sinceramente não espero de Mano Menezes uma postura diferente do que manter Ronaldo na equipe. Nem o condeno por isso. O que estava ao alcance do treinador foi feito na semana passada, quando o próprio deu uma dura no jogador e disse que seu rendimento só melhoraria caso o jogador se empenhasse mais nos treinamentos.


O que incomoda a todos no Parque São Jorge é a falta de comprometimento de alguém que não conhece o Corinthians e nem ao menos tem a menor idéia do que a Libertadores representa pra esse torcedor. O que incomoda é a falta de gratidão de um clube que estendeu a mão ao jogador no momento em que ele mais precisava e que hoje, chegou até a lotear cada mínimo espaço de seu uniforme para poder contar com o seu futebol.

Até quando Ronaldo? Enquanto isso o torcedor corintiano espera pelo dia que nunca vem.

domingo, 25 de abril de 2010

O novo (ou nem tanto) craque do Santos

É moçadinha, final de semana quente nas decisões de alguns dos principais estaduais do Brasil. Com exceção do Rio de Janeiro e Paraná, que já conhecem os seus campeões, os outros estados viram algumas das partidas de ida das decisões neste domingo sem muitas surpresas nos resultados finais. Já na maneira de jogar dos times...


O Paulistão talvez seja o grande exemplo dessa minha reflexão. Pra quem esperava um massacre do Santos já na primeira partida contra o Santo André talvez imagine o que estou falando. Jogando um primeiro tempo irreconhecível, o Peixe de Dorival Júnior pouco agrediu o Ramalhão, que criou boas chances principalmente nos pés de Bruno César e Rodriguinho, o grande destaque da equipe andreense na competição.

Atuando mal se compararmos com o Santos arrasador que estamos acostumados, o Peixe acabou tomando o primeiro gol em uma cobrança de falta bem executada por Bruno César, que vem sendo pretendido por grandes clubes da capital como Corinthians e Palmeiras. Havia algo de errado e Dorival Júnior sabia exatamente o que era.

No intervalo, o craque da partida entrou em campo e deu uma bela chacoalhada na garotada. Se eles pensavam que iam vencer o Santo André só com a camisa, o resultado parcial do jogo provou o contrário. Dorival sabia disso, a garotada não. Então que tal acordar a criançada e botar ela pra jogar?


Não deu outra, segundo tempo arrasador do Peixe, que melhorou de produção com a saída de Neymar (apático na partida depois de uma lesão no olho) e a entrada de André. Aliás, até hoje eu não entendo porque o artilheiro do time no Paulistão perdeu a vaga no time. Tudo bem, o tio Dorival começou a reforçar o meio campo e isso até é compreensível, mas tirar o André foi um pecado. Mas tá bom, hoje é dia de exaltar o tio Dorival.

Em meia hora, uma parcial derrota havia se transformado em uma boa vitória por 3 a 1, com atuação destacada e mais uma vez excelente do bom “coringa” Wesley e de Paulo Henrique Ganso, que será o melhor do mundo dentro de três anos. Pode escrever aí! Mesmo perdendo por 3 a 1, o Santo André resolveu “surpreender novamente” como diria o Velho Lobo. Sem se abater com os gols tomados e a avalanche santista, o Ramalhão seguiu com o seu jogo e ainda conseguiu descontar com Rodriguinho, que eu queria muito ver em um time grande jajá.

Se eu acredito em alguma surpresa na partida de ida? Acho que não. Na verdade talvez veremos até uma nova goleada santista, já que o Santo André não tem nada a perder e deve atacar, assim como o Santos deve fazer o que sabe fazer de melhor: contra-atacar.

Rio Grande do Sul
Surpreendente talvez tenha sido a vitória do Grêmio, diante do Internacional, em pleno Beira-Rio. Não que o Tricolor Gaúcho não tivesse condições de vencer o rival, até porque fez uma excelente campanha na competição. Mas surpreendente do ponto de vista que o Colorado, jogando em casa, foi muito mal e preocupa muito para as oitavas-de-final da Libertadores. Juro que não ficaria surpreso se o Banfield eliminasse os gaúchos.

Minas Gerais
Outro grande que talvez tenha subestimado o seu adversário foi o Atlético Mineiro. Mesmo jogando fora de casa e enfrentando o algoz do Cruzeiro, o Galo penou bastante e contou com a boa atuação de Muriqui (2 gols) para vencer o Ipatinga por 3 a 2, também de virada. Com o resultado, o Atlético dá passos grandes para chegar ao título mineiro, depois da recente freguesia para o Cruzeiro.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Jogo dos cinco erros e acertos

E não é que agora, finalmente, vai começar a Libertadores 2010? Pelo menos para o Corinthians. Depois de praticamente passear pela primeira fase da competição sulamericana e garantir o primeiro lugar geral na classificação, o Timão enfim será testado no ano de 2010 naquela que é a grande “menina dos olhos” no ano do Centenário. Enfrentar o Flamengo para o Corinthians é mais do que um teste; é saber separar as crianças dos homens e definir o que o Timão quer, de fato, pro ano mais importante da sua história.

Mas por que o torcedor corintiano deve abrir o olho? E por que ele deve se sentir otimista? O Porra Professor trás hoje para o leitor do blog algumas das principais razões para se confiar naquele clube que mais investiu para a temporada 2010. E talvez outras razões para não se confiar tanto.

1-Campanha eficiente: ok, tudo bem. O Corinthians não foi muito testado na primeira fase. Em um grupo com Cerro Portenho, Independiente de Medelín e Racing do Uruguai, o Timão pouco foi exigido, mas mostrou eficiência invejável e fez o que se esperava dele – venceu cinco partidas e empatou apenas uma. O grupo era fraco? Sim. Mas se levarmos em consideração que o Cerro é líder do Campeonato Paraguaio, assim como o Medelín lidera o colombiano, talvez essa eficiência passe a ser um pouco mais respeitada.

2- Elenco experiente: também é verdade que o Corinthians não deslanchou em 2010. Mas qual clube deslanchou? Só o Santos. Apesar de pouco exigido no ano, o Timão mostrou força em partidas importantes, como nas vitórias diante de São Paulo e Palmeiras. Irá reagir bem contra o Flamengo? Só as partidas da próxima semana dirão.


3- Má fase do rival: o Flamengo, nesta quarta-feira, anunciou a saída do técnico Andrade e do vice de futebol Marcos Braz. Existe momento pior pra se mudar o comando? O atual campeão brasileiro está em crise de comando e as trocas pode sim afetar nos resultados da equipe dentro de campo.

4- O fator Ronaldo: Ele está muito mal em 2010? Mas sabe disso. Tanto que aceitou numa boa o afastamento da equipe para readquirir a forma já visando a partida contra o Flamengo. Motivação para encarar o rubro-negro não falta ao Fenômeno, que deve ser hostilizado na partida no Maracanã. Todos sabemos que o dentuço cresce em decisões. Será que vai crescer em mais uma?

5-Elenco rachado do adversário: é do conhecimento de todos que uma das maiores estrelas do Flamengo, o meia Petkovic, está completamente isolado do restante do elenco. Brigas internas, desentendimentos e problemas extra-campo atrapalham e muito o Flamengo. É bem possível que estes desentendimentos se reflitam dentro de campo.

Por que acreditar no Flamengo?

1-Decidir a segunda partida fora: o leitor do blog deve estar pensando que eu sou meio maluco, mas o raciocínio é simples. Se o Flamengo fizer um bom resultado na partida de ida no Maraca, joga a pressão completamente para os corintianos reverterem no Pacaembu. Todos nós sabemos que o histórico do Timão, decidindo mata-mata da Libertadores em casa, não é vantagem nenhuma devido a pressão da torcida. Desta vez não deve ser diferente.

2- Motivação extra: o Flamengo tem jogado muito abaixo em relação ao ano passado, mas o time cresce em momentos de adversidade. Depois de quase não se classificar para a segunda fase, o Mengão virá com tudo pra cima do Corinthians e não vai querer desperdiçar a chance que lhe foi dada. Irá aproveitar? É o que veremos.

3- O fator Adriano: ele não está bem em 2010 se compararmos os números do Imperador em relação ao ano passado. Problemas extra-campo tiraram o foco do jogador dos gramados, mas assim como Ronaldo, o camisa 10 da gávea costuma crescer em momentos decisivos desde os tempos áureos de Seleção Brasileira. E vale lembrar: Adriano ainda não tem vaga garantida para a Copa do Mundo, ótima chance para garantir o seu lugar.


4- Instabilidade no gol adversário: Felipe, goleiro do Corinthians, vem sofrendo com os constantes problemas de lesão e talvez fique de fora do primeiro jogo no Maracanã. Júlio César e Rafael Santos, reservas da posição, são muito fracos. E mesmo que Felipe volte, deve voltar sem tempo de bola depois de tanto tempo inativo, o que para um goleiro é essencial.

5-Problemas no elenco do adversário: Sem motivação, Ronaldo vem provando em 2010 que não é o mesmo de 2009. Jorge Henrique, titular em 2009, não vem sendo aproveitado na atual temporada e mostrou insatisfação recentemente, assim como outros medalhões como o volante Edu. O desinteresse de alguns jogadores do elenco corintiano pode influir, e muito, no desempenho do time em campo, assim como aconteceu com o Brasil na Copa do Mundo de 2006.

Depois de pensar em todos estes aspectos, fica uma pergunta. O Coringão deve temer o Mengão ou o Flamengo deve temer o Corinthians? Vou dar uma de Caio Ribeiro: vão ser dois confrontos eletrizantes. Uma pena que esteja acontecendo já na fase de oitavas-de-final.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A esperança é verde

É meninada, mais uma quarta-feira recheada para os amantes de futebol brasileiro. Libertadores e Copa do Brasil agitaram as televisões brasileiras a partir das 22 horas com resultados talvez não tão surpreendentes, mas que trouxeram esperanças a alguns torcedores que vinham sendo castigados ultimamente, mais especificamente desde o ano passado: os palmeirenses.

Será que enfim chegou o momento da porcada deslanchar, depois de uma campanha pífia no Campeonato Paulista e praticamente ter entregado o título brasileiro de 2009 para o Flamengo? Ou será que o torcedor do palmeiras ainda deve ficar bastante ressabiado com as atuações do seu time que, quer queira ou não, tem caminho aberto para chegar às semifinais da Copa do Brasil? (Nota: nas quartas-de-final, o Verdão enfrenta o vencedor do confronto entre Atlético-GO e Santa Cruz-PE)


Como não assisti as partidas da Libertadores de ontem por morar com um palmeirense na minha república, me resumirei a analisar o empate em 1 a 1 do Verdão contra o Atlético-PR, partida que marcou o reencontro entre Danilo e Manoel, protagonistas do lamentável episódio de racismo, na semana passada, na partida de ida no Palestra Itália. Aliás, a imagem do Danilo ficando no vácuo ao tentar cumprimentar o Manoel lembrou alguma coisa recente, não lembrou?



Confesso que fiquei bastante surpreso com a atuação do Palmeiras na partida de ontem. Bem diferente daquele “Verdinho” que vinha jogando como time pequeno no Campeonato Paulista, ontem o Palmeiras voltou a ser Verdão e mereceu completamente a classificação. Jogando como time grande, os comandados de Antônio Carlos Zago pouco sentiram a pressão criada para a partida desta quarta-feira, principalmente após os episódios de racismo na partida de ida.

Dono completo da partida durante os 90 minutos, o Palmeiras teve superioridade de posse de bola durante todo o jogo e só não venceu com mais tranqüilidade porque não quis. Ou porque o Robert não quis.



Mas nem tudo são flores pra torcida palmeirense. Depois de perder o pênalti e jogar com um atleta a mais durante quase toda a partida, o Palmeiras soube controlar bem a pressão do caldeirão da Arena da Baixada, mas abusou na arte de perder oportunidades quando podia matar o jogo. O castigo veio aos 34 minutos do segundo tempo quando Alan Bahia, cobrando um pênalti pra lá de madraque sofrido pelos paranaenses, abriu o placar para o Furacão, o que levaria a partida para os pênaltis. De repente, nada mais do que de repente, o Verdão teve um estalo e descobriu aquilo que deveria ter descoberto durante o jogo: precisava fazer um gol. E ele veio aos 43 minutos com Lincoln, o melhor homem em campo, após bobeada da zaga atleticana.


Empate garantido, classificação merecida: poderia o palmeirense comemorar a atuação do time nesta quarta-feira? Sim e não. Sim porque o time mostrou uma evolução muito grande em relação àquilo que vinha sendo apresentado no Campeonato Paulista. Mas o não fala mais alto, já que o Verdão vacilou demais em uma partida que poderia ter sido muito mais fácil aos paulistas.

Nota do blogueiro: a Copa do Brasil é um torneio onde os fracos não têm vez. Alguns erros passam batidos de vez em quando, mas se forem repetidos, podem custar muito caro num futuro bem próximo. Fica esperta, porcada!

Nota do blogueiro 2: Nesta quarta-feira, o Palmeiras anunciou a contratação do experiente volante Marcos Assunção, ex-Santos e Roma, e que estava no Grêmio Prudente. Boa contratação!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ingrata surpresa ou surpresa ingrata?

Semanas difíceis em terras baurulinas me impediram de postar com mais freqüência na última semana. É pessoal, por incrível que pareça eu não sou tão à toa assim e tive que editar COMUnesp, onde trabalhei na Editoria de Esportes, além de ter que trabalhar na organização do II Tributo ao Malandro, evento de sucesso total, como diria Gil Brother, da minha república, a Risca-Faca.

Nesse meio-tempo, muita coisa aconteceu. Teve classificação antecipada do Corinthians na Libertadores, além da decisão de alguns estaduais, com Botafogo campeão no Rio de Janeiro, além de Santos e Santo André na decisão do Paulistão 2010. Como este blog havia antecipado anteriormente, nada de surpresas nas semifinais do estadual mais forte do país: Peixe e Ramalhão, equipes de melhor campanha na primeira fase, chegam à decisão, com favoritismo mais do que declarado ao Santos.


Apesar de este blogueiro ser um paulista nato, o que me chamou bastante a atenção nesta semana foi o futebol carioca. Queda de treinador, atual campeão brasileiro em crise e surpresas na decisão do título são só alguns dos ingredientes dessa brincadeira, a começar pelo Botafogo, campeão carioca de 2010 por antecipação.

Com uma campanha a princípio irretocável se formos pensar que o time da Estrela Solitária venceu o primeiro e o segundo turno sem precisar decidir o título em mais duas partidas, por outro lado o torcedor botafoguense não pode se enganar.

Tecnicamente analisando, o Botafogo tem a pior equipe do futebol carioca e penou bastante no início da temporada. Estevam Soares, salvador da pátria no Brasileirão de 2009, não resistiu no início da temporada após a goleada de 6 a 0 diante do Vasco e acabou dando lugar a Joel Santana, aquele que eu costumo chamar de “o paladino do futebol carioca”. Méritos ao tio da prancheta, que mais uma vez conseguiu fazer omelete sem ovos. Apesar disso, devemos relembrar também que o Fogão foi eliminado na Copa do Brasil pelo Santa Cruz, dentro de casa. Detalhe: antes tradicional, hoje o Santa não disputa nem mesmo a Série D do Brasileirão.



O Fluminense? Ah, o Flu. Quanta ingratidão! Em uma situação muito boa de passar para as quartas-de-final da Copa do Brasil após derrotar a Portuguesa no Canindé na semana passada, o Tricolor Carioca dispensou nesta segunda-feira o treinador Cuca, salvador do clube no Campeonato Brasileiro de 2009. Aos esquecidinhos, o Fluminense no ano passado por pouco não foi rebaixado, mas acabou escapando após uma incrível série de 6 vitórias seguidas e um empate, na última partida, diante do Coritiba, que garantiu o clube na elite da Série A de 2010.

Tudo bem, também se deve ressaltar que o pó-de-arroz não conseguiu ir muito bem no Cariocão deste ano. Mas quanta ingratidão com Cuca, que tinha apoio de jogadores, comissão técnica e até mesmo torcedores para realizar uma boa campanha no Brasileirão.


E pra encerrar, o Flamengo. Vice da taça Guanabara e Taça Rio, além de atual campeão brasileiro, o Mengão prometia muito para 2010 e até agora, NADA. Na Libertadores, prioridade do clube, os comandados de Andrade já mostraram fragilidade nas partidas contra o Universidad do Chile e Católica. Para se classificar em segundo lugar do grupo, o Fla precisa de uma vitória, em casa, diante do Caracas. Na próxima fase, o Mengão pode encarar o Corinthians, até agora detentor da melhor campanha da competição.

O que mais preocupa o torcedor do Flamengo, no entanto, nem é a partida contra o Caracas em si. Condições para vencer os venezuelanos os cariocas tem. No entanto, as constantes regalias dadas a alguns dos principais jogadores da equipe, além do total isolamento de Petkovic no elenco causam preocupação. Destaque do Mengão em 2009, o sérvio visivelmente não agrada a dirigentes e colegas de clube e deve receber a mala logo logo.


Ah futebol carioca, como você é ingrato...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A prova de fogo da garotada

E não é que a peleja deste domingo entre São Paulo e Santos foi muito boa de se ver? É, pra quem já contava com o oba-oba por parte dos meninos da Vila, o Tricolor bem que deu trabalho, mesmo com um jogador a menos, e quase complicou as coisas para o time sensação da temporada. Mas mesmo com a derrota por 3 a 2, será que o torcedor são-paulino ainda pode sonhar com a vaga na final do Paulistão?

Como esse blog já havia previsto na semana passada, o São Paulo parece definitivamente ter encontrado a melhor maneira de atuar. Apesar de começar a partida um pouco perdido e até dominado pelo Santos, o Tricolor mostrou um impressionante poder de reação no segundo tempo, principalmente após sair perdendo por 2 a 0, e ter um de seus melhores jogadores nas últimas rodadas, Marlos, expulso de maneira injusta.

Na primeira etapa, não há dúvidas de que o placar foi justo. Mesmo com Paulo Henrique Ganso mais apagado do que o habitual, o trio ofensivo santista com Neymar, Robinho e André novamente provou o seu valor e chegou a criar boas oportunidades. O primeiro gol saiu de boa trama santista pela esquerda, após cruzamento de Leo para o desvio contra de Júnior César. Já o segundo tento saiu nos pés de Neymar, que com um passe de cinema, colocou André na cara do gol para ampliar o marcador.

Mas como explicar a reação são-paulina? Blackout santista ou mérito do Tricolor? Se existe um responsável pela reação, ele se chama Ricardo Gomes. Contrariando este blogueiro, o treinador são-paulino sacou Washington do time e lançou Cicinho ao invés de Fernandinho. Mostrando uma raça absurda, Hernanes tornou-se então o principal homem na segunda etapa, e o Tricolor buscou o empate com o meia e Dagoberto, após belo cruzamento de Cicinho.

Acuado em campo, o Peixe expôs todas as suas deficiências na segunda etapa e foi dominado pelo São Paulo, mesmo com um jogador a mais. Apesar de mal na partida, o Santos ainda mostrou um pouco de “sorte de campeão” e achou o terceiro gol com Durval, o da vitória, em falhas individuais tanto de Miranda como de Rogério Ceni.

Analisando friamente os resultados, ficou muito difícil a classificação do Tricolor para a final do Paulistão. Com a derrota em casa, o São Paulo agora precisa buscar uma vitória por dois gols de diferença na Vila Belmiro para alcançar a classificação. No entanto, se mostrar a inexperiência e novamente expor suas fraquezas jogando em casa, o Peixe pode sim perder a vaga na decisão.

Meu palpite? Santos e Santo André já estão na final.

domingo, 11 de abril de 2010

O que esperar (ou não) de Thomaz Bellucci

Sem chão. Ao pensar em uma expressão que definisse o tênis brasileiro após a aposentadoria de Gustavo Kuerten, a primeira que me veio à cabeça foi esta primeira. Sem poder mais contar com o ex-número um do ranking mundial e tri-campeão de Roland Garros, o tênis nacional passou por uma verdadeira crise de identidade e viu seu desempenho na Copa Davis cair apenas para o zonal sul-americano. E hoje? Existe vida após Guga? A resposta talvez soe esperançosa.

Depois de ter vários tenistas vagando entre os Top 100, entre eles Marcos Daniel, Thiago Alves, Ricardo Mello e Flávio Saretta, em 2010 o Brasil enfim voltou a ter um tenista no Top-30, algo que não ocorria desde a geração Kuerten-Meligeni. Após conquistar o ATP 250 de Santiago no início do ano, o paulista Thomaz Bellucci alcançou o 28º posto no ranking mundial, o seu melhor na carreira. Hoje ocupando a 31ª posição mundial, Bellucci é claramente a maior esperança brasileira. Mas até onde podemos depositar todas as fichas no paulista de Tietê?


Canhoto de 21 anos, boa estatura e treinado por João Zwetsch, Thomaz Bellucci se profissionalizou na ATP em 2005. Detentor de 6 títulos da categoria Challenger, aos poucos o paulista passou a se aventurar em torneios de maior porte da ATP, mas acabou oscilando bastante e chegou a deixar o posto de TOP-100 no final de 2008 e início de 2009.

Sem confiança, Bellucci voltou a disputar torneios Challenger. No entanto, disputando o ATP da Costa do Sauípe no Brasil, a boa campanha que culminou com seu vice-campeonato deu uma reviravolta em sua carreira, dando maior confiança ao tenista. Mesmo sendo derrotado pelo então Top-20 Tommy Robredo, Bellucci provou que tinha totais condições de brigar de igual para igual contra tenistas mais bem ranqueados que ele.

Dono de um poderoso forehand, Thomaz mostra algumas deficiências que podem tranquilamente ser corrigidas. Apesar de ter um bom saque quando confiante, o brasileiro ainda oscila bastante no jogo de rede e tem voleios que precisam ser rapidamente corrigidos. Outro ponto fraco em seu jogo ainda é o backhand que, apesar de seguro, pouco incomoda aos adversários.

Quanto à questão física, Bellucci tem mostrado uma importante evolução na temporada 2010. Se antes o brasileiro sofria em partidas que duravam mais de dois sets, hoje ele consegue manter um nível técnico superior devido ao melhor preparo, o que trás além de confiança, melhores resultados no circuito. Mas até onde podemos exigir do brasileiro?



Bellucci mostra que, tecnicamente, tem plenas condições de ser em um futuro próximo TOP-20 do ranking mundial. Analisando o potencial de tenistas com a mesma faixa etária do brasileiro, pode-se notar que Thomaz não deixa a desejar perante a vários deles. No entanto, o que falta ainda ao brasileiro é uma maior constância e experiência, principalmente nos pontos importantes e decisivos das partidas, quando o tenista é tem de tomar as mais difíceis decisões e escolher as melhores bolas. Enquanto isso, torcemos pela evolução do brasileiro e que ele consiga trazer o Brasil de volta ao Grupo Mundial da Copa Davis.

Amanhã: semifianais do Paulistão

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Dualidade está de volta

Como prometido no Editorial deste blog recém-criado, estava devendo pra vocês uma postagem que falasse sobre música. Pois é, sem rodada de Paulistão e Libertadores pra comentar, o jeito é falar de música então!

No último mês, uma das minhas bandas favoritas, Deftones, voltou à cena musical para lançar o seu novo cd, o sétimo de estúdio. Na verdade, Diamond Eyes deve ser lançado apenas em maio, mas desde meados de março, grande parte dos seus fãs já teve acesso ao álbum pela internet, deixando boas e más impressões.


A princípio, muitos tiveram dúvidas a respeito da continuidade da banda após o acidente automobilístico envolvendo o baixista Chi-Cheng, que o afastou definitivamente dos palcos. No seu lugar, Sergio Vera assumiu o posto, e pareceu estar correspondendo às expectativas dos fãs, como os brasileiros, que puderam ver o Deftones ao vivo no ano passado, no festival Maquinaria.



Trazendo de volta elementos que sempre marcaram a carreira do Deftones, Diamond Eyes começa o álbum com a faixa homônima, que parece traduzir perfeitamente qual é a alma do cd. Misturando características como a agressividade das guitarras de Stephen Carpenter aliadas à suavidade dos vocais de Chino Moreno, o Deftones prova que ainda é possível fazer um som de qualidade e que não desaponte os fãs, apesar de apresentar poucas novidades em relação aos álbuns anteriores.

Apesar de vinculado à imagem do New-Metal na década de 90, quando surgiu ao lado de outras bandas como Korn e Limp Bizkit e por misturar guitarras pesadas com samples de pick-ups, o Deftones mostrou mais uma vez, que desde o álbum auto-intitulado, definitivamente deixou de lado a rotulação de novo-metal para introduzir um estilo próprio e único, marcado principalmente pela dualidade da agressividade e da suavidade, a poesia e a agressão nos vocais de Chino Moreno.

Diamond Eyes, apesar de ser um cd pouco inovador e que não dá impressão de que a banda vai mudar num futuro próximo, agrada tanto a fãs do antigos quanto novos da banda. Se você ainda não conhece, recomendo as faixas Diamond Eyes, a suave Beauty School, a agressiva Royal e o single Rocket Skates, que inclusive já encontra-se disponível no Youtube.



E para os fãs antigos da banda, uma palhinha do que foi o Deftones nos seus tempos áureos, na considerada obra-prima da banda, o cd White Pony. Reparem como o Chino Moreno era bem mais magrelo. Seria o fim das drogas? Heheh.



Amanhã, devo trazer uma breve análise do que podemos esperar de Thomaz Bellucci, o tenista número um do Brasil, na temporada do saibro europeu. Boa sexta a todos!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Rodízio? Só na churrascaria, por favor!

É meninada, e na rodada pra lá de movimentada do Paulistão, teve time grande que saiu chupando dedo. Assim como em 2008, novamente duas equipes do interior garantiram vaga nas semifinais do Paulistão, deixando dois dos considerados clubes grandes da capital de fora. Se em 2008 o Guaratinguetá e a Ponte Preta se deram bem, dessa vez as surpresas (ou nem tanto) ficaram por conta de Santo André e Grêmio Prudente.

Dependendo só das suas forças para se classificar, o São Paulo foi até Piracicaba enfrentar o Santo André. Mas o que Piracicaba tem a ver com a história? Por opção do clube andreense, a partida foi transferida para o interior paulista, garantindo uma graninha extra aos cofres do Ramalhão. Até quando a Federação Paulista irá permitir essa farra da troca de mandos de campo, prejudicando umas e facilitando outras equipes?

Voltando ao jogo, nova boa atuação do São Paulo. Aos poucos, Ricardo Gomes parece ter encontrado a sua formação ideal no meio-campo, que tem se mostrado a grande arma do Tricolor nas últimas duas rodadas. Com Fernandinho como boa opção para a segunda etapa e Marlos como titular, a equipe ganha em velocidade. Outra vantagem fica para a volta de Hernanes como segundo volante, onde ele tem provado que rende bem mais.


Resultado final: vitória tricolor por 3 a 1, classificação garantida para enfrentar o favorito Santos. Mas será que é favorito mesmo? Não sei não, mas acho que o São Paulo vai complicar, e muito, a vida dos “Meninos da Vila”. Mesmo não ganhando nenhum clássico, o Tricolor mostra que cresce na hora certa, enquanto a molecada quase não foi testada ainda.

E o Corinthians? Pouco adiantou a bela vitória por 5 a 1 diante do Rio Claro. Mesmo emplacando a terceira vitória seguida e a melhor atuação da temporada, os comandados de Mano Menezes acabaram pagando caro pelos tropeços dentro de casa durante o Paulistão e terão que acompanhar as semifinais só pela TV.

Mas por que o Timão não conseguiu classificar? Excesso de rodízio? Falta de planejamento?

Nesta quinta-feira, o presidente do Corinthians, Andres Sanchez, admitiu que o clube deve ter um prejuízo entre 3 e 5 milhões de reais devido à eliminação precoce no Paulista. Para quem planejou um elenco visando todas as competições, a conta deve sair bastante salgada. Quem paga é o próprio clube, que será obrigado a se desfazer de pelo menos três atletas na janela de transferências do meio do ano. Elias, Jucilei e Dentinho são os mais cotados para deixar o Parque São Jorge.


Mas voltando ao fator-X, por que eliminado? O técnico Mano Menezes promoveu um rodízio entre os principais atletas do elenco em 2010, algo semelhante implantado pelo São Paulo nesta temporada. Apesar de permitir maior período de treinamento aos seus atletas, faltou ritmo de jogo e entrosamento a muitos deles em várias partidas, dentre elas nos empates em casa contra Mirassol, Rio Branco, além das derrotas para Paulista e Grêmio Prudente. Se pelo menos em duas dessas partidas o Timão saísse vencedor, com certeza estaria classificado para as semifinais.

Agora resta ao corintiano seguir a sua saga na Libertadores, onde até agora vem correspondendo. Líder da sua chave, o Timão enfrenta na próxima semana o Racing do Uruguai fora de casa, em uma partida que promete ser bastante difícil para os brasileiros. Caso vença, o Corinthians garante não só a classificação, mas a volta da confiança para o Parque São Jorge.

Como o assunto hoje é Paulista, chega de Libertadores. Vamos aos confrontos das semifinais:

Santo André x Grêmio Prudente
Santos x São Paulo

Quem vai se dar bem nestes confrontos? Dê a sua opinião e concorra a uma...É, deixa pra lá.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A nova nação de Messi

Camp Nou, 6 de abril de 2010. O que deveria ser “apenas” uma partida entre duas das equipes mais ofensivas da Europa, tornou-se um espetáculo particular de um homem. Um homem de 67 quilos, apenas 1,67 m de altura e uma camisa 10 nas costas. Um verdadeiro herói nacional, que praticamente dizimou o Arsenal e garantiu a classificação do Barcelona sozinho ao marcar os quatro gols na vitória por 4 a 1 diante dos ingleses, em partida válida pelas quartas-de-final da Uefa Champions League.

Ao me referir a Messi como um herói nacional, muitos se enganam ao mencionar a sua verdadeira nacionalidade, argentina. Quando me refiro ao canhotinho como herói, trata-se de um ídolo de uma nova nação, a catalã, que está cada vez mais habituada às façanhas de seu mais novo herói. Sua verdadeira nação, a Argentina, ainda cobra de seu mais renomado craque uma atuação respeitável e que recoloque o país no topo do futebol mundial após 24 anos de jejum em Copas do Mundo.


Mas por que Lionel Messi deixa tanto a desejar quando veste as cores da Argentina? Seria o esquema tático do Barcelona que o favorece? Seria a pura e simples incompetência de outro gênio dos gramados, Maradona, na hora de armar um esquema de jogo que favoreça o seu maior craque? Ou seria apenas mais um exemplo de que, de fato, existem jogadores que apenas jogam bem em seus clubes?

Entre tantos questionamentos, uma certeza é válida. Messi a cada temporada se firma como um dos maiores craques da história do Barcelona, que já teve em seu hall da fama jogadores como Stoitchkov, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Eto’o, entre outros.

Nesta terça-feira, o catalão-argentino tornou-se o oitavo maior artilheiro da história do Barça, atrás de nomes como Kluivert, Rivaldo e Eto’o. No entanto, com contrato extenso com os espanhóis, Messi tem tudo para se tornar em breve um dos três maiores artilheiros do clube. Basta fazer 11 gols nas próximas temporadas, pouco para quem já fez 39 só na atual temporada.

Seria Messi um jogador de PlayStation, como definiu Arsene Wenger, técnico do Arsenal, após a derrota desta terça-feira? Seria ele melhor do que o Maradona? Uma coisa é fato: juízo na cabeça pelo menos ele tem mostrado que tem.



E os outros resultados da Champions? Se a terça-feira teve resultados esperados como as classificações de Barça e Inter de Milão diante de Arsenal e CSKA de Moscou, a quarta-feira reservou algumas surpresas.

No Old Trafford, depois de estar vencendo por 3 a 0, o Manchester United permitiu a reação do Bayern de Munique e ficou de fora no placar agregado, mesmo vencendo os alemães por 3 a 2. Destaque para o belo gol de Robben, que garantiu a vaga aos alemães.



Já no confronto francês, o atual campeão nacional bem que tentou, mas acabou eliminado pelo Lyon. Apesar da vitória por 1 a 0, o Bordeaux se despede da competição européia, mas deixa boa impressão, com a melhor campanha da Champions League até então. Pena que foi pouco e não suficiente para garantir a classificação.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Editorial, mas nem tanto

Pois é meninada, voltei! Isso é bom? Pra mim talvez! Hahaha.

Esse blog talvez funcione na verdade como uma espécie de a volta do que não foi. De cara nova, com nome novo e propósito talvez não tão novo assim, pretendo levar nas próximas postagens uma abordagem interessante daquilo que rola no país do futebol. No entanto, não vou ficar preso apenas atrelado às questões do futebol nacional e internacional. O propósito desse blog também é trazer algumas notícias de bastidores que agitam o dia-a-dia dos clubes, além de dar alguns pitacos também naquela que considero a minha segunda paixão esportiva: o tênis.

Mas muito se engana também quem pensa que essas tcholices também só dirão respeito a futebol. Na minha vivência de quatro anos da gloriosa Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp de Bauru, aprendi que felizmente para aqueles que querem se dar bem nessa área esportiva, não tem como: tem que aprender a falar de outras coisas também, ser menos bitolado, cabeça aberta mesmo, até porque o futebol no Brasil é muito mais que esporte, é uma questão antropológica e que envolve muito mais do que os resultados dentro de campo.

Pensando nisso, vou tratar de aliar a esse blog uma outra paixão que só cresceu nos tempos de faculdade: a música. Aprendi também na universidade a diversificar o meu gosto musical, que antes ficava muito atrelado ao novo-metal da década de 90 nos Estados Unidos. Hoje, com uma visão bem mais geral do rock’n roll, vou tentar trazer a cada postagem uma nova dica de cd, com aquilo que há de melhor (e pior) no mundo da música.

Por fim, pra um editorial eu já me estendi demais. Amanhã tem análise completa das quartas-de-final da Champions League, com todos os detalhes das partidas de volta e os semifinalistas já definidos! Boa leitura!