
Morte ou coma?
Sob o ponto de vista europeu, é até natural que o argumento ganhe força. Nos últimos anos, nenhum brasileiro se destacou nas artilharias dos principais campeonatos europeus, com exceção de Hulk, que disputa um campeonato tecnicamente mais fraco (o português). Meias ofensivos foram outros fracassos. Coube a zagueiros, volantes e laterais como Daniel Alves, David Luiz, Lucas Leiva, Hernanes e Marcelo realizarem trabalhos de destaque na Europa.
O Brasil sofreu, nos últimos anos, com a síndrome do “craque que parecia craque, mas não virou craque”. Vou explicar: existem dezenas de atletas como Alexandre Pato, Robinho e Diego, Fred que despontaram como excelentes jogadores e foram para a Europa, mas não realizaram um bom trabalho por lá. Alguns deles ainda têm uma segunda chance como Robinho e Pato, mas nem de longe empolgam. Fred veio ao Brasil para reencontrar seu melhor futebol, enquanto Diego simplesmente caiu no ostracismo.
A falta de meio-campistas criativos é preocupante e refletiu-se na última convocação da Seleção Brasileira. Sem opções, Mano Menezes preferiu optar pela recuperação de Paulo Henrique Ganso (Santos FC), um jogador que praticamente não atuou na temporada, mas mesmo assim é raro e um dos poucos competentes para a função. No entanto, na falta de Ganso, é difícil imaginar nossa Seleção sendo comandada por “nem tão craques assim” como Jadson, Renato Augusto, Douglas e outros que tiveram oportunidade.
A situação é preocupante, mas nem de longe representa a morte do futebol brasileiro. Para os europeus que acreditam nesta premissa, recomendo que assistam à partida da Libertadores hoje entre Peñarol e Santos. Se existe uma esperança de alguém que possa trazer novo oxigênio a uma geração sem vida, ela está nos pés de Neymar Jr. Esperança não só brasileira, mas do torcedor santista.

Perigosa esperança única
Mesmo assim, se formos pensar, ainda é preocupante imaginar que toda a responsabilidade de um país pode estar delegada a apenas um jogador. A torcida fica para que outros sigam e o mesmo caminho, como o já citado PH Ganso, Lucas (São Paulo FC) e, por que não, Alexandre Pato. A chance está dada, a esperança depositada.

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