domingo, 11 de abril de 2010

O que esperar (ou não) de Thomaz Bellucci

Sem chão. Ao pensar em uma expressão que definisse o tênis brasileiro após a aposentadoria de Gustavo Kuerten, a primeira que me veio à cabeça foi esta primeira. Sem poder mais contar com o ex-número um do ranking mundial e tri-campeão de Roland Garros, o tênis nacional passou por uma verdadeira crise de identidade e viu seu desempenho na Copa Davis cair apenas para o zonal sul-americano. E hoje? Existe vida após Guga? A resposta talvez soe esperançosa.

Depois de ter vários tenistas vagando entre os Top 100, entre eles Marcos Daniel, Thiago Alves, Ricardo Mello e Flávio Saretta, em 2010 o Brasil enfim voltou a ter um tenista no Top-30, algo que não ocorria desde a geração Kuerten-Meligeni. Após conquistar o ATP 250 de Santiago no início do ano, o paulista Thomaz Bellucci alcançou o 28º posto no ranking mundial, o seu melhor na carreira. Hoje ocupando a 31ª posição mundial, Bellucci é claramente a maior esperança brasileira. Mas até onde podemos depositar todas as fichas no paulista de Tietê?


Canhoto de 21 anos, boa estatura e treinado por João Zwetsch, Thomaz Bellucci se profissionalizou na ATP em 2005. Detentor de 6 títulos da categoria Challenger, aos poucos o paulista passou a se aventurar em torneios de maior porte da ATP, mas acabou oscilando bastante e chegou a deixar o posto de TOP-100 no final de 2008 e início de 2009.

Sem confiança, Bellucci voltou a disputar torneios Challenger. No entanto, disputando o ATP da Costa do Sauípe no Brasil, a boa campanha que culminou com seu vice-campeonato deu uma reviravolta em sua carreira, dando maior confiança ao tenista. Mesmo sendo derrotado pelo então Top-20 Tommy Robredo, Bellucci provou que tinha totais condições de brigar de igual para igual contra tenistas mais bem ranqueados que ele.

Dono de um poderoso forehand, Thomaz mostra algumas deficiências que podem tranquilamente ser corrigidas. Apesar de ter um bom saque quando confiante, o brasileiro ainda oscila bastante no jogo de rede e tem voleios que precisam ser rapidamente corrigidos. Outro ponto fraco em seu jogo ainda é o backhand que, apesar de seguro, pouco incomoda aos adversários.

Quanto à questão física, Bellucci tem mostrado uma importante evolução na temporada 2010. Se antes o brasileiro sofria em partidas que duravam mais de dois sets, hoje ele consegue manter um nível técnico superior devido ao melhor preparo, o que trás além de confiança, melhores resultados no circuito. Mas até onde podemos exigir do brasileiro?



Bellucci mostra que, tecnicamente, tem plenas condições de ser em um futuro próximo TOP-20 do ranking mundial. Analisando o potencial de tenistas com a mesma faixa etária do brasileiro, pode-se notar que Thomaz não deixa a desejar perante a vários deles. No entanto, o que falta ainda ao brasileiro é uma maior constância e experiência, principalmente nos pontos importantes e decisivos das partidas, quando o tenista é tem de tomar as mais difíceis decisões e escolher as melhores bolas. Enquanto isso, torcemos pela evolução do brasileiro e que ele consiga trazer o Brasil de volta ao Grupo Mundial da Copa Davis.

Amanhã: semifianais do Paulistão

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