terça-feira, 17 de maio de 2011

Sucesso Explosivo

Uma “masterpiece” não é construída de um dia para o outro: exige maturidade em aspectos musicais na composição de melodias e letras, mas também tem a ver com simbologia. O lançamento de Toxicity (2001) colocou o System of a Down não só nas paradas dos Estados Unidos, mas consolidou uma carreira que já vinha de sucesso crescente no mundo todo.

Depois de excursionar com bandas como Slayer, Incubus, Ozzy Osbourne e outras para divulgar o seu primeiro álbum de 1998, o System of a Down voltava ao estúdio para lançar Toxicity bem mais experiente. Novamente contando com a produção de Rick Rubin, o segundo cd de estúdio da banda é, na minha humilde opinião, o melhor trabalho já realizado pelo quarteto californiano em todos os aspectos.



O primeiro deles, mais técnico, conta com uma produção bem mais limpa, um Serj Tankian mais potente e aliando sua qualidade e força, além de um Daron Malakian inspiradíssimo na criação de riffs e solos. John Dolmayan e Shavo Odadjian também parecem mais coesos e criativos em suas composições. Toxicity, que dá nome ao álbum e à faixa 12, é um dos singles que simplesmente não se tira da cabeça tão cedo.



Cada vez mais político e anti-americano nas letras, Toxicity tem uma curiosidade: alcançou o topo de vendas no país justamente no dia 11 de setembro de 2001, dia dos ataques terroristas ao World Trade Center. Críticas ao sistema prisional americano, ciência e política externa são apenas algumas das temáticas presentes em músicas como Chop Suey, que chegou a ser vetada em algumas rádios do país devido ao seu conteúdo. Trata-se da primeira música que ouvi, a mais estranha e ao mesmo tempo com um dos refrões e com um dos clímax mais marcantes que já tive contato.



Toxicity é, sem dúvidas, o auge criativo da banda desde o início de sua trajetória e rendeu hits que até hoje perduram entre os favoritos dos fãs. O que talvez alguns não saibam é que a banda atingiu um período frutífero a ponto de mais de quinze músicas terem que ficar fora de Toxicity, o que abriu brecha para o lançamento de um novo álbum, que será detalhado no próximo post.

System of a Down – Toxicity (2001)
Nota: 10


Tracklist:
1. Prison Song
2. Needles
3. Deer Dance
4. Jet Pilot
5. X
6. Chop Suey!
7. Bounce
8. Forest
9. ATWA
10. Science
11. Shimmy
12. Toxicity
13. Psycho
14. Aerials

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A estreia de peso

Se vocês pensam que eu ia simplesmente deixá-los na mão depois de prometer falar um pouco da trajetória do System of a Down, muita calma. Andei meio ocupado nos últimos dias com viagens para São Paulo e processos seletivos da vida, que me impediram de falar com mais frequência aqui. Mas cá estou e de volta, pra falar daquele que foi o primeiro álbum de estúdio do SOAD, o autointitulado System of a Down, de 1998.


Seria muito pretensioso da minha parte tentar encaixar este trabalho em algum tipo de rotulação ou gênero musical. Uma análise inicial poderia tentar encaixá-lo no contexto do “New Metal”, já que foi produzido por Rick Rubin, um dos maiores do gênero e responsável por produzir bandas como Linkin Park e Slipknot. O contexto também ajudaria a seguir este caminho, já que o período foi também marcado pela ascensão de bandas como as já citadas, além de outras como KoRn, Limp Bizkit. Mas se tudo conspirava a favor, era possível chamar o primeiro álbum do SOAD como um dos principais do New-Metal? Nunca.

System of a Down é sem sombra de dúvidas o álbum mais pesado já produzido pelo quarteto de californiano de origem armena. Diferentemente dos albums mais recentes, que serão esmiuçados um por um nos próximos posts, o autointitulado de 1998 representa aquilo que mais há de obscuro e cruel no mundo da guerra, considerada a principal temática das letras da banda em toda a sua carreira. Outro destaque ficava para a maquiagem performática que a banda utilizava tanto em seus vídeos como apresentações ao vivo, hoje deixadas de lado.



Existem alguns elementos como os riffs pesados de War e Sugar, a atmosfera assustadora como as de faixas como Mind e Spiders, além das quebradas bizarras como em Cubert, Sugar e Peephole que afastam qualquer tese de New-Metal que pudesse ser enquadrada neste cd. Além do mais, qual aproximação com Hip-Hop ou Rap deve ser feita neste cd? Absolutamente nenhuma. Se fosse possível enquadrá-lo, de maneira bastante genérica, colocaria System of a Down na categoria do Metal Alternativo.



System of a Down, além do mais pesado, pode ser considerado o mais original já produzido pelo quarteto. No entanto, é possível considerá-lo o melhor? A resposta vem nos próximos posts, que trará na próxima edição a opinião sobre o premiadíssimo Toxicity (2000).

System of a Down – System of a Down (1998)
Nota: 9,0

Tracklist:
1. "Suite-Pee" (Malakian) - 2:32
2. "Know" (Odadjian, Malakian, Tankian) - 2:56
3. "Sugar" (Odadjian, Malakian) - 2:33
4. "Suggestions" (Malakian) - 2:44
5. "Spiders" (Malakian) - 3:35
6. "DDevil" (Odadjian, Malakian) - 1:43
7. "Soil" (Malakian) - 3:25
8. "War?" (Malakian) - 2:40
9. "Mind" (Odadjian, Malakian, Tankian) - 6:16
10. "Peephole" (Malakian) - 4:04
11. "CUBErt" (Malakian) - 1:49
12. "Darts" (Malakian) - 2:42
13. "P.L.U.C.K. (Politically Lying, Unholy, Cowardly Killers)" (Malakian) - 3:37

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Obrigado, Medina

Quando anunciou o System of a Down para o dia 2 de Outubro, no segundo final de semana do Rock In Rio 2011, muito provavelmente Roberto Medina não tinha nenhuma ideia do que ele estava fazendo não só por mim, mas por milhões de fãs brasileiros. Tristes com a separação da banda em 2006, os fãs do SOAD foram obrigados a contentarem-se com as carreiras-solo traçadas por alguns de seus integrantes, entre eles as excelentes Serj Tankian Solo Project e Scars on Broadway (formado por Daron Malakian e John Dolmayan).


O anúncio da volta do System of a Down, no final de 2010, não colocou fim apenas a um hiato de quase cinco anos. Coloca também fim a uma ansiedade em rever uma banda que já mostrava sinais de cansaço em 2006. É evidente que a parada foi, além de estratégica, essencial para que a banda prosseguisse e até criasse material novo, que ainda não tem previsão de sair.


System of a Down em 2006 - o pó da rabiola

Nos próximos dias, vou procurar trazer uma breve história da banda e discografia, com uma análise pra lá de detalhada cd por cd. De 1998 até 2005, cinco (ou quatro) CDs foram lançados na seguinte ordem: System of a Down -> Toxicity -> Steal This Album -> Mesmerize/Hypnotize (se considerarmos o dueto como um cd único). Do metal bizarro, passando pelo amadurecimento da banda e o seu auge comercial, muita coisa mudou em sete anos. Pela primeira vez no Brasil, o show dos caras promete não só pela exclusividade, mas também pelo tesão e ansiedade em voltarem a tocar juntos.


SOAD no BDO 2002: intensidade e insanidade

Stay Heavy!

domingo, 8 de maio de 2011

O que (não) muda em dois anos

Assim como em 2009, Corinthians e Santos voltaram a decidir o Paulistão neste domingo. Assim como em 2009, o Timão fez a terceira melhor campanha da primeira fase, cabendo ao Santos a classificação na quarta posição. Assim como em 2009, as principais esperanças corintianas estavam nos pés de um camisa 9. Assim como em 2009, coube a Neymar e Ganso criar as principais chances de perigo a favor do Peixe.


Se existem tantas coincidências em relação à decisão de 2009, o que afinal mudou de dois anos pra cá? Simplesmente tudo. O Corinthians de 2011, que decide o Paulistão, nem de perto tem a mesma qualidade da equipe de dois anos atrás, que contava com atletas em excelente fase como André Santos, Douglas, Cristian e Jorge Henrique, além de um inspirado camisa 9 que dispensa apresentações. Hoje, respectivamente, Fábio Santos, Bruno César, Ralf e o mesmo Jorge Henrique até que tentam, mas dificilmente conseguem repor a qualidade do time de 2009. Liédson até consegue, mas depende dos outros para que os gols aconteçam.

E o Santos, também mudou muito? É evidente. Ganso e Neymar, que já despontavam em 2009 como promessas, hoje são verdadeiras realidades no futebol brasileiro e estão muito mais experientes do que há dois anos. Jonathan é muito mais lateral do que era Luizinho. Elano é muito mais jogador do que Madson. Muricy Ramalho é muito mais técnico do que Vágner Mancini.


Comparações à parte, o empate por 0 a 0 no Pacaembu refletiu um equilíbrio relativo em campo neste domingo. Apesar de o Corinthians pressionar mais por jogar em casa, as melhores oportunidades estiveram com o Santos, que não soube aproveitar as chances que teve com Neymar, que acertou duas vezes a trave. Sem Paulo Henrique Ganso para a partida de volta, mas com os prováveis retornos de Arouca e Léo, o Peixe é mais forte e favorito para a disputa, mesmo com o possível desgaste da partida do meio da semana, pela Libertadores, diante do Once Caldas.

E o que esperar do Corinthians para a decisão da semana que vem na Vila? Uma equipe bem postada atrás e explorando os contra-ataques. Com o retorno de Alessandro, após cumprir suspensão, o time ganha mais equilíbrio e passa a apoiar dos dois lados. Dentinho, que já corria sérios riscos de deixar a equipe, novamente foi substituído por William e deve rodar na brincadeira. Agora, se o campeão de 2011 não será o mesmo de 2009, somente a decisão da semana que vem irá decidir.

sábado, 7 de maio de 2011

Em outro patamar

Quando afirmou que Thomaz Bellucci havia atingido outro patamar em sua carreira ao vencer Andy Murray, Guga quis dizer muito mais. O tênis, ao lado de outros esportes individuais, exige extrema confiança por parte do jogador. A seguinte vitória diante de Tomas Berdych parecia confirmar o evidente, já que não é todo dia que se eliminam dois Top 10 em um único torneio.

A derrota para Novak Djokovic, nas semifinais do Masters de Madrid, era acima de tudo esperada. Para alguns pode parecer oportunista falar agora, com a partida encerrada, mas a campanha do sérvio em 2011 é impressionante. Além de não ter perdido na temporada, Djokovic mostrou uma evolução física absurda. E tal evolução ficou evidente na partida contra Bellucci.



Apesar de derrotado no primeiro set e com uma quebra atrás no segundo, Djokovic teve tranquilidade para esperar o momento certo para crescer. Aproveitando a inexperiência de Bellucci, o sérvio não perdoou as chances que teve e devolveu duas quebras, assumindo a partir daí o controle total da partida. Fisicamente mais forte, Nole também cresceu mentalmente na partida, deixou de cometer erros tolos, colocando Bellucci em uma zona de total desconforto. O terceiro e último set, prova cabal da diferença física entre os dois, foi amplamente dominado pelo sérvio.

Apesar da derrota, o momento de Bellucci é extremamente favorável. Nas próximas semanas, o brasileiro deve aparecer muito próximo do Top 20 do ranking mundial, que o credencia a um dos cabeças-de-chave em Roland Garros. Além disso, a campanha em Madrid prova que Thomaz tem totais condições de brigar contra os gigantes do saibro, principalmente se repetir aquilo que fez esta semana: mostrar-se forte mentalmente, consistente nas trocas de bola e bem no saque, mas acima de tudo escolhendo as bolas certas nos pontos importantes.

Vale lembrar que, até chegar a Madrid, Bellucci vinha mostrando inconstância enorme com derrotas até certo ponto inexplicáveis como Santiago Giraldo, Pablo Cuevas e até mesmo o decadente James Blake. Esperamos que a campanha recente dê aquilo que faltava ao brasileiro, e que faz falta a qualquer tenista no circuito: confiança.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quando o problema vira solução

E não é que os reality shows, tão populares no Brasil através do BBB, também chegaram ao mundo Headbanger? Não é brincadeira, não. Na verdade, se fizermos um exercício de memória, há quem se lembre de “The Osbournes” e o seu incrível sucesso nos Estados Unidos. Mas agora estamos falando de algo bem mais sério do que pessoas confinadas dentro de uma casa e sendo filmadas.

Aproveitando a necessidade de um novo baterista, depois da saída de Mike Portnoy, a banda de Metal Progressivo DREAM THEATER resolveu fazer nada menos do que um verdadeiro reality show para definir o novo integrante. Para o processo seletivo, foram recrutados sete competentíssimos bateristas, que poderiam tranquilamente assumir o posto na banda. São eles:

- Aquiles Priester (ex-Angra)
- Peter Wildoer (Darkane)
- Marco Minnemann (ex-Kreator, Joe Satriani)
- Virgil Donati (Planet-X)
- Derek Roddy (Nile)
- Mike Mangini (Extreme, Steve Vai)
- Thomas Lang (Glenn Hughes)

Logo após a saída de Portnoy, um verdadeiro carnaval foi feito em cima do acontecimento. Trocas de farpas via Internet, tentativa de regresso à banda, negativa do Dream Thetar, e por aí vai. Se me perguntem o que eu acho da saída de Portnoy, sempre uso a metáfora do cara que trocou a sua esposa de vários anos por uma mais novinha (leia-se Avenged Sevenfold). O problema é que Portnoy tomou um pé na bunda da sua nova amante e tentou voltar pra ex-esposa (sem sucesso).



Brincadeiras à parte, o que eu vejo em todo esse episódio é uma excelente oportunidade de marketing para o Dream Theater. Além de atrair a atenção da mídia com as tais declarações polêmicas, a banda conseguiu fazer de um problema (a falta de um baterista) uma solução para arrecadar ainda mais dinheiro, através de um reality show para escolher um novo integrante para o posto.

Quem tiver interesse em acompanhar os dois primeiros episódios da série, pode acessar o Capítulo Um e o Capítulo 2 pelo Youtube. O próximo deve sair nos próximos dias e deve contar com a participação do brazuca Aquiles Priester, um dos meus favoritos na disputa. No entanto, se me perguntar realmente quem leva a fatura, fico entre Marco Minnemann e Mike Mangini (o primeiro por seu um fenômeno, o segundo pela química com a banda).

Quem não conhece o som da banda, vale a pena ver um vídeo do último álbum dos caras, Black Clouds & Silver Linings, de 2009. O Dream Theater é, sem dúvida, uma das bandas mais conceituadas no mundo headbanger e será sempre respeitado. Com Portnoy ou sem ele.



Nota do blogueiro: Ainda acho que esse “divórcio” Portnoy e Dream Theater não vai durar muito tempo.

domingo, 24 de abril de 2011

Quatro clubes e um destino

O palco era exatamente o mesmo, assim como os riscos e a pressão. Corinthians e Palmeiras tiveram um final de semana com momentos de bom futebol, mas que poderiam ter sido um pouco mais tranquilos. Contra Oeste e Mirassol, dois dos maiores rivais do futebol paulista colocaram a prêmio suas cabeças na competição estadual, mas passaram adiante e agora se enfrentam em partida única, válida pelas semifinais.

No sábado, foi a vez do Pacaembu receber o Timão contra o Oeste de Itápolis. Apesar do placar aparentemente magro, a superioridade corintiana ficou evidente durante os 90 minutos de partida. A opção por Bruno César no lugar de Morais deu mais mobilidade ao time, que também contou com os retornos de Alessandro e Dentinho. No caso do atacante, nem tão reforço assim, já que o garoto foi substituído durante a partida por William, graças a uma indisposição estomacal. Melhor para o Timão, já que o substituto fez a diferença com um golaço.



Apesar da superioridade em campo, o gol de empate sofrido no fim da primeira etapa mostrou um Corinthians afobado e perdendo muitas chances no reinício do jogo. Reflexos da eliminação na Libertadores? A resposta só virá no próximo final de semana, quando Palmeiras e Corinthians se enfrentarão.

E por falar no Verdão, a história contada pelo rival no sábado praticamente se repetiu no domingo: gol madrugador, empate no fim da primeira etapa, afobação na volta do intervalo e gol “aliviador”. Destaques positivos na atuação alviverde ficaram por conta de Kléber e Valdívia, que novamente provaram que podem fazer a diferença. Márcio Araújo e Luan, que apesar de limitados tecnicamente, mostraram muita disposição e também foram destaques no Pacaembu.



Final antecipada no Morumbi?
A outra semifinal do Paulistão coloca em campo as duas melhores equipes de São Paulo, tanto em elenco como em equipe titular. Santos e São Paulo passaram sem sustos por Ponte Preta e Portuguesa, respectivamente, e agora duelam por uma vaga na final. De maneira quase unânime as duas equipes são apontadas como favoritas ao título, mas devem respeitar a máxima de que em clássico não há favoritos.

De qualquer forma, o que podemos esperar no próximo final de semana são jogos eletrizantes. De todos eles, apenas o Santos joga durante a semana e talvez sofra um pouco com o desgaste. Já o Tricolor deve contar com as voltas de Alex Silva e Lucas, lesionados. No outro lado da chave, o Corinthians vai com força máxima, e o Verdão pode ter de volta Thiago Heleno e Cicinho.

E como diria ele..



Stay Heavy!