sábado, 7 de maio de 2011

Em outro patamar

Quando afirmou que Thomaz Bellucci havia atingido outro patamar em sua carreira ao vencer Andy Murray, Guga quis dizer muito mais. O tênis, ao lado de outros esportes individuais, exige extrema confiança por parte do jogador. A seguinte vitória diante de Tomas Berdych parecia confirmar o evidente, já que não é todo dia que se eliminam dois Top 10 em um único torneio.

A derrota para Novak Djokovic, nas semifinais do Masters de Madrid, era acima de tudo esperada. Para alguns pode parecer oportunista falar agora, com a partida encerrada, mas a campanha do sérvio em 2011 é impressionante. Além de não ter perdido na temporada, Djokovic mostrou uma evolução física absurda. E tal evolução ficou evidente na partida contra Bellucci.



Apesar de derrotado no primeiro set e com uma quebra atrás no segundo, Djokovic teve tranquilidade para esperar o momento certo para crescer. Aproveitando a inexperiência de Bellucci, o sérvio não perdoou as chances que teve e devolveu duas quebras, assumindo a partir daí o controle total da partida. Fisicamente mais forte, Nole também cresceu mentalmente na partida, deixou de cometer erros tolos, colocando Bellucci em uma zona de total desconforto. O terceiro e último set, prova cabal da diferença física entre os dois, foi amplamente dominado pelo sérvio.

Apesar da derrota, o momento de Bellucci é extremamente favorável. Nas próximas semanas, o brasileiro deve aparecer muito próximo do Top 20 do ranking mundial, que o credencia a um dos cabeças-de-chave em Roland Garros. Além disso, a campanha em Madrid prova que Thomaz tem totais condições de brigar contra os gigantes do saibro, principalmente se repetir aquilo que fez esta semana: mostrar-se forte mentalmente, consistente nas trocas de bola e bem no saque, mas acima de tudo escolhendo as bolas certas nos pontos importantes.

Vale lembrar que, até chegar a Madrid, Bellucci vinha mostrando inconstância enorme com derrotas até certo ponto inexplicáveis como Santiago Giraldo, Pablo Cuevas e até mesmo o decadente James Blake. Esperamos que a campanha recente dê aquilo que faltava ao brasileiro, e que faz falta a qualquer tenista no circuito: confiança.

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