terça-feira, 21 de junho de 2011

A melhor banda de todos os tempos da última semana - parte 1

Há quem diga que muitos profissionais acabam ficando muito melhores com o passar dos anos. No futebol, sempre ouvi dizer “Fulano é como vinho: quanto mais velho, melhor”. Na música, tenho passado as últimas semanas na companhia de uma das poucas remanescentes no rock nacional que merecem uma menção positiva. Aproveitando a metáfora anterior, mas com umas pequenas alterações, começo esse post com a seguinte constatação: “Matanza está igual uísque: quanto mais velho melhor”.


É evidente que a metáfora acima não poderia se enquadrar de maneira melhor. E não é nem porque os caras têm a cultuada faixa "Rio de Whisky". O último e quinto trabalho da banda, Odiosa Natureza Humana (2011), agrada do começo ao fim e segue a linha de Arte do Insulto (2006) em vários aspectos. O primeiro deles diz respeito à forma com que foi gravado o álbum: três dias de gravações ao vivo em rolo único, sem equalizações digitais ou algo do tipo.

O resultado disso? Uma qualidade de som das faixas mais suja e rústica, com vocais altos e gravações instrumentais não tão claramente distinguidas, mas que propositalmente funcionam de maneira adequada em Odiosa Natureza Humana. No que diz respeito às letras, os caras mostram-se mais rabugentos do que nunca. E isso não é ruim, acredite.

Assim como em seu álbum antecessor, foram produzidas faixas que fazem verdadeiras odes à degradação humana, à dor de cotovelo pelo abandono da mulher amada e o mau humor, além de farras regadas a cerveja, cigarro e uísque. Destaque para as faixas “Tudo Errado”, “Escárnio”, “Carvão Enxofre e Salitre”, “Ela não me perdoou” e “Remédios Demais”. É um caminho totalmente distinto do que segue as atuais bandas do rock nacional.



Com mais este álbum, o Matanza novamente confirmou para ser um dos poucos remanescentes interessantes no Brasil, além de preencher um vácuo nas produções nacionais que eu não conseguia enxergar desde a saída de Rodolfo dos Raimundos. É evidente que não existem comparações entre as bandas, apesar de ambos apostarem em letras engraçadas. No entanto, o que vale lembrar é que outras bandas deveriam levar este exemplo adiante e deixassem as “cores” de lado para apostar no que de fato deve ser focado: a música.

Matanza – Odioza Natureza Humana (2011)
Nota: 9,0

Tracklist:

01 – Remédios Demais
02 – Em Respeito Ao Vício
03 – Ela Não Me Perdoou
04 – Escárnio
05 – Tudo Errado
06 – Saco Cheio E Mau-Humor
07 – Odiosa Natureza Humana
08 – Carvão, Enxofre E Salitre
09 – Amigo Nenhum
10 – Conforme Disseram As Vozes
11 – Melhor Sem Você
12 – A Menor Paciência
13 – O Bebum Acabado

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