segunda-feira, 20 de junho de 2011

Jóbson, Adriano e algumas considerações

Muito além de simples jogadores de futebol, estes indivíduos são seres humanos. Muito além de artistas de um espetáculo e que necessitam jogar sempre em alto nível, estes homens que chamamos de profissionais do futebol têm seus medos, seus defeitos, suas criações culturais e fragilidades. Eles têm suas famílias. Têm seus amigos, verdadeiros ou não.

Primeiramente, gostaria de deixar claro que este texto, em momento algum, faz qualquer tipo de apologia ao doping, às drogas ou ao alcoolismo. A minha real intenção é identificar quais são as reais origens da questão e a dimensão que possíveis decisões futuras possam ter nas vidas destes atletas. Muita gente se esquece, mas a vida de um atleta profissional dificilmente dura após os 35 anos. Se o dinheiro não é bem administrado, ele vai pelo ralo com a mesma velocidade com que entra nas suas contas bancárias.

O caso que mais me preocupa é o de Jóbson. Condenado em primeira instância (brasileira) por uso de cocaína, o ex-atleta de Botafogo e Atlético-MG deveria ficar dois anos fora dos gramados depois de também assumir ser usuário de crack. Poucos meses depois, teve sua pena reduzida e conseguiu voltar ao futebol em menos de seis meses. Em Minas Gerais não conseguiu ir muito bem, mas parece ter reencontrado a confiança e principalmente o carinho de companheiros no Bahia. Isso sem contar no enorme risco que Renê Simões, técnico da equipe, assumiu ao contratá-lo.



No entanto, as coisas voltaram a ficar preocupantes para o jogador. O Tribunal Arbitral do Esporte, com sede na Suíça, decidiu rever a redução de pena anteriormente julgada pela Justiça Brasileira e pode até banir Jóbson do esporte. Mas seria o banimento a mais justa punição para alguém que estava doente?

Sim: estava e ainda pode estar. Diferentemente do doping, onde a substância proibida melhora o desempenho, o crack e a cocaína não fazem bem a um atleta. Ele não a utiliza com a intenção de melhorar o seu desempenho, mas sim porque tem um vício. Banir Jóbson seria não apenas acabar com a última chance que a vida poderia lhe oferecer, mas também sentenciá-lo a uma condenação final sem caminho de volta. Uma verdadeira vitória das drogas contra o esporte.


Em um ambiente esportivo, onde existe muita paixão e pouca razão envolvida, muitas vezes nos esquecemos de que poderiam existir inúmeros Jóbsons ou Adrianos nas nossas famílias. Neste caso, cito também o jogador do Corinthians, que é flagrado inúmeras vezes em baladas noturnas tomando a sua cervejinha. Se fossem próximos a nós, possivelmente não teríamos um julgamento tão cruel com pessoas que estão doentes e que precisam de tratamento.

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