Primeiramente, gostaria de deixar claro que este texto, em momento algum, faz qualquer tipo de apologia ao doping, às drogas ou ao alcoolismo. A minha real intenção é identificar quais são as reais origens da questão e a dimensão que possíveis decisões futuras possam ter nas vidas destes atletas. Muita gente se esquece, mas a vida de um atleta profissional dificilmente dura após os 35 anos. Se o dinheiro não é bem administrado, ele vai pelo ralo com a mesma velocidade com que entra nas suas contas bancárias.
O caso que mais me preocupa é o de Jóbson. Condenado em primeira instância (brasileira) por uso de cocaína, o ex-atleta de Botafogo e Atlético-MG deveria ficar dois anos fora dos gramados depois de também assumir ser usuário de crack. Poucos meses depois, teve sua pena reduzida e conseguiu voltar ao futebol em menos de seis meses. Em Minas Gerais não conseguiu ir muito bem, mas parece ter reencontrado a confiança e principalmente o carinho de companheiros no Bahia. Isso sem contar no enorme risco que Renê Simões, técnico da equipe, assumiu ao contratá-lo.
No entanto, as coisas voltaram a ficar preocupantes para o jogador. O Tribunal Arbitral do Esporte, com sede na Suíça, decidiu rever a redução de pena anteriormente julgada pela Justiça Brasileira e pode até banir Jóbson do esporte. Mas seria o banimento a mais justa punição para alguém que estava doente?
Sim: estava e ainda pode estar. Diferentemente do doping, onde a substância proibida melhora o desempenho, o crack e a cocaína não fazem bem a um atleta. Ele não a utiliza com a intenção de melhorar o seu desempenho, mas sim porque tem um vício. Banir Jóbson seria não apenas acabar com a última chance que a vida poderia lhe oferecer, mas também sentenciá-lo a uma condenação final sem caminho de volta. Uma verdadeira vitória das drogas contra o esporte.

Em um ambiente esportivo, onde existe muita paixão e pouca razão envolvida, muitas vezes nos esquecemos de que poderiam existir inúmeros Jóbsons ou Adrianos nas nossas famílias. Neste caso, cito também o jogador do Corinthians, que é flagrado inúmeras vezes em baladas noturnas tomando a sua cervejinha. Se fossem próximos a nós, possivelmente não teríamos um julgamento tão cruel com pessoas que estão doentes e que precisam de tratamento.

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