
Dio: o inventor do "Devil Horn"
O real mérito da questão que vou levantar é a respeito do trauma pós-morte que estas bandas são obrigadas a superar para seguir suas carreiras. Dois dos exemplos citados, Slipknot e Avenged Sevenfold, parecem seguir caminhos distintos e adotam posturas completamente diferentes nesse sentido. Vou explicar por quê.
Quando foram obrigados a encarar a morte de Paul Grey, o Slipknot passou por momentos terríveis. Além de fundador da banda, Grey era uma figura das mais representativas e sua perda foi sentida por fãs e companheiros. No entanto, haviam compromissos a serem cumpridos na turnê do álbum “All Hope is Gone” e shows estavam marcados no mundo todo. Inclusive no Brasil, que contará com a presença dos caras no Rock in Rio.

Coletiva sobre a morte de Paul Grey dá o futuro da banda como incerto
Com a morte de seu baixista, o Slipknot optou por um substituto caseiro: Donnie Steele, ex-guitarrista da própria banda. No entanto, quando perguntados a respeito de um novo membro definitivo, o discurso passa a ser o da incógnita. Corey Taylor nega veementemente a possibilidade de um novo álbum, apesar de outros integrantes até admitirem que ele pode existir. O discurso só volta a ficar afinado no que diz respeito ao respeito pela figura de Paul Grey, extremamente resguardada pelos companheiros.
É justamente neste mérito que eu questiono um pouco a postura do Avenged Sevenfold perante a morte de “The Rev”. Desde o seu falecimento, dois bateristas já passaram pelo posto, entre eles o lendário Mike Portnoy, ex-Dream Thetar, que inclusive deixou a banda que fundou em meio à aventura com os Sevenfolds. Além disso, foram incontáveis as homenagens feitas a “The Rev”: baladas em sua homenagem, faixas com a participação dos vocais do ex-companheiro e um videoclipe, muito bonito por sinal.
Não sou contra homenagens, muito pelo contrário: pessoas queridas que partem antes do esperado merecem toda e qualquer referência, mas tenho a impressão que o excesso dela começa a partir para algo mais marketeiro do que sincero. O Avenged Sevenfold, desde a morte do seu ex-baterista, explorou e ainda explora incansavelmente a morte do amigo em homenagens que, além de emocionar, atraem cada vez mais atenção de novos fãs. A postura é completamente diferente do Slipknot, que até coloca em risco a continuidade da banda.
Confesso que um meio-termo é o adequado neste caso. Superar o luto é difícil para qualquer um, mas é necessário seguir em frente. Seria o desejo de Paul Grey, seria o desejo de “The Rev”. No entanto, explorar incansavelmente a morte de um ex-companheiro com incansáveis homenagens, é não deixar o pobre coitado quieto em seu túmulo e me dá a impressão de que, se a postura não vem da banda, pelo menos vem de uma gravadora que está gostando bastante de explorar esta questão.

Nenhum comentário:
Postar um comentário