terça-feira, 31 de maio de 2011

Amigos, amigos: carreira à parte

A história precisava de uma continuação, já que o seu primeiro ato havia sido contato há meses e não tivera um desfecho conclusivo. Era preciso ligar os últimos pontos de uma carreira de muito sucesso e que começava a dar sinais visíveis de cansaço. Fazer turnês estressantes e embriagantes, ao lado das mesmas quatro figuras, durante mais de sete anos, não deve ser a atividade mais tranquila do planeta. Eram quatro amigos, mas que precisavam seguir os seus próprios caminhos.

Para quem interpretou o parágrafo com certa estranheza, talvez passe a entender um pouco da atmosfera que rondava o System of a Down em 2005, ano de lançamento do duplo Mesmerize/Hypnotize. Após o lançamento da primeira parte, Hypnotize representou também o último álbum de estúdio produzido pelo quarteto californiano, que decidiu entrar em hiato após mais de sete anos de estrada.


Hypnotize segue caminhos e linhas bastante semelhantes ao seu antecessor, até porque foram gravados e produzidos no mesmo período. A fórmula certeira de baladas + riffs pegajosos, aliadas a dupla vocal entre Serj Tankian e Daron Malakian, voltou a funcionar como se esperava. No entanto, a impressão que tenho ao ouvi Hypnotize é de que o System of a Down deixara o que havia de melhor para o final.


A hipnose musical chega ao seu fim em Hypnotize

Tudo aquilo que havia sido deixado sem resposta em Mesmerize é respondido no seu antecessor. Na arte da capa de Hypnotize, a transformação atinge o ápice da hipnose musical e completa o sentido do seu antecessor, assim como na faixa Soldier Side. Iniciada com uma introdução na primeira parte do álbum como faixa um, ela encerra o seu sucessor na sua última faixa, em uma das canções mais bem produzidas pela banda.

Quanto à temática das letras, a política e a bizarrice voltam a dar as caras, com destaques para as matadoras Attack, Tentative, Kill Rock’n Roll e Stealing Society. Baladas muito bem feitas também são destaque como a já conhecida Holy Mountains e Lonely Day. Esta última, inclusive, representa muito bem o sentimento de um fã que soube da separação da banda, que parece voltar a dar sinais de vida em 2011 com uma turnê de reencontro.


Lonely Day, indicado ao Grammy de melhor performance
Hard-Rock de 2007

Depois de anos longe e com carreiras solo consolidadas, tenho dúvidas sobre o lançamento de um possível novo álbum do System of a Down. No fundo, acredito que a turnê 2011, que passa pelo Rock in Rio, trata-se apenas de um “vamos matar a saudade, mas amigos amigos, carreiras solo à parte”.

Album: System of a Down – Hypnotize (2005)
Nota: 9,0

Tracklist:
1. "Attack" - 3:06
2. "Dreaming" - 3:59
3. "Kill Rock 'n Roll" - 2:27
4. "Hypnotize" - 3:09
5. "Stealing Society" - 2:57
6. "Tentative" - 3:36
7. "U-Fig" - 2:55
8. "Holy Mountains" - 5:28
9. "Vicinity Of Obscenity" - 2:51
10. "She's Like Heroin" - 2:44
11. "Lonely Day" - 2:47
12. "Soldier Side" - 3:40

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Aberta a temporada do sinal amarelo

Você se lembra da primeira rodada, quando disse nesse blog que ainda é cedo para fazer qualquer tipo de projeção no Campeonato Brasileiro? Pois é, a afirmação ainda é válida para a segunda rodada. No entanto, já existem alguns clubes que começam a acender a luz amarela pelas más atuações nas duas primeiras rodadas de campeonato, tanto na briga por melhores posições como na luta contra as piores.

Execrado por corintianos e santitas, Adílson Batista não começou bem sua trajetória no Atlético-PR. Além de perder o título paranaense, o Furacão ainda não somou pontos no campeonato nacional e perdeu a segunda seguida, desta vez em casa diante do Grêmio. Vale lembrar-se das recentes campanhas do clube paranaense, que lutou contra o rebaixamento e dá sinais de não ter montado elenco suficiente para uma Série A. Será que a história se repete em 2011?

Furacão mais uma vez lutará contra a degola?

Quem também começou bem atrás no Brasileirão é o Avaí, semifinalista da Copa do Brasil. Também derrotado em casa, diante do Atlético-MG, o time catarinense iniciou uma pequena queda-livre e mostra uma situação parecida com a do Vitória em 2010 (finalista da Copa do Brasil e rebaixado no Brasileirão). Gustavo Kuerten deve estar bem mais preocupado do que satisfeito com a temporada do seu clube de coração.

Na briga pelas primeiras posições, quem anda tropeçando é o Internacional e o Cruzeiro, grandes favoritos ao título. Evidentemente, pelos seus ótimos elencos, os dois clubes tem totais condições de se recuperarem do mau início na competição, com apenas um ponto somado em seis possíveis. No entanto, sem dividir atenção com outras competições, as duas equipes tiveram atuações muito fracas e perderam pontos importantes, que podem sim fazer a diferença no final da competição.

Falcão preocupado com perda de pontos preciosos

Nesta linha de raciocínio, há quem diga que o Santos deve ser incluído, com apenas um ponto somado. Nesse caso, vale lembrar que os paulistas vêm usando time reserva nas duas primeiras rodadas, já que dedicam todas as suas atenções à fase decisiva da Copa Libertadores. De qualquer forma, também são pontos que podem fazer a diferença na trigésima oitava rodada do campeonato nacional.

Por fim, quem vem fazendo bonito, mesmo com time reserva, é o Vasco da Gama. Depois de ter um início de temporada muito ruim, a equipe carioca conseguiu montar um bom elenco e trouxe jogadores que começam a trazer bons resultados ao clube. É o caso dos renegados Diego Souza, Alecsandro, Bernardo e Éder Luiz. Neste domingo, sem os titulares, a equipe de Ricardo Gomes fez bonito e anotou 3 a 0 no América-MG, somando seis pontos em duas rodadas. Lucro total para quem vem poupando jogadores nas duas primeiras rodadas.

Paulistas na 2ª rodada
Se o Santos não começa tão bem assim, Corinthians e São Paulo largaram de maneira positiva e já somaram seis pontos com as vitórias em casa diante de Coritiba e Figueirense respectivamente. O Palmeiras também conseguiu um ótimo resultado, tirando um empate do favorito Cruzeiro e somando o seu quarto ponto na competição. Será que enfim os paulistas conseguirão retomar a hegemonia nacional, recuperada pelos cariocas nas duas últimas edições? Ainda é cedo para dizer.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Gostinho amargo

Era de se esperar que a coisa começasse a ficar feia para Thomaz Bellucci, mas não tanto como de fato aconteceu. Em dia inspirado do francês Richard Gasquet, o dono da casa foi superior em grande parte do jogo e levou a fatura por 3 sets a 1, colocando fim ao sonho do brasileiro de repetir a campanha de 2010, quando chegou às oitavas-de-final. O resultado não é tão bom para o brasileiro, já que deve perder pontos e possivelmente algumas posições no ranking.

O velho Bellucci cometeu os mesmos erros do passado

A partida não começou bem para Bellucci, que viu um Gasquet inspiradíssimo nos dois primeiros sets. Com muito talento e uma das esquerdas mais belas do circuito, que muito fazem lembrar a de Gustavo Kuerten, o francês disparou fortíssimos golpes do fundo da quadra e tirou o brasileiro da sua zona de conforto. Visivelmente incomodado em quadra, Bellucci cometia muitos erros e não repetia o bom saque de outros jogos. Com isso, o francês tinha muita facilidade em fechar seus games de serviço, ao contrário do brasileiro.

As coisas começaram a mudar um pouco no terceiro set, quando o ritmo de Gasquet caiu visivelmente. Sem a mesma profundidade de golpes e errando bem mais, o francês permitiu ao brasileiro uma reação e deu a impressão de que novamente o anfitrião decepcionaria a sua torcida. Vale lembrar que ele é conhecido pelas suas tremendas “pipocadas” em quadra, principalmente quando joga em casa.

No quarto set, a coisa parecida se repetir. Bellucci quebrou o serviço de Gasquet logo no primeiro game, mas não conseguiu manter a boa vantagem no game seguinte, devolvendo a quebra. A partida permaneceu equilibrada até o 4/3, quando o brasileiro voltou a cometer erros bobos e permitiu nova quebra de saque. Restou ao francês sacar bem e fechar a partida, com 6/3 no quarto set.

Gasquet deve ter dificuldades na próxima rodada

Apesar de ter ranking abaixo do francês, ficou para Bellucci um gostinho de derrota amarga. A meu ver, o brasileiro tinha bola e chegou a ter a chance para buscar o placar nesta sexta-feira, mas não soube aproveitar da melhor maneira. O brasileiro voltou a cometer erros infantis, escolher os golpes errados e não ter eficiência no saque. Daí fica difícil para bater não só um tenista bem qualificado, mas também com menor categoria do que ele.

Na próxima rodada, Gasquet enfrenta o vencedor de Novak Djokovic e Juan Martin Del Potro, que promete ser um grande jogo. De qualquer forma, Gasquet não é favorito contra nenhum dos dois, mesmo jogando em casa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Para botar inveja em Top 10

Uma vitória para qualquer Top 10 botar defeito: é assim que eu gostaria de definir o triunfo de Thomaz Bellucci na manhã desta terça-feira diante do italiano Andreas Seppi. Não apenas pelo resultado em si, um 3 sets a 0 inapelável, mas também pela rapidez, frieza e facilidade com que o brasileiro conseguiu a vitória.

Evitar ficar muito tempo em quadra é de extrema importância em Grand Slams, já que este tipo de torneio geralmente exige muito do físico de cada tenista. E foi justamente focado nisso que Thomaz entrou no saibro francês se impondo diante de um italiano conhecido por gostar de trocar bolas e evitar definições. A tática do brasileiro, com saques bastante eficientes e variando força e colocação, foi extremamente feliz e não deixou o adversário incomodar seu serviço em nenhum momento.

Bellucci fez o que tinha que fazer: foi simples

Quando tinha o serviço nas mãos, o italiano também se sentiu incomodado. Além de ter baixo aproveitamento de saque, Seppi cometeu muitos erros e deixou que Bellucci conseguisse se impor com facilidade. Apesar da má atuação do adversário, vale destacar a eficiência do brasileiro, que fez o seu papel e praticamente não desperdiçou as chances de quebra que teve.

De qualquer forma, o resultado de 6/1 6/2 e 6/4, em pouco mais de uma hora e meia de jogo, coloca inveja em qualquer tenista top 10 do ranking, que precisa se poupar nas primeiras rodadas para a hora que a onça bebe água. Rafael Nadal que o diga, já que teve extrema dificuldade em sua estreia e precisou de cinco sets para derrotar o gigante John Isner. Vale ressaltar também os top 10 e favoritos já eliminados, como o tcheco Thomas Berdych e o até então infalível no saibro Nicolas Almagro.

Se até agora o brasileiro não teve tanta dificuldade para garantir uns pontinhos em Roland Garros, agora o bicho começa a pegar. Na terceira rodada, Bellucci irá encarar o talentoso e anfitrião Richard Gasquet, cabeça de chave número 13, que vem jogando muito bem no saibro este ano (derrotando Roger Federer inclusive). Para vencer, Thomaz terá que não só que lidar com a torcida contra, mas também a variação de efeitos do francês.

Richard Gasquet: a bola da vez
Bola pra vencer, Bellucci tem.

terça-feira, 24 de maio de 2011

História sem fim - parte 1

Passaram-se três anos desde o lançamento da “sobra” Steal this Album (para entender o termo entre aspas, leia aqui). O System of a Down, de banda desconhecida no cenário underground e daquilo que podíamos chamar de “Alternative Metal”, já havia atingido outro patamar e já era considerada uma das bandas mais populares nos Estados Unidos. Mas com o que eles faziam sucesso? Curiosamente metendo o pau naquilo que muito americano sempre se orgulhou: a sua “hegemonia” e política.

O cenário em 2005 era outro. Passada a turbulência do fatídico 11 de setembro e suas consequências, a crítica ao sistema norte-americano continuou sendo a principal (e não única) fonte de inspiração para o System of a Down, que lançou neste ano o primeiro álbum da série dupla Mesmerize/Hypnotize. Mesmerize, o primeiro da ordem de lançamento, traz uma capa bastante curiosa e que só seria completada pelo seu álbum sucessor.


Se por um lado a crítica ao sistema e as costumeiras esquisitices produtos de viagens psicotrópicas continuaram sendo tema das letras do SOAD, por outro a banda havia passado por uma mutação impressionante em aspectos musicais. A primeira delas e mais notável deu-se com a participação cada vez mais efetiva do guitarrista Daron Malakian nos vocais da banda. Até o Steal this Album, com exceção dos backings, Serj Tankian dominava plenamente a linha vocal das melodias. Mas a mudança foi positiva?


"Everybody is going to a party, have a real good time":
impossível não ficar com ela na cabeça

Não só no single B.Y.O.B. esta mudança pode ser notada, mas também em grande parte das canções de Mesmerize. Em Lost in Hollywood, por exemplo, Daron praticamente leva o vocal principal durante toda a música, cabendo a Serj a produção dos backings em uma total inversão daquilo que a banda havia feito até hoje. A mudança, a meu ver, foi extremamente positiva no sentido em que as bases vocais de ambos combinam-se juntas. Quando não inventa ou nem dá berros descontrolados, Daron tem uma voz pra lá de acertadinha. Estas combinações podem ser vistas em faixas como Radio/Video, Violent Pornography e Question!

Outro ponto a ser realçado em Mesmerize é o novo aspecto mais comercial do System of a Down. Além de emplacar vários hits em rádios e MTVs da vida, o SOAD apostou em algumas baladas e músicas com e refrões cada vez mais fortes e pegajosos, que fizeram sucesso com públicos cada vez mais abrangentes. A aposta foi certeira para o quarteto, que novamente contou com Rick Rubin na produção do seu disco.


Question!, segundo single de Mesmerize

Mesmerize termina como uma história mal contada, um enigma sem solução. A primeira faixa, Soldier Side-Intro, não conta de maneira completa a história que propõe. A história mal contada felizmente teve continuação, mas obrigou os fãs a esperarem alguns meses para conhecer o seu final. O que Hypnotize teria a contar para os fãs? Somente a música e o tempo poderiam dizer.

System of a Down – Mesmerize (2005)
Nota: 8,5

Tracklist:

1. "Soldier Side (Intro)" - 1:03
2. "B.Y.O.B." - 4:15
3. "Revenga" - 3:38
4. "Cigaro" - 2:11
5. "Radio/Video" - 4:09
6. "This Cocaine Makes Me Feel Like I'm On This Song" - 2:08
7. "Violent Pornography" - 3:31
8. "Question!" - 3:20
9. "Sad Statue" - 3:25
10. "Old School Hollywood" - 2:56
11. "Lost In Hollywood" - 5:20

domingo, 22 de maio de 2011

Surpresas e ressalvas da primeira rodada

É evidente que não há parâmetro algum para analisar a primeira rodada do Brasileirão em relação a projeções e previsões de título, vaga em Libertadores, ou até mesmo zona de rebaixamento. Como era de se esperar, alguns dos clubes envolvidos em outras competições como a Copa do Brasil e Libertadores optaram por entrar com times reservas (o que é considerado bastante razoável). São os casos de Avaí, Santos, Coritiba, Ceará e Vasco da Gama.

O que talvez não fosse muito de se esperar foram as surpreendentes vitórias de Corinthians e São Paulo, fora de casa, diante de Grêmio e Fluminense respectivamente. No caso corintiano, que não pôde contar com Dentinho e Bruno César, negociados, a vitória veio de virada por 2 a 1 em cima de um Grêmio desfalcado e que agora está mais pressionado do que nunca. Já o Tricolor, com sérios desfalques na sua zaga, foi bastante superior em relação ao atual campeão brasileiro e também venceu com propriedade: 2 a 0.

Chicão foi um dos destaques da vitória corintiana

A primeira rodada do nosso campeonato nacional também reservou surpresa negativa para o Cruzeiro, que mesmo fora de casa, foi surpreendido pelo Figueirense, de volta à Série A. E se você não cansou de surpresas, o Atlético-GO também reservou uma aos torcedores do Coritiba. Uma das poucas equipes envolvidas em duas competições e que utilizou titulares hoje, o Coxa foi mal e terminou derrotado pelo placar mínimo jogando em casa.

Se você é um dos que se enquadra entre os surpreendidos, tanto positivamente como negativamente, muita calma nesta hora: o campeonato só está começando. A partir do momento em que as equipes passarem a se dedicar exclusivamente ao Brasileirão, o panorama deve mudar e os elencos mais fortes deverão prevalecer. Outros fatores que devem pesar mais pra frente são os reforços e perdas de jogadores na janela de transferência. A partir daí, um novo campeonato se configura.

Kléber é novamente decisivo para o Palmeiras

Com tantas ressalvas a serem feitas nesta primeira rodada, o alerta de risco que é possível já ser acionado cabe a dois clubes: Botafogo e Grêmio. O primeiro, fora de casa, não ofereceu resistência alguma ao Palmeiras e terá sérios problemas se não reforçar o time. Já a equipe gaúcha, que vem de vice-campeonato gaúcho e eliminação na Libertadores, mostrou ter um elenco pra lá de limitado e que precisa ser reforçado em quase todas as suas posições. Douglas e o recém-contratado Miralles não resolverão todos os problemas dos gaúchos, assim como Maicossuel e Loco Abreu também não são a salvação do Fogão.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Roube este album, ele não é uma sobra

O que passa na sua cabeça quando dizem que uma coisa é sobra de alguma outra? No mínimo que ela não tem a mesma qualidade da original, certo? A lógica funciona perfeitamente em vários aspectos que não se aplicam à música em um caso particular: System of a Down.

O sucesso e a repercussão de Toxicity (2001) foram enormes. O quarteto californiano de origem armena não só conseguiu emplacar vários singles, mas também passou a ser convidado para os principais festivais de música em todo o planeta. Um deles, o BIG DAY OUT da Australia, trouxe apresentações fabulosas e totalmente insanas de uma banda que, sem sombra de dúvidas, vivia o seu auge.



Durante a turnê Toxicity, algumas músicas inéditas do SOAD passaram a ser disponibilizadas na internet. A grande maioria delas, composta durante as gravações do último álbum, teve que ser deixadas de lado no processo de escolha das músicas porque havia muito material. Mas o que fazer com essa sobra? Por que não lançar um novo álbum? Foi exatamente isso o que os fãs pensaram. Foi exatamente o que o System of a Down fez.


Steal This Album (2002) tem uma das capas mais fantásticas e originais da carreira da banda, sugerindo àquele que comprava o álbum a ideia de que estava levando um produto “falsificado” ou “gravado” de um original. A originalidade da banda, felizmente, não se resumiu à capa, mas foi refletida também nas músicas de todo o cd, que seguem uma linha bastante semelhante à de Toxicity.

Com singles potentes e tão preciosos com o do seu antecessor, Steal this Album conseguiu emplacar canções que são presença marcada em diversos shows da banda, como Mr Jack, IEAIAIO, Fuck the System, Highway Song, Roulette e Boom. O último, inclusive, ganhou um clipe bastante comentado na época devido ao seu forte teor de crítica ao governo americano.



Sendo sobra ou não de um álbum excepcional como o Toxicity, Steal this Album reflete o auge criativo de uma banda que alcançava níveis de popularidade cada vez maiores. Mas ainda havia como ir além. A popularidade do System of a Down só estava começando, como o ano de 2005 futuramente ia provar.

System of a Down - Steal This Album (2002)
Nota: 9,0

Tracklist:
1. "Chic 'n' Stu" (Malakian) - 2:25
2. "Innervision" (Malakian, Tankian) - 2:33
3. "Bubbles" (Malakian) - 1:57
4. "Boom!" (Malakian) - 2:15
5. "Nüguns" (Malakian) - 2:30
6. "A.D.D. (American Dream Denial)" (Malakian) - 3:17
7. "Mr. Jack" (Malakian) - 4:11
8. "I-E-A-I-A-I-O" (Tankian, Malakian, Odadjian, Dolmayan) - 3:08
9. "36" (Malakian) - 0:46
10. "Pictures" (Malakian) - 2:07
11. "Highway Song" (Malakian) - 3:15
12. "Fuck the System" (Tankian, Malakian) - 2:12
13. "Ego Brain" (Tankian, Malakian) - 3:23
14. "Thetawaves" (Malakian) - 2:39
15. "Roulette" (Malakian, Tankian) - 3:21
16. "Streamline" (Malakian) - 3:37

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Muricy precisa poupar jogadores...Ou verá mais lesões acontecerem

Quando rejeitou a ideia de poupar atletas no Campeonato Paulista, fui plenamente de acordo com Muricy Ramalho no Santos. Há quem desvalorize a força dos estaduais, que de fato estão cada vez menos atraentes. Mas experimente não vencê-lo e descubra a reação da torcida e até mesmo a pressão vinda da diretoria por uma graninha a mais no cofre. Muricy não quis pagar para ver e levou o Paulistão para a Vila Belmiro.

No entanto, terminado o estadual, talvez agora seja a hora de Muricy começar a rever a questão. O início do Brasileirão para o Santos já é no próximo sábado, em casa, diante do Internacional e as lesões começam a atrapalhar a equipe santista. Primeiro foi Paulo Henrique Ganso, que deve retornar em quatro semanas. Depois foi a vez do lateral Jonathan, que também desfalca a equipe, assim como deve fazer Alan Patrick, que também precisou de substituição na partida de ontem contra o Once Caldas.

Alan Patrick sente lesão e deixa o gramado contra o Once Caldas

Com muito Brasileirão pela frente, o Peixe terá totais condições de se recuperar na competição, enquanto precisa manter um time inteiro para a disputa das semifinais da Libertadores. Neste caso, defendo sim que a equipe paulista mantenha um time pra lá de misto no início do nacional. Se não poderá ver novos atletas se lesionando devido ao excessivo desgaste das últimas partidas.

Em tempo: Jogando no Pacaembu, o Santos passou por sustos desnecessários no empate contra o Once Caldas. O volume de jogo apresentado pelos paulistas foi impressionante, mas nem por isso traduzido em gols e tranquilidade dentro de campo. Zé Love está em má fase técnica, mesmo que se esforce e dê assistências aos companheiros. Neymar continuou brilhante, assim como Arouca tem feito a diferença. Adriano é a surpresa positiva das últimas partidas, da mesma forma em que Elano tem deixado um pouco a desejar.

Zé Love: como diria Milton Leite, "QUE FASE!"

De qualquer forma, considero o Santos favorito em uma provável disputa contra Jaguares ou Cerro Porteño, adversário da primeira fase. Ficaria contente com uma final Santos x Vélez, que vem eliminando seus adversários com tranquilidade até aqui. Até lá, é possível contar com todos os desfalques por lesão de volta. Mas para isso, Muricy precisa começar a pensar em poupar alguns jogadores, se não o caldo vai engrossar...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sucesso Explosivo

Uma “masterpiece” não é construída de um dia para o outro: exige maturidade em aspectos musicais na composição de melodias e letras, mas também tem a ver com simbologia. O lançamento de Toxicity (2001) colocou o System of a Down não só nas paradas dos Estados Unidos, mas consolidou uma carreira que já vinha de sucesso crescente no mundo todo.

Depois de excursionar com bandas como Slayer, Incubus, Ozzy Osbourne e outras para divulgar o seu primeiro álbum de 1998, o System of a Down voltava ao estúdio para lançar Toxicity bem mais experiente. Novamente contando com a produção de Rick Rubin, o segundo cd de estúdio da banda é, na minha humilde opinião, o melhor trabalho já realizado pelo quarteto californiano em todos os aspectos.



O primeiro deles, mais técnico, conta com uma produção bem mais limpa, um Serj Tankian mais potente e aliando sua qualidade e força, além de um Daron Malakian inspiradíssimo na criação de riffs e solos. John Dolmayan e Shavo Odadjian também parecem mais coesos e criativos em suas composições. Toxicity, que dá nome ao álbum e à faixa 12, é um dos singles que simplesmente não se tira da cabeça tão cedo.



Cada vez mais político e anti-americano nas letras, Toxicity tem uma curiosidade: alcançou o topo de vendas no país justamente no dia 11 de setembro de 2001, dia dos ataques terroristas ao World Trade Center. Críticas ao sistema prisional americano, ciência e política externa são apenas algumas das temáticas presentes em músicas como Chop Suey, que chegou a ser vetada em algumas rádios do país devido ao seu conteúdo. Trata-se da primeira música que ouvi, a mais estranha e ao mesmo tempo com um dos refrões e com um dos clímax mais marcantes que já tive contato.



Toxicity é, sem dúvidas, o auge criativo da banda desde o início de sua trajetória e rendeu hits que até hoje perduram entre os favoritos dos fãs. O que talvez alguns não saibam é que a banda atingiu um período frutífero a ponto de mais de quinze músicas terem que ficar fora de Toxicity, o que abriu brecha para o lançamento de um novo álbum, que será detalhado no próximo post.

System of a Down – Toxicity (2001)
Nota: 10


Tracklist:
1. Prison Song
2. Needles
3. Deer Dance
4. Jet Pilot
5. X
6. Chop Suey!
7. Bounce
8. Forest
9. ATWA
10. Science
11. Shimmy
12. Toxicity
13. Psycho
14. Aerials

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A estreia de peso

Se vocês pensam que eu ia simplesmente deixá-los na mão depois de prometer falar um pouco da trajetória do System of a Down, muita calma. Andei meio ocupado nos últimos dias com viagens para São Paulo e processos seletivos da vida, que me impediram de falar com mais frequência aqui. Mas cá estou e de volta, pra falar daquele que foi o primeiro álbum de estúdio do SOAD, o autointitulado System of a Down, de 1998.


Seria muito pretensioso da minha parte tentar encaixar este trabalho em algum tipo de rotulação ou gênero musical. Uma análise inicial poderia tentar encaixá-lo no contexto do “New Metal”, já que foi produzido por Rick Rubin, um dos maiores do gênero e responsável por produzir bandas como Linkin Park e Slipknot. O contexto também ajudaria a seguir este caminho, já que o período foi também marcado pela ascensão de bandas como as já citadas, além de outras como KoRn, Limp Bizkit. Mas se tudo conspirava a favor, era possível chamar o primeiro álbum do SOAD como um dos principais do New-Metal? Nunca.

System of a Down é sem sombra de dúvidas o álbum mais pesado já produzido pelo quarteto de californiano de origem armena. Diferentemente dos albums mais recentes, que serão esmiuçados um por um nos próximos posts, o autointitulado de 1998 representa aquilo que mais há de obscuro e cruel no mundo da guerra, considerada a principal temática das letras da banda em toda a sua carreira. Outro destaque ficava para a maquiagem performática que a banda utilizava tanto em seus vídeos como apresentações ao vivo, hoje deixadas de lado.



Existem alguns elementos como os riffs pesados de War e Sugar, a atmosfera assustadora como as de faixas como Mind e Spiders, além das quebradas bizarras como em Cubert, Sugar e Peephole que afastam qualquer tese de New-Metal que pudesse ser enquadrada neste cd. Além do mais, qual aproximação com Hip-Hop ou Rap deve ser feita neste cd? Absolutamente nenhuma. Se fosse possível enquadrá-lo, de maneira bastante genérica, colocaria System of a Down na categoria do Metal Alternativo.



System of a Down, além do mais pesado, pode ser considerado o mais original já produzido pelo quarteto. No entanto, é possível considerá-lo o melhor? A resposta vem nos próximos posts, que trará na próxima edição a opinião sobre o premiadíssimo Toxicity (2000).

System of a Down – System of a Down (1998)
Nota: 9,0

Tracklist:
1. "Suite-Pee" (Malakian) - 2:32
2. "Know" (Odadjian, Malakian, Tankian) - 2:56
3. "Sugar" (Odadjian, Malakian) - 2:33
4. "Suggestions" (Malakian) - 2:44
5. "Spiders" (Malakian) - 3:35
6. "DDevil" (Odadjian, Malakian) - 1:43
7. "Soil" (Malakian) - 3:25
8. "War?" (Malakian) - 2:40
9. "Mind" (Odadjian, Malakian, Tankian) - 6:16
10. "Peephole" (Malakian) - 4:04
11. "CUBErt" (Malakian) - 1:49
12. "Darts" (Malakian) - 2:42
13. "P.L.U.C.K. (Politically Lying, Unholy, Cowardly Killers)" (Malakian) - 3:37

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Obrigado, Medina

Quando anunciou o System of a Down para o dia 2 de Outubro, no segundo final de semana do Rock In Rio 2011, muito provavelmente Roberto Medina não tinha nenhuma ideia do que ele estava fazendo não só por mim, mas por milhões de fãs brasileiros. Tristes com a separação da banda em 2006, os fãs do SOAD foram obrigados a contentarem-se com as carreiras-solo traçadas por alguns de seus integrantes, entre eles as excelentes Serj Tankian Solo Project e Scars on Broadway (formado por Daron Malakian e John Dolmayan).


O anúncio da volta do System of a Down, no final de 2010, não colocou fim apenas a um hiato de quase cinco anos. Coloca também fim a uma ansiedade em rever uma banda que já mostrava sinais de cansaço em 2006. É evidente que a parada foi, além de estratégica, essencial para que a banda prosseguisse e até criasse material novo, que ainda não tem previsão de sair.


System of a Down em 2006 - o pó da rabiola

Nos próximos dias, vou procurar trazer uma breve história da banda e discografia, com uma análise pra lá de detalhada cd por cd. De 1998 até 2005, cinco (ou quatro) CDs foram lançados na seguinte ordem: System of a Down -> Toxicity -> Steal This Album -> Mesmerize/Hypnotize (se considerarmos o dueto como um cd único). Do metal bizarro, passando pelo amadurecimento da banda e o seu auge comercial, muita coisa mudou em sete anos. Pela primeira vez no Brasil, o show dos caras promete não só pela exclusividade, mas também pelo tesão e ansiedade em voltarem a tocar juntos.


SOAD no BDO 2002: intensidade e insanidade

Stay Heavy!

domingo, 8 de maio de 2011

O que (não) muda em dois anos

Assim como em 2009, Corinthians e Santos voltaram a decidir o Paulistão neste domingo. Assim como em 2009, o Timão fez a terceira melhor campanha da primeira fase, cabendo ao Santos a classificação na quarta posição. Assim como em 2009, as principais esperanças corintianas estavam nos pés de um camisa 9. Assim como em 2009, coube a Neymar e Ganso criar as principais chances de perigo a favor do Peixe.


Se existem tantas coincidências em relação à decisão de 2009, o que afinal mudou de dois anos pra cá? Simplesmente tudo. O Corinthians de 2011, que decide o Paulistão, nem de perto tem a mesma qualidade da equipe de dois anos atrás, que contava com atletas em excelente fase como André Santos, Douglas, Cristian e Jorge Henrique, além de um inspirado camisa 9 que dispensa apresentações. Hoje, respectivamente, Fábio Santos, Bruno César, Ralf e o mesmo Jorge Henrique até que tentam, mas dificilmente conseguem repor a qualidade do time de 2009. Liédson até consegue, mas depende dos outros para que os gols aconteçam.

E o Santos, também mudou muito? É evidente. Ganso e Neymar, que já despontavam em 2009 como promessas, hoje são verdadeiras realidades no futebol brasileiro e estão muito mais experientes do que há dois anos. Jonathan é muito mais lateral do que era Luizinho. Elano é muito mais jogador do que Madson. Muricy Ramalho é muito mais técnico do que Vágner Mancini.


Comparações à parte, o empate por 0 a 0 no Pacaembu refletiu um equilíbrio relativo em campo neste domingo. Apesar de o Corinthians pressionar mais por jogar em casa, as melhores oportunidades estiveram com o Santos, que não soube aproveitar as chances que teve com Neymar, que acertou duas vezes a trave. Sem Paulo Henrique Ganso para a partida de volta, mas com os prováveis retornos de Arouca e Léo, o Peixe é mais forte e favorito para a disputa, mesmo com o possível desgaste da partida do meio da semana, pela Libertadores, diante do Once Caldas.

E o que esperar do Corinthians para a decisão da semana que vem na Vila? Uma equipe bem postada atrás e explorando os contra-ataques. Com o retorno de Alessandro, após cumprir suspensão, o time ganha mais equilíbrio e passa a apoiar dos dois lados. Dentinho, que já corria sérios riscos de deixar a equipe, novamente foi substituído por William e deve rodar na brincadeira. Agora, se o campeão de 2011 não será o mesmo de 2009, somente a decisão da semana que vem irá decidir.

sábado, 7 de maio de 2011

Em outro patamar

Quando afirmou que Thomaz Bellucci havia atingido outro patamar em sua carreira ao vencer Andy Murray, Guga quis dizer muito mais. O tênis, ao lado de outros esportes individuais, exige extrema confiança por parte do jogador. A seguinte vitória diante de Tomas Berdych parecia confirmar o evidente, já que não é todo dia que se eliminam dois Top 10 em um único torneio.

A derrota para Novak Djokovic, nas semifinais do Masters de Madrid, era acima de tudo esperada. Para alguns pode parecer oportunista falar agora, com a partida encerrada, mas a campanha do sérvio em 2011 é impressionante. Além de não ter perdido na temporada, Djokovic mostrou uma evolução física absurda. E tal evolução ficou evidente na partida contra Bellucci.



Apesar de derrotado no primeiro set e com uma quebra atrás no segundo, Djokovic teve tranquilidade para esperar o momento certo para crescer. Aproveitando a inexperiência de Bellucci, o sérvio não perdoou as chances que teve e devolveu duas quebras, assumindo a partir daí o controle total da partida. Fisicamente mais forte, Nole também cresceu mentalmente na partida, deixou de cometer erros tolos, colocando Bellucci em uma zona de total desconforto. O terceiro e último set, prova cabal da diferença física entre os dois, foi amplamente dominado pelo sérvio.

Apesar da derrota, o momento de Bellucci é extremamente favorável. Nas próximas semanas, o brasileiro deve aparecer muito próximo do Top 20 do ranking mundial, que o credencia a um dos cabeças-de-chave em Roland Garros. Além disso, a campanha em Madrid prova que Thomaz tem totais condições de brigar contra os gigantes do saibro, principalmente se repetir aquilo que fez esta semana: mostrar-se forte mentalmente, consistente nas trocas de bola e bem no saque, mas acima de tudo escolhendo as bolas certas nos pontos importantes.

Vale lembrar que, até chegar a Madrid, Bellucci vinha mostrando inconstância enorme com derrotas até certo ponto inexplicáveis como Santiago Giraldo, Pablo Cuevas e até mesmo o decadente James Blake. Esperamos que a campanha recente dê aquilo que faltava ao brasileiro, e que faz falta a qualquer tenista no circuito: confiança.