sexta-feira, 20 de maio de 2011

Roube este album, ele não é uma sobra

O que passa na sua cabeça quando dizem que uma coisa é sobra de alguma outra? No mínimo que ela não tem a mesma qualidade da original, certo? A lógica funciona perfeitamente em vários aspectos que não se aplicam à música em um caso particular: System of a Down.

O sucesso e a repercussão de Toxicity (2001) foram enormes. O quarteto californiano de origem armena não só conseguiu emplacar vários singles, mas também passou a ser convidado para os principais festivais de música em todo o planeta. Um deles, o BIG DAY OUT da Australia, trouxe apresentações fabulosas e totalmente insanas de uma banda que, sem sombra de dúvidas, vivia o seu auge.



Durante a turnê Toxicity, algumas músicas inéditas do SOAD passaram a ser disponibilizadas na internet. A grande maioria delas, composta durante as gravações do último álbum, teve que ser deixadas de lado no processo de escolha das músicas porque havia muito material. Mas o que fazer com essa sobra? Por que não lançar um novo álbum? Foi exatamente isso o que os fãs pensaram. Foi exatamente o que o System of a Down fez.


Steal This Album (2002) tem uma das capas mais fantásticas e originais da carreira da banda, sugerindo àquele que comprava o álbum a ideia de que estava levando um produto “falsificado” ou “gravado” de um original. A originalidade da banda, felizmente, não se resumiu à capa, mas foi refletida também nas músicas de todo o cd, que seguem uma linha bastante semelhante à de Toxicity.

Com singles potentes e tão preciosos com o do seu antecessor, Steal this Album conseguiu emplacar canções que são presença marcada em diversos shows da banda, como Mr Jack, IEAIAIO, Fuck the System, Highway Song, Roulette e Boom. O último, inclusive, ganhou um clipe bastante comentado na época devido ao seu forte teor de crítica ao governo americano.



Sendo sobra ou não de um álbum excepcional como o Toxicity, Steal this Album reflete o auge criativo de uma banda que alcançava níveis de popularidade cada vez maiores. Mas ainda havia como ir além. A popularidade do System of a Down só estava começando, como o ano de 2005 futuramente ia provar.

System of a Down - Steal This Album (2002)
Nota: 9,0

Tracklist:
1. "Chic 'n' Stu" (Malakian) - 2:25
2. "Innervision" (Malakian, Tankian) - 2:33
3. "Bubbles" (Malakian) - 1:57
4. "Boom!" (Malakian) - 2:15
5. "Nüguns" (Malakian) - 2:30
6. "A.D.D. (American Dream Denial)" (Malakian) - 3:17
7. "Mr. Jack" (Malakian) - 4:11
8. "I-E-A-I-A-I-O" (Tankian, Malakian, Odadjian, Dolmayan) - 3:08
9. "36" (Malakian) - 0:46
10. "Pictures" (Malakian) - 2:07
11. "Highway Song" (Malakian) - 3:15
12. "Fuck the System" (Tankian, Malakian) - 2:12
13. "Ego Brain" (Tankian, Malakian) - 3:23
14. "Thetawaves" (Malakian) - 2:39
15. "Roulette" (Malakian, Tankian) - 3:21
16. "Streamline" (Malakian) - 3:37

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Muricy precisa poupar jogadores...Ou verá mais lesões acontecerem

Quando rejeitou a ideia de poupar atletas no Campeonato Paulista, fui plenamente de acordo com Muricy Ramalho no Santos. Há quem desvalorize a força dos estaduais, que de fato estão cada vez menos atraentes. Mas experimente não vencê-lo e descubra a reação da torcida e até mesmo a pressão vinda da diretoria por uma graninha a mais no cofre. Muricy não quis pagar para ver e levou o Paulistão para a Vila Belmiro.

No entanto, terminado o estadual, talvez agora seja a hora de Muricy começar a rever a questão. O início do Brasileirão para o Santos já é no próximo sábado, em casa, diante do Internacional e as lesões começam a atrapalhar a equipe santista. Primeiro foi Paulo Henrique Ganso, que deve retornar em quatro semanas. Depois foi a vez do lateral Jonathan, que também desfalca a equipe, assim como deve fazer Alan Patrick, que também precisou de substituição na partida de ontem contra o Once Caldas.

Alan Patrick sente lesão e deixa o gramado contra o Once Caldas

Com muito Brasileirão pela frente, o Peixe terá totais condições de se recuperar na competição, enquanto precisa manter um time inteiro para a disputa das semifinais da Libertadores. Neste caso, defendo sim que a equipe paulista mantenha um time pra lá de misto no início do nacional. Se não poderá ver novos atletas se lesionando devido ao excessivo desgaste das últimas partidas.

Em tempo: Jogando no Pacaembu, o Santos passou por sustos desnecessários no empate contra o Once Caldas. O volume de jogo apresentado pelos paulistas foi impressionante, mas nem por isso traduzido em gols e tranquilidade dentro de campo. Zé Love está em má fase técnica, mesmo que se esforce e dê assistências aos companheiros. Neymar continuou brilhante, assim como Arouca tem feito a diferença. Adriano é a surpresa positiva das últimas partidas, da mesma forma em que Elano tem deixado um pouco a desejar.

Zé Love: como diria Milton Leite, "QUE FASE!"

De qualquer forma, considero o Santos favorito em uma provável disputa contra Jaguares ou Cerro Porteño, adversário da primeira fase. Ficaria contente com uma final Santos x Vélez, que vem eliminando seus adversários com tranquilidade até aqui. Até lá, é possível contar com todos os desfalques por lesão de volta. Mas para isso, Muricy precisa começar a pensar em poupar alguns jogadores, se não o caldo vai engrossar...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sucesso Explosivo

Uma “masterpiece” não é construída de um dia para o outro: exige maturidade em aspectos musicais na composição de melodias e letras, mas também tem a ver com simbologia. O lançamento de Toxicity (2001) colocou o System of a Down não só nas paradas dos Estados Unidos, mas consolidou uma carreira que já vinha de sucesso crescente no mundo todo.

Depois de excursionar com bandas como Slayer, Incubus, Ozzy Osbourne e outras para divulgar o seu primeiro álbum de 1998, o System of a Down voltava ao estúdio para lançar Toxicity bem mais experiente. Novamente contando com a produção de Rick Rubin, o segundo cd de estúdio da banda é, na minha humilde opinião, o melhor trabalho já realizado pelo quarteto californiano em todos os aspectos.



O primeiro deles, mais técnico, conta com uma produção bem mais limpa, um Serj Tankian mais potente e aliando sua qualidade e força, além de um Daron Malakian inspiradíssimo na criação de riffs e solos. John Dolmayan e Shavo Odadjian também parecem mais coesos e criativos em suas composições. Toxicity, que dá nome ao álbum e à faixa 12, é um dos singles que simplesmente não se tira da cabeça tão cedo.



Cada vez mais político e anti-americano nas letras, Toxicity tem uma curiosidade: alcançou o topo de vendas no país justamente no dia 11 de setembro de 2001, dia dos ataques terroristas ao World Trade Center. Críticas ao sistema prisional americano, ciência e política externa são apenas algumas das temáticas presentes em músicas como Chop Suey, que chegou a ser vetada em algumas rádios do país devido ao seu conteúdo. Trata-se da primeira música que ouvi, a mais estranha e ao mesmo tempo com um dos refrões e com um dos clímax mais marcantes que já tive contato.



Toxicity é, sem dúvidas, o auge criativo da banda desde o início de sua trajetória e rendeu hits que até hoje perduram entre os favoritos dos fãs. O que talvez alguns não saibam é que a banda atingiu um período frutífero a ponto de mais de quinze músicas terem que ficar fora de Toxicity, o que abriu brecha para o lançamento de um novo álbum, que será detalhado no próximo post.

System of a Down – Toxicity (2001)
Nota: 10


Tracklist:
1. Prison Song
2. Needles
3. Deer Dance
4. Jet Pilot
5. X
6. Chop Suey!
7. Bounce
8. Forest
9. ATWA
10. Science
11. Shimmy
12. Toxicity
13. Psycho
14. Aerials

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A estreia de peso

Se vocês pensam que eu ia simplesmente deixá-los na mão depois de prometer falar um pouco da trajetória do System of a Down, muita calma. Andei meio ocupado nos últimos dias com viagens para São Paulo e processos seletivos da vida, que me impediram de falar com mais frequência aqui. Mas cá estou e de volta, pra falar daquele que foi o primeiro álbum de estúdio do SOAD, o autointitulado System of a Down, de 1998.


Seria muito pretensioso da minha parte tentar encaixar este trabalho em algum tipo de rotulação ou gênero musical. Uma análise inicial poderia tentar encaixá-lo no contexto do “New Metal”, já que foi produzido por Rick Rubin, um dos maiores do gênero e responsável por produzir bandas como Linkin Park e Slipknot. O contexto também ajudaria a seguir este caminho, já que o período foi também marcado pela ascensão de bandas como as já citadas, além de outras como KoRn, Limp Bizkit. Mas se tudo conspirava a favor, era possível chamar o primeiro álbum do SOAD como um dos principais do New-Metal? Nunca.

System of a Down é sem sombra de dúvidas o álbum mais pesado já produzido pelo quarteto de californiano de origem armena. Diferentemente dos albums mais recentes, que serão esmiuçados um por um nos próximos posts, o autointitulado de 1998 representa aquilo que mais há de obscuro e cruel no mundo da guerra, considerada a principal temática das letras da banda em toda a sua carreira. Outro destaque ficava para a maquiagem performática que a banda utilizava tanto em seus vídeos como apresentações ao vivo, hoje deixadas de lado.



Existem alguns elementos como os riffs pesados de War e Sugar, a atmosfera assustadora como as de faixas como Mind e Spiders, além das quebradas bizarras como em Cubert, Sugar e Peephole que afastam qualquer tese de New-Metal que pudesse ser enquadrada neste cd. Além do mais, qual aproximação com Hip-Hop ou Rap deve ser feita neste cd? Absolutamente nenhuma. Se fosse possível enquadrá-lo, de maneira bastante genérica, colocaria System of a Down na categoria do Metal Alternativo.



System of a Down, além do mais pesado, pode ser considerado o mais original já produzido pelo quarteto. No entanto, é possível considerá-lo o melhor? A resposta vem nos próximos posts, que trará na próxima edição a opinião sobre o premiadíssimo Toxicity (2000).

System of a Down – System of a Down (1998)
Nota: 9,0

Tracklist:
1. "Suite-Pee" (Malakian) - 2:32
2. "Know" (Odadjian, Malakian, Tankian) - 2:56
3. "Sugar" (Odadjian, Malakian) - 2:33
4. "Suggestions" (Malakian) - 2:44
5. "Spiders" (Malakian) - 3:35
6. "DDevil" (Odadjian, Malakian) - 1:43
7. "Soil" (Malakian) - 3:25
8. "War?" (Malakian) - 2:40
9. "Mind" (Odadjian, Malakian, Tankian) - 6:16
10. "Peephole" (Malakian) - 4:04
11. "CUBErt" (Malakian) - 1:49
12. "Darts" (Malakian) - 2:42
13. "P.L.U.C.K. (Politically Lying, Unholy, Cowardly Killers)" (Malakian) - 3:37

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Obrigado, Medina

Quando anunciou o System of a Down para o dia 2 de Outubro, no segundo final de semana do Rock In Rio 2011, muito provavelmente Roberto Medina não tinha nenhuma ideia do que ele estava fazendo não só por mim, mas por milhões de fãs brasileiros. Tristes com a separação da banda em 2006, os fãs do SOAD foram obrigados a contentarem-se com as carreiras-solo traçadas por alguns de seus integrantes, entre eles as excelentes Serj Tankian Solo Project e Scars on Broadway (formado por Daron Malakian e John Dolmayan).


O anúncio da volta do System of a Down, no final de 2010, não colocou fim apenas a um hiato de quase cinco anos. Coloca também fim a uma ansiedade em rever uma banda que já mostrava sinais de cansaço em 2006. É evidente que a parada foi, além de estratégica, essencial para que a banda prosseguisse e até criasse material novo, que ainda não tem previsão de sair.


System of a Down em 2006 - o pó da rabiola

Nos próximos dias, vou procurar trazer uma breve história da banda e discografia, com uma análise pra lá de detalhada cd por cd. De 1998 até 2005, cinco (ou quatro) CDs foram lançados na seguinte ordem: System of a Down -> Toxicity -> Steal This Album -> Mesmerize/Hypnotize (se considerarmos o dueto como um cd único). Do metal bizarro, passando pelo amadurecimento da banda e o seu auge comercial, muita coisa mudou em sete anos. Pela primeira vez no Brasil, o show dos caras promete não só pela exclusividade, mas também pelo tesão e ansiedade em voltarem a tocar juntos.


SOAD no BDO 2002: intensidade e insanidade

Stay Heavy!

domingo, 8 de maio de 2011

O que (não) muda em dois anos

Assim como em 2009, Corinthians e Santos voltaram a decidir o Paulistão neste domingo. Assim como em 2009, o Timão fez a terceira melhor campanha da primeira fase, cabendo ao Santos a classificação na quarta posição. Assim como em 2009, as principais esperanças corintianas estavam nos pés de um camisa 9. Assim como em 2009, coube a Neymar e Ganso criar as principais chances de perigo a favor do Peixe.


Se existem tantas coincidências em relação à decisão de 2009, o que afinal mudou de dois anos pra cá? Simplesmente tudo. O Corinthians de 2011, que decide o Paulistão, nem de perto tem a mesma qualidade da equipe de dois anos atrás, que contava com atletas em excelente fase como André Santos, Douglas, Cristian e Jorge Henrique, além de um inspirado camisa 9 que dispensa apresentações. Hoje, respectivamente, Fábio Santos, Bruno César, Ralf e o mesmo Jorge Henrique até que tentam, mas dificilmente conseguem repor a qualidade do time de 2009. Liédson até consegue, mas depende dos outros para que os gols aconteçam.

E o Santos, também mudou muito? É evidente. Ganso e Neymar, que já despontavam em 2009 como promessas, hoje são verdadeiras realidades no futebol brasileiro e estão muito mais experientes do que há dois anos. Jonathan é muito mais lateral do que era Luizinho. Elano é muito mais jogador do que Madson. Muricy Ramalho é muito mais técnico do que Vágner Mancini.


Comparações à parte, o empate por 0 a 0 no Pacaembu refletiu um equilíbrio relativo em campo neste domingo. Apesar de o Corinthians pressionar mais por jogar em casa, as melhores oportunidades estiveram com o Santos, que não soube aproveitar as chances que teve com Neymar, que acertou duas vezes a trave. Sem Paulo Henrique Ganso para a partida de volta, mas com os prováveis retornos de Arouca e Léo, o Peixe é mais forte e favorito para a disputa, mesmo com o possível desgaste da partida do meio da semana, pela Libertadores, diante do Once Caldas.

E o que esperar do Corinthians para a decisão da semana que vem na Vila? Uma equipe bem postada atrás e explorando os contra-ataques. Com o retorno de Alessandro, após cumprir suspensão, o time ganha mais equilíbrio e passa a apoiar dos dois lados. Dentinho, que já corria sérios riscos de deixar a equipe, novamente foi substituído por William e deve rodar na brincadeira. Agora, se o campeão de 2011 não será o mesmo de 2009, somente a decisão da semana que vem irá decidir.

sábado, 7 de maio de 2011

Em outro patamar

Quando afirmou que Thomaz Bellucci havia atingido outro patamar em sua carreira ao vencer Andy Murray, Guga quis dizer muito mais. O tênis, ao lado de outros esportes individuais, exige extrema confiança por parte do jogador. A seguinte vitória diante de Tomas Berdych parecia confirmar o evidente, já que não é todo dia que se eliminam dois Top 10 em um único torneio.

A derrota para Novak Djokovic, nas semifinais do Masters de Madrid, era acima de tudo esperada. Para alguns pode parecer oportunista falar agora, com a partida encerrada, mas a campanha do sérvio em 2011 é impressionante. Além de não ter perdido na temporada, Djokovic mostrou uma evolução física absurda. E tal evolução ficou evidente na partida contra Bellucci.



Apesar de derrotado no primeiro set e com uma quebra atrás no segundo, Djokovic teve tranquilidade para esperar o momento certo para crescer. Aproveitando a inexperiência de Bellucci, o sérvio não perdoou as chances que teve e devolveu duas quebras, assumindo a partir daí o controle total da partida. Fisicamente mais forte, Nole também cresceu mentalmente na partida, deixou de cometer erros tolos, colocando Bellucci em uma zona de total desconforto. O terceiro e último set, prova cabal da diferença física entre os dois, foi amplamente dominado pelo sérvio.

Apesar da derrota, o momento de Bellucci é extremamente favorável. Nas próximas semanas, o brasileiro deve aparecer muito próximo do Top 20 do ranking mundial, que o credencia a um dos cabeças-de-chave em Roland Garros. Além disso, a campanha em Madrid prova que Thomaz tem totais condições de brigar contra os gigantes do saibro, principalmente se repetir aquilo que fez esta semana: mostrar-se forte mentalmente, consistente nas trocas de bola e bem no saque, mas acima de tudo escolhendo as bolas certas nos pontos importantes.

Vale lembrar que, até chegar a Madrid, Bellucci vinha mostrando inconstância enorme com derrotas até certo ponto inexplicáveis como Santiago Giraldo, Pablo Cuevas e até mesmo o decadente James Blake. Esperamos que a campanha recente dê aquilo que faltava ao brasileiro, e que faz falta a qualquer tenista no circuito: confiança.