segunda-feira, 27 de junho de 2011

Lições brasileiras e argentinas

A dicotomia que o futebol proporciona a milhões de torcedores no mundo todo é como combustível que mantém este esporte tão fascinante. Neste contexto, Brasil e Argentina formam uma das rivalidades mais bonitas e históricas que o esporte já viu. No último final de semana, os dois países viveram momentos bastante distintos, representados nas figuras de dois dos clubes mais populares de seus países: Corinthians e River Plate.

Os caminhos destas equipes já se cruzaram algumas vezes e de maneira marcante na última década. A primeira delas, na Copa Libertadores de 2003, colocou a frente uma equipe tradicional no torneio de clubes sul-americano diante de outra equipe que ainda mostrava-se inexperiente e sonhadora com o primeiro título. O resultado foi trágico para os brasileiros, com duas derrotas nas oitavas-de-final daquele ano.

A chance do troco viria três anos depois, novamente na fase de oitavas-de-final da competição mais importante da América do Sul de 2006. E não é que a tragédia voltou a passear pelo Brasil? Mesmo com um elenco recheado de craques, nova eliminação corintiana diante dos rivais do River Plate, novamente com duas derrotas que puniram o total descontrole e despreparo da equipe brasileira diante deste tipo de adversidade.

Libertadores 2006: a segunda grande lição do River Plate

Analisando estes dois episódios recentes da década passada, pensamos por vários anos como o corintiano deveria aprender com os “Milionários” (alcunha argentina) do River Plate neste tipo de competição. Além de bi-campeã da Libertadores, a equipe sempre mostrou-se forte neste tipo de torneio, de maneira totalmente oposta dos brasileiros, que sequer chegaram a uma final da competição. E não é que no dia 26 de junho de 2011 o corintiano enfim tem a chance de ensinar algo ao argentino?

Noticiou-se de maneira bastante intensa, no Brasil e na Argentina, o fatídico rebaixamento do River Plate para a segunda divisão do futebol nacional. Durante vários momentos neste domingo, abstraí totalmente o clássico entre Corinthians e São Paulo para observar uma cena que o corintiano viveu muito bem em 2007. O rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro é algo muito mais corriqueiro aqui do que lá por diversos fatores.

Em 2008, Corinthians deu a volta por cima

Primeiramente, quando caiu em 2007, o Corinthians não era o primeiro a passar pela situação. Em anos anteriores, Palmeiras, Botafogo, Atlético-MG e Grêmio já haviam passado pela experiência nada agradável de cair para a Série B. Em segundo lugar, na Argentina, para ser rebaixado, é necessário ir mal não apenas durante um ano, mas por três consecutivos. Tudo graças a um sistema de ranqueamento, que permite a grandes equipes se recuperaram de uma temporada ruim, diminuindo as chances de uma potencial queda. Porém, o River Plate conseguiu.

E é justamente nesta questão que não somente o Corinthians, mas também os outros clubes que passaram pela Série B brasileira têm a ensinar para o time argentino. A queda para a divisão de acesso nacional permitiu a estes clubes se reestruturarem de maneira profunda e voltarem a ser fortes em seus países, brigando por títulos e novamente disputando a Copa Libertadores. O Corinthians conseguiu isso. O River Plate também pode.

O exemplo corintiano foi dado em campo neste domingo, diante do seu rival São Paulo. A vitória por 5 a 0 foi expressiva e representa bem a força do elenco montado pelo alvinegro para a disputa do seu Campeonato Nacional desde 2008, quando voltou para a primeira divisão nacional. Novamente deve brigar pro título ou vaga na Libertadores, algo que o River Plate não consegue fazer há um bom tempo no seu país.

Pavone lamenta pênalti perdido: River Plate rebaixado

Milionário, levante a cabeça e volte mais forte. A Argentina não merece um clube tão medíocre nos seus últimos anos, mas que é tão forte em sua história. O futebol argentino e brasileiro quer ter a sua supremacia dos últimos anos ainda mais valorizada, com a volta de um gigante que não pode abaixar a cabeça com a sua queda e deve se apegar àquilo que tem de mais precioso: o seu torcedor.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A melhor banda de todos os tempos da última semana - parte 1

Há quem diga que muitos profissionais acabam ficando muito melhores com o passar dos anos. No futebol, sempre ouvi dizer “Fulano é como vinho: quanto mais velho, melhor”. Na música, tenho passado as últimas semanas na companhia de uma das poucas remanescentes no rock nacional que merecem uma menção positiva. Aproveitando a metáfora anterior, mas com umas pequenas alterações, começo esse post com a seguinte constatação: “Matanza está igual uísque: quanto mais velho melhor”.


É evidente que a metáfora acima não poderia se enquadrar de maneira melhor. E não é nem porque os caras têm a cultuada faixa "Rio de Whisky". O último e quinto trabalho da banda, Odiosa Natureza Humana (2011), agrada do começo ao fim e segue a linha de Arte do Insulto (2006) em vários aspectos. O primeiro deles diz respeito à forma com que foi gravado o álbum: três dias de gravações ao vivo em rolo único, sem equalizações digitais ou algo do tipo.

O resultado disso? Uma qualidade de som das faixas mais suja e rústica, com vocais altos e gravações instrumentais não tão claramente distinguidas, mas que propositalmente funcionam de maneira adequada em Odiosa Natureza Humana. No que diz respeito às letras, os caras mostram-se mais rabugentos do que nunca. E isso não é ruim, acredite.

Assim como em seu álbum antecessor, foram produzidas faixas que fazem verdadeiras odes à degradação humana, à dor de cotovelo pelo abandono da mulher amada e o mau humor, além de farras regadas a cerveja, cigarro e uísque. Destaque para as faixas “Tudo Errado”, “Escárnio”, “Carvão Enxofre e Salitre”, “Ela não me perdoou” e “Remédios Demais”. É um caminho totalmente distinto do que segue as atuais bandas do rock nacional.



Com mais este álbum, o Matanza novamente confirmou para ser um dos poucos remanescentes interessantes no Brasil, além de preencher um vácuo nas produções nacionais que eu não conseguia enxergar desde a saída de Rodolfo dos Raimundos. É evidente que não existem comparações entre as bandas, apesar de ambos apostarem em letras engraçadas. No entanto, o que vale lembrar é que outras bandas deveriam levar este exemplo adiante e deixassem as “cores” de lado para apostar no que de fato deve ser focado: a música.

Matanza – Odioza Natureza Humana (2011)
Nota: 9,0

Tracklist:

01 – Remédios Demais
02 – Em Respeito Ao Vício
03 – Ela Não Me Perdoou
04 – Escárnio
05 – Tudo Errado
06 – Saco Cheio E Mau-Humor
07 – Odiosa Natureza Humana
08 – Carvão, Enxofre E Salitre
09 – Amigo Nenhum
10 – Conforme Disseram As Vozes
11 – Melhor Sem Você
12 – A Menor Paciência
13 – O Bebum Acabado

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Jóbson, Adriano e algumas considerações

Muito além de simples jogadores de futebol, estes indivíduos são seres humanos. Muito além de artistas de um espetáculo e que necessitam jogar sempre em alto nível, estes homens que chamamos de profissionais do futebol têm seus medos, seus defeitos, suas criações culturais e fragilidades. Eles têm suas famílias. Têm seus amigos, verdadeiros ou não.

Primeiramente, gostaria de deixar claro que este texto, em momento algum, faz qualquer tipo de apologia ao doping, às drogas ou ao alcoolismo. A minha real intenção é identificar quais são as reais origens da questão e a dimensão que possíveis decisões futuras possam ter nas vidas destes atletas. Muita gente se esquece, mas a vida de um atleta profissional dificilmente dura após os 35 anos. Se o dinheiro não é bem administrado, ele vai pelo ralo com a mesma velocidade com que entra nas suas contas bancárias.

O caso que mais me preocupa é o de Jóbson. Condenado em primeira instância (brasileira) por uso de cocaína, o ex-atleta de Botafogo e Atlético-MG deveria ficar dois anos fora dos gramados depois de também assumir ser usuário de crack. Poucos meses depois, teve sua pena reduzida e conseguiu voltar ao futebol em menos de seis meses. Em Minas Gerais não conseguiu ir muito bem, mas parece ter reencontrado a confiança e principalmente o carinho de companheiros no Bahia. Isso sem contar no enorme risco que Renê Simões, técnico da equipe, assumiu ao contratá-lo.



No entanto, as coisas voltaram a ficar preocupantes para o jogador. O Tribunal Arbitral do Esporte, com sede na Suíça, decidiu rever a redução de pena anteriormente julgada pela Justiça Brasileira e pode até banir Jóbson do esporte. Mas seria o banimento a mais justa punição para alguém que estava doente?

Sim: estava e ainda pode estar. Diferentemente do doping, onde a substância proibida melhora o desempenho, o crack e a cocaína não fazem bem a um atleta. Ele não a utiliza com a intenção de melhorar o seu desempenho, mas sim porque tem um vício. Banir Jóbson seria não apenas acabar com a última chance que a vida poderia lhe oferecer, mas também sentenciá-lo a uma condenação final sem caminho de volta. Uma verdadeira vitória das drogas contra o esporte.


Em um ambiente esportivo, onde existe muita paixão e pouca razão envolvida, muitas vezes nos esquecemos de que poderiam existir inúmeros Jóbsons ou Adrianos nas nossas famílias. Neste caso, cito também o jogador do Corinthians, que é flagrado inúmeras vezes em baladas noturnas tomando a sua cervejinha. Se fossem próximos a nós, possivelmente não teríamos um julgamento tão cruel com pessoas que estão doentes e que precisam de tratamento.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O assassino europeu

A edição de junho da revista inglesa Four Four Two levantou alguns questionamentos sobre o futebol brasileiro e o seu futuro. Em matéria de capa, a revista tratou da “morte do futebol brasileiro”, baseando-se no argumento de que, atualmente, os melhores jogadores brasileiros na Europa são defensores, além do fato de não existirem mais craques oriundos do país. Mas até que ponto a revista acertou em cheio ou foi extremamente pessimista?

Morte ou coma?

Sob o ponto de vista europeu, é até natural que o argumento ganhe força. Nos últimos anos, nenhum brasileiro se destacou nas artilharias dos principais campeonatos europeus, com exceção de Hulk, que disputa um campeonato tecnicamente mais fraco (o português). Meias ofensivos foram outros fracassos. Coube a zagueiros, volantes e laterais como Daniel Alves, David Luiz, Lucas Leiva, Hernanes e Marcelo realizarem trabalhos de destaque na Europa.

O Brasil sofreu, nos últimos anos, com a síndrome do “craque que parecia craque, mas não virou craque”. Vou explicar: existem dezenas de atletas como Alexandre Pato, Robinho e Diego, Fred que despontaram como excelentes jogadores e foram para a Europa, mas não realizaram um bom trabalho por lá. Alguns deles ainda têm uma segunda chance como Robinho e Pato, mas nem de longe empolgam. Fred veio ao Brasil para reencontrar seu melhor futebol, enquanto Diego simplesmente caiu no ostracismo.

A falta de meio-campistas criativos é preocupante e refletiu-se na última convocação da Seleção Brasileira. Sem opções, Mano Menezes preferiu optar pela recuperação de Paulo Henrique Ganso (Santos FC), um jogador que praticamente não atuou na temporada, mas mesmo assim é raro e um dos poucos competentes para a função. No entanto, na falta de Ganso, é difícil imaginar nossa Seleção sendo comandada por “nem tão craques assim” como Jadson, Renato Augusto, Douglas e outros que tiveram oportunidade.

A situação é preocupante, mas nem de longe representa a morte do futebol brasileiro. Para os europeus que acreditam nesta premissa, recomendo que assistam à partida da Libertadores hoje entre Peñarol e Santos. Se existe uma esperança de alguém que possa trazer novo oxigênio a uma geração sem vida, ela está nos pés de Neymar Jr. Esperança não só brasileira, mas do torcedor santista.

Perigosa esperança única

Mesmo assim, se formos pensar, ainda é preocupante imaginar que toda a responsabilidade de um país pode estar delegada a apenas um jogador. A torcida fica para que outros sigam e o mesmo caminho, como o já citado PH Ganso, Lucas (São Paulo FC) e, por que não, Alexandre Pato. A chance está dada, a esperança depositada.

domingo, 12 de junho de 2011

As cifras da morte

Lidar com a morte é algo que sempre intrigou e que sempre vai intrigar o ser humano, seja na reflexão sobre a própria morte ou até mesmo a perda de entes queridos. Na música, o ano de 2010 foi bastante peculiar nesse sentido. Só no cenário Heavy Metal, grandes perdas foram sentidas em bandas como o Slipknot, que perdeu o baixista Paul Grey, além do Avenged Sevenfold, que perdeu o seu baterista Jimmy “The Rev” Sullivan. Isso, evidentemente, sem contar Ronnie James Dio, ex-líder do Sabbath e Rainbow, além de carreira solo.

Dio: o inventor do "Devil Horn"

O real mérito da questão que vou levantar é a respeito do trauma pós-morte que estas bandas são obrigadas a superar para seguir suas carreiras. Dois dos exemplos citados, Slipknot e Avenged Sevenfold, parecem seguir caminhos distintos e adotam posturas completamente diferentes nesse sentido. Vou explicar por quê.

Quando foram obrigados a encarar a morte de Paul Grey, o Slipknot passou por momentos terríveis. Além de fundador da banda, Grey era uma figura das mais representativas e sua perda foi sentida por fãs e companheiros. No entanto, haviam compromissos a serem cumpridos na turnê do álbum “All Hope is Gone” e shows estavam marcados no mundo todo. Inclusive no Brasil, que contará com a presença dos caras no Rock in Rio.

Coletiva sobre a morte de Paul Grey dá o futuro da banda como incerto

Com a morte de seu baixista, o Slipknot optou por um substituto caseiro: Donnie Steele, ex-guitarrista da própria banda. No entanto, quando perguntados a respeito de um novo membro definitivo, o discurso passa a ser o da incógnita. Corey Taylor nega veementemente a possibilidade de um novo álbum, apesar de outros integrantes até admitirem que ele pode existir. O discurso só volta a ficar afinado no que diz respeito ao respeito pela figura de Paul Grey, extremamente resguardada pelos companheiros.

É justamente neste mérito que eu questiono um pouco a postura do Avenged Sevenfold perante a morte de “The Rev”. Desde o seu falecimento, dois bateristas já passaram pelo posto, entre eles o lendário Mike Portnoy, ex-Dream Thetar, que inclusive deixou a banda que fundou em meio à aventura com os Sevenfolds. Além disso, foram incontáveis as homenagens feitas a “The Rev”: baladas em sua homenagem, faixas com a participação dos vocais do ex-companheiro e um videoclipe, muito bonito por sinal.



Não sou contra homenagens, muito pelo contrário: pessoas queridas que partem antes do esperado merecem toda e qualquer referência, mas tenho a impressão que o excesso dela começa a partir para algo mais marketeiro do que sincero. O Avenged Sevenfold, desde a morte do seu ex-baterista, explorou e ainda explora incansavelmente a morte do amigo em homenagens que, além de emocionar, atraem cada vez mais atenção de novos fãs. A postura é completamente diferente do Slipknot, que até coloca em risco a continuidade da banda.

Confesso que um meio-termo é o adequado neste caso. Superar o luto é difícil para qualquer um, mas é necessário seguir em frente. Seria o desejo de Paul Grey, seria o desejo de “The Rev”. No entanto, explorar incansavelmente a morte de um ex-companheiro com incansáveis homenagens, é não deixar o pobre coitado quieto em seu túmulo e me dá a impressão de que, se a postura não vem da banda, pelo menos vem de uma gravadora que está gostando bastante de explorar esta questão.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O Dunga embalado para imprensa

Como as homenagens a Ronaldo já renderam muito papo nos últimos dias, agora é hora de voltarmos à realidade. Logo após o amistoso contra a Romênia, que marcou a despedida do Fenômeno, o técnico Mano Menezes divulgou a lista dos 22 convocados para a Copa América na Argentina com algumas surpresas em relação às últimas convocações, principalmente no setor ofensivo.

Carente de um meio-campista organizador de jogadas e um atacante finalizador, nossa Seleção prova a cada ano que está cada vez mais sem opções. Tanto que, no soar dos gongos, Mano esperou até o último momento e preferiu convocar os lesionados Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato. Preocupante, se pensarmos que realmente não existem tantas opções de convocação nestes setores e ainda mais se pensarmos que ambos não chegarão no auge de suas capacidades físicas.

Ganso: o salvador do meio-campo?

No meio -campo, Mano Menezes parece mostrar que realmente não tolerou a expulsão de Hernanes contra a França. Sinceramente acredito que o ex-são paulino seria muito mais merecedor de uma vaga do que o ex-corintiano Elias e o santista Elano, que depois de um ótimo começo de temporada, caiu de produção. Lucas, do São Paulo, é uma opção interessante para o segundo tempo, enquanto Jadson parece ter conquistado a confiança do treinador e não fez uma partida das piores contra a Romênia.

Tirando os zagueiros e os laterais pela direita, que foram escolhidos acertadamente, na lateral voltamos a ter problemas pelo lado esquerdo. Mais uma vez fica provado que existe uma implicância do treinador com o madridista Marcelo, que foi um dos melhores na posição da temporada europeia. André Santos e Adriano ainda não são opções 100% seguras, mas é claro e evidente que existe uma carência nesta posição no futebol brasileiro.

Entre erros e acertos, Mano Menezes vai muito pressionado para a Argentina. O teste da Copa América é de extrema importância para o treinador, principalmente se imaginarmos que é uma das poucas oportunidades de testar a competitividade da sua equipe até a Copa do Mundo. E olha que até lá tem tempo e muitos jogadores ainda devem ser testados.

Mano Menezes: teimoso e gaúcho igual o Dunga

Sem vencer equipes de maior expressão, o técnico brasileiro já é alvo de críticas e até mesmo tem sido comparado a Dunga. Será mesmo? No que diz respeito a uma possível teimosia com alguns atletas e certa “tara” por retrancas, até que dá para dizer. Já quando o assunto é educação e tratamento com a imprensa, sem comparações. Agora vocês me perguntam: Mano chega até a Copa? Eu sinceramente acho que não.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ênfase verbal e pronominal

Tenho acompanhado com muita atenção os dias que antecedem a aposentadoria definitiva de Ronaldo Fenômeno com a camisa da Seleção Brasileira. Confesso até que estou um pouco de saco cheio, apesar de acreditar que ele seja merecedor de qualquer tipo de homenagem. No entanto, em meio a tantas homenagens, o principal exercício praticado por grande parte de jornalistas esportivos é a comparação com outros jogadores da geração: Ronaldo foi o maior do seu tempo?


Para muitos dos analistas que estão trabalhando hoje na TV, existem grandes divergências quando o assunto é a comparação de Ronaldo com ídolos da década de 80 como Zico, Careca, Sócrates, Maradona e outros. Grande parte destes profissionais, nascidos no fim da década de 70 ou início de 80, tiveram oportunidade de ver estes excepcionais jogadores com muita atenção, o que não é o meu caso. Uma análise feita por mim baseia-se muito mais em uma questão que dá ênfase verbal e pronominal: os maiores jogadores que EU VI jogar.

Sou de uma geração que, infelizmente, não teve a oportunidade de ver as grandes Seleções Brasileiras da década de 80. Quando o assunto é década de 90 e o início do novo milênio, tive a oportunidade de ver em campo jogadores de elevadíssimo nível técnico como Edmundo, Rivaldo, Romário e Roberto Carlos. Isso porque só citei atletas brasileiros, mas outras estrelas mundiais também podem ser lembradas como Zinedine Zidane, Luís Figo, Dennis Bergkamp, David Beckham e Thierry Henry.

Em uma geração 90-2000, com tantos jogadores de qualidade, Ronaldo Fenômeno é sim o maior que EU VI jogar. Ao lado de Romário e Zidane, o maior artilheiro de todas as Copas do Mundo formou a tríade dos maiores do seu tempo. Com a camisa 11, Romário não foi melhor do mundo e nem fez mil gols à toa. Com a camisa 5 do Real Madrid, Zizou não foi três vezes eleito como o melhor pela FIFA e um dos mais técnicos e plásticos à toa. Com a camisa 9, no entanto, Ronaldo foi o maior.

Felizmente tive a oportunidade de ver o Fenômeno atuar ao vivo em duas oportunidades. Evidentemente não vi o máximo apresentado por ele, já que foram partidas de fim de carreira pelo Corinthians (vitória contra o Ituano, em São José do Rio Preto – 2010, e empate contra o Mirassol, em São Paulo – 2010). Curiosamente, para a minha alegria, os dois jogos tiveram gol do camisa 9.



Obrigado, Ronaldo. #prasemprefenômeno

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Os onze do Rock'n Roll

Muita gente fala (até com certa razão) que em papo de bêbado não se aproveita nada, certo? Em alguns casos a máxima não é tão verdadeira assim. Meu final de semana ausente de qualquer acontecimento esportivo ou musical não me impediu de trazer um post que, curiosamente, surgiu de um papo de três rock’n roll lovers apreciadores de uma boa cerveja e de uma boa música.

É natural do ser humano gostar de seleções e comparações. Vamos a algumas demonstrações: os dez melhores CDs que já ouvi, os dez maiores desilusões amorosas, os dez livros mais fantásticos que já li, os dez filmes mais incríveis. Cada um já teve a sua, mas aposto que nenhuma delas se baseando em um time de futebol, levando em consideração características que se enquadrem em cada posição dentro de campo.

Pois bem, o tal papo de bêbado a que me referia rendeu uma seleção do rock’n roll que, apesar das discordâncias entre os que votaram, é de bastante qualidade. Meus caros Diogo Zacarias e Murilo Tomaz que me corrijam caso eu erre em alguma posição, mas vocês sabem como funciona: uma memória afetada pelo álcool nunca é 100%.

Goleiro: Nicko McBraian (Iron Maiden)


Seguro, Nicko é um baterista que não compromete e orienta muito bem o “setor defensivo” do Iron Maiden. Tem boa saída de bola (ataque na batera) e reflexo.

Laterais: Kirk Hammet (Metallica) e Kurt Cobain (Nirvana)


Ambos atacam com agressividade e sobem muito bem para o ataque. Pela direita, Kirk mostra mais “habilidade” (nesse caso virtuosidade). Pela esquerda, Kurt foi o único puxado pela memória que era canhoto e figuraria bem na seleção.

Zagueiros: Mike Portnoy (Dream Theater) e Tim Commerford (Rage Against the Machine)


O primeiro é uma espécie de Gamarra da música com suas baquetas, enquanto o segundo faz muito bem o arroz com feijão no baixo e não compromete nem um pouco lá atrás na cozinha. Ambos tem carisma e sabem apavorar os atacantes.

Volantes: Tom Araya (Slayer) e Lemmy Kilmister (Motorhead)


Dois volantões casca grossa que ninguém ousaria passar ou encarar. Sem mais.

Meias: Dave Mustaine (Megadeth) e Angus Young (AC/DC)


Um meio-ofensivo para ser ideal precisa ter rapidez e criatividade. Os guitarristas acima fazem uma dupla que compõem bem as características.

Atacantes: Bruce Dickinson (Iron Maiden) e Robert Plant (Led Zeppelin)


Atacante que não sabe fazer gol, não presta. Vocalista que não canta pacaralho, menos. Justo ter dois frontmans e craques de tanto peso jogando ali na frente.

Técnico: Ozzy Osbourne


Ozzy é o cara. Não discorde do treinador, ou então ele engole sua cabeça.

PS: Se pudesse mexer em algumas posições, qual seriam elas? Deixe um comentário e nos diga o que você mudaria.