segunda-feira, 27 de junho de 2011

Lições brasileiras e argentinas

A dicotomia que o futebol proporciona a milhões de torcedores no mundo todo é como combustível que mantém este esporte tão fascinante. Neste contexto, Brasil e Argentina formam uma das rivalidades mais bonitas e históricas que o esporte já viu. No último final de semana, os dois países viveram momentos bastante distintos, representados nas figuras de dois dos clubes mais populares de seus países: Corinthians e River Plate.

Os caminhos destas equipes já se cruzaram algumas vezes e de maneira marcante na última década. A primeira delas, na Copa Libertadores de 2003, colocou a frente uma equipe tradicional no torneio de clubes sul-americano diante de outra equipe que ainda mostrava-se inexperiente e sonhadora com o primeiro título. O resultado foi trágico para os brasileiros, com duas derrotas nas oitavas-de-final daquele ano.

A chance do troco viria três anos depois, novamente na fase de oitavas-de-final da competição mais importante da América do Sul de 2006. E não é que a tragédia voltou a passear pelo Brasil? Mesmo com um elenco recheado de craques, nova eliminação corintiana diante dos rivais do River Plate, novamente com duas derrotas que puniram o total descontrole e despreparo da equipe brasileira diante deste tipo de adversidade.

Libertadores 2006: a segunda grande lição do River Plate

Analisando estes dois episódios recentes da década passada, pensamos por vários anos como o corintiano deveria aprender com os “Milionários” (alcunha argentina) do River Plate neste tipo de competição. Além de bi-campeã da Libertadores, a equipe sempre mostrou-se forte neste tipo de torneio, de maneira totalmente oposta dos brasileiros, que sequer chegaram a uma final da competição. E não é que no dia 26 de junho de 2011 o corintiano enfim tem a chance de ensinar algo ao argentino?

Noticiou-se de maneira bastante intensa, no Brasil e na Argentina, o fatídico rebaixamento do River Plate para a segunda divisão do futebol nacional. Durante vários momentos neste domingo, abstraí totalmente o clássico entre Corinthians e São Paulo para observar uma cena que o corintiano viveu muito bem em 2007. O rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro é algo muito mais corriqueiro aqui do que lá por diversos fatores.

Em 2008, Corinthians deu a volta por cima

Primeiramente, quando caiu em 2007, o Corinthians não era o primeiro a passar pela situação. Em anos anteriores, Palmeiras, Botafogo, Atlético-MG e Grêmio já haviam passado pela experiência nada agradável de cair para a Série B. Em segundo lugar, na Argentina, para ser rebaixado, é necessário ir mal não apenas durante um ano, mas por três consecutivos. Tudo graças a um sistema de ranqueamento, que permite a grandes equipes se recuperaram de uma temporada ruim, diminuindo as chances de uma potencial queda. Porém, o River Plate conseguiu.

E é justamente nesta questão que não somente o Corinthians, mas também os outros clubes que passaram pela Série B brasileira têm a ensinar para o time argentino. A queda para a divisão de acesso nacional permitiu a estes clubes se reestruturarem de maneira profunda e voltarem a ser fortes em seus países, brigando por títulos e novamente disputando a Copa Libertadores. O Corinthians conseguiu isso. O River Plate também pode.

O exemplo corintiano foi dado em campo neste domingo, diante do seu rival São Paulo. A vitória por 5 a 0 foi expressiva e representa bem a força do elenco montado pelo alvinegro para a disputa do seu Campeonato Nacional desde 2008, quando voltou para a primeira divisão nacional. Novamente deve brigar pro título ou vaga na Libertadores, algo que o River Plate não consegue fazer há um bom tempo no seu país.

Pavone lamenta pênalti perdido: River Plate rebaixado

Milionário, levante a cabeça e volte mais forte. A Argentina não merece um clube tão medíocre nos seus últimos anos, mas que é tão forte em sua história. O futebol argentino e brasileiro quer ter a sua supremacia dos últimos anos ainda mais valorizada, com a volta de um gigante que não pode abaixar a cabeça com a sua queda e deve se apegar àquilo que tem de mais precioso: o seu torcedor.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A melhor banda de todos os tempos da última semana - parte 1

Há quem diga que muitos profissionais acabam ficando muito melhores com o passar dos anos. No futebol, sempre ouvi dizer “Fulano é como vinho: quanto mais velho, melhor”. Na música, tenho passado as últimas semanas na companhia de uma das poucas remanescentes no rock nacional que merecem uma menção positiva. Aproveitando a metáfora anterior, mas com umas pequenas alterações, começo esse post com a seguinte constatação: “Matanza está igual uísque: quanto mais velho melhor”.


É evidente que a metáfora acima não poderia se enquadrar de maneira melhor. E não é nem porque os caras têm a cultuada faixa "Rio de Whisky". O último e quinto trabalho da banda, Odiosa Natureza Humana (2011), agrada do começo ao fim e segue a linha de Arte do Insulto (2006) em vários aspectos. O primeiro deles diz respeito à forma com que foi gravado o álbum: três dias de gravações ao vivo em rolo único, sem equalizações digitais ou algo do tipo.

O resultado disso? Uma qualidade de som das faixas mais suja e rústica, com vocais altos e gravações instrumentais não tão claramente distinguidas, mas que propositalmente funcionam de maneira adequada em Odiosa Natureza Humana. No que diz respeito às letras, os caras mostram-se mais rabugentos do que nunca. E isso não é ruim, acredite.

Assim como em seu álbum antecessor, foram produzidas faixas que fazem verdadeiras odes à degradação humana, à dor de cotovelo pelo abandono da mulher amada e o mau humor, além de farras regadas a cerveja, cigarro e uísque. Destaque para as faixas “Tudo Errado”, “Escárnio”, “Carvão Enxofre e Salitre”, “Ela não me perdoou” e “Remédios Demais”. É um caminho totalmente distinto do que segue as atuais bandas do rock nacional.



Com mais este álbum, o Matanza novamente confirmou para ser um dos poucos remanescentes interessantes no Brasil, além de preencher um vácuo nas produções nacionais que eu não conseguia enxergar desde a saída de Rodolfo dos Raimundos. É evidente que não existem comparações entre as bandas, apesar de ambos apostarem em letras engraçadas. No entanto, o que vale lembrar é que outras bandas deveriam levar este exemplo adiante e deixassem as “cores” de lado para apostar no que de fato deve ser focado: a música.

Matanza – Odioza Natureza Humana (2011)
Nota: 9,0

Tracklist:

01 – Remédios Demais
02 – Em Respeito Ao Vício
03 – Ela Não Me Perdoou
04 – Escárnio
05 – Tudo Errado
06 – Saco Cheio E Mau-Humor
07 – Odiosa Natureza Humana
08 – Carvão, Enxofre E Salitre
09 – Amigo Nenhum
10 – Conforme Disseram As Vozes
11 – Melhor Sem Você
12 – A Menor Paciência
13 – O Bebum Acabado

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Jóbson, Adriano e algumas considerações

Muito além de simples jogadores de futebol, estes indivíduos são seres humanos. Muito além de artistas de um espetáculo e que necessitam jogar sempre em alto nível, estes homens que chamamos de profissionais do futebol têm seus medos, seus defeitos, suas criações culturais e fragilidades. Eles têm suas famílias. Têm seus amigos, verdadeiros ou não.

Primeiramente, gostaria de deixar claro que este texto, em momento algum, faz qualquer tipo de apologia ao doping, às drogas ou ao alcoolismo. A minha real intenção é identificar quais são as reais origens da questão e a dimensão que possíveis decisões futuras possam ter nas vidas destes atletas. Muita gente se esquece, mas a vida de um atleta profissional dificilmente dura após os 35 anos. Se o dinheiro não é bem administrado, ele vai pelo ralo com a mesma velocidade com que entra nas suas contas bancárias.

O caso que mais me preocupa é o de Jóbson. Condenado em primeira instância (brasileira) por uso de cocaína, o ex-atleta de Botafogo e Atlético-MG deveria ficar dois anos fora dos gramados depois de também assumir ser usuário de crack. Poucos meses depois, teve sua pena reduzida e conseguiu voltar ao futebol em menos de seis meses. Em Minas Gerais não conseguiu ir muito bem, mas parece ter reencontrado a confiança e principalmente o carinho de companheiros no Bahia. Isso sem contar no enorme risco que Renê Simões, técnico da equipe, assumiu ao contratá-lo.



No entanto, as coisas voltaram a ficar preocupantes para o jogador. O Tribunal Arbitral do Esporte, com sede na Suíça, decidiu rever a redução de pena anteriormente julgada pela Justiça Brasileira e pode até banir Jóbson do esporte. Mas seria o banimento a mais justa punição para alguém que estava doente?

Sim: estava e ainda pode estar. Diferentemente do doping, onde a substância proibida melhora o desempenho, o crack e a cocaína não fazem bem a um atleta. Ele não a utiliza com a intenção de melhorar o seu desempenho, mas sim porque tem um vício. Banir Jóbson seria não apenas acabar com a última chance que a vida poderia lhe oferecer, mas também sentenciá-lo a uma condenação final sem caminho de volta. Uma verdadeira vitória das drogas contra o esporte.


Em um ambiente esportivo, onde existe muita paixão e pouca razão envolvida, muitas vezes nos esquecemos de que poderiam existir inúmeros Jóbsons ou Adrianos nas nossas famílias. Neste caso, cito também o jogador do Corinthians, que é flagrado inúmeras vezes em baladas noturnas tomando a sua cervejinha. Se fossem próximos a nós, possivelmente não teríamos um julgamento tão cruel com pessoas que estão doentes e que precisam de tratamento.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O assassino europeu

A edição de junho da revista inglesa Four Four Two levantou alguns questionamentos sobre o futebol brasileiro e o seu futuro. Em matéria de capa, a revista tratou da “morte do futebol brasileiro”, baseando-se no argumento de que, atualmente, os melhores jogadores brasileiros na Europa são defensores, além do fato de não existirem mais craques oriundos do país. Mas até que ponto a revista acertou em cheio ou foi extremamente pessimista?

Morte ou coma?

Sob o ponto de vista europeu, é até natural que o argumento ganhe força. Nos últimos anos, nenhum brasileiro se destacou nas artilharias dos principais campeonatos europeus, com exceção de Hulk, que disputa um campeonato tecnicamente mais fraco (o português). Meias ofensivos foram outros fracassos. Coube a zagueiros, volantes e laterais como Daniel Alves, David Luiz, Lucas Leiva, Hernanes e Marcelo realizarem trabalhos de destaque na Europa.

O Brasil sofreu, nos últimos anos, com a síndrome do “craque que parecia craque, mas não virou craque”. Vou explicar: existem dezenas de atletas como Alexandre Pato, Robinho e Diego, Fred que despontaram como excelentes jogadores e foram para a Europa, mas não realizaram um bom trabalho por lá. Alguns deles ainda têm uma segunda chance como Robinho e Pato, mas nem de longe empolgam. Fred veio ao Brasil para reencontrar seu melhor futebol, enquanto Diego simplesmente caiu no ostracismo.

A falta de meio-campistas criativos é preocupante e refletiu-se na última convocação da Seleção Brasileira. Sem opções, Mano Menezes preferiu optar pela recuperação de Paulo Henrique Ganso (Santos FC), um jogador que praticamente não atuou na temporada, mas mesmo assim é raro e um dos poucos competentes para a função. No entanto, na falta de Ganso, é difícil imaginar nossa Seleção sendo comandada por “nem tão craques assim” como Jadson, Renato Augusto, Douglas e outros que tiveram oportunidade.

A situação é preocupante, mas nem de longe representa a morte do futebol brasileiro. Para os europeus que acreditam nesta premissa, recomendo que assistam à partida da Libertadores hoje entre Peñarol e Santos. Se existe uma esperança de alguém que possa trazer novo oxigênio a uma geração sem vida, ela está nos pés de Neymar Jr. Esperança não só brasileira, mas do torcedor santista.

Perigosa esperança única

Mesmo assim, se formos pensar, ainda é preocupante imaginar que toda a responsabilidade de um país pode estar delegada a apenas um jogador. A torcida fica para que outros sigam e o mesmo caminho, como o já citado PH Ganso, Lucas (São Paulo FC) e, por que não, Alexandre Pato. A chance está dada, a esperança depositada.

domingo, 12 de junho de 2011

As cifras da morte

Lidar com a morte é algo que sempre intrigou e que sempre vai intrigar o ser humano, seja na reflexão sobre a própria morte ou até mesmo a perda de entes queridos. Na música, o ano de 2010 foi bastante peculiar nesse sentido. Só no cenário Heavy Metal, grandes perdas foram sentidas em bandas como o Slipknot, que perdeu o baixista Paul Grey, além do Avenged Sevenfold, que perdeu o seu baterista Jimmy “The Rev” Sullivan. Isso, evidentemente, sem contar Ronnie James Dio, ex-líder do Sabbath e Rainbow, além de carreira solo.

Dio: o inventor do "Devil Horn"

O real mérito da questão que vou levantar é a respeito do trauma pós-morte que estas bandas são obrigadas a superar para seguir suas carreiras. Dois dos exemplos citados, Slipknot e Avenged Sevenfold, parecem seguir caminhos distintos e adotam posturas completamente diferentes nesse sentido. Vou explicar por quê.

Quando foram obrigados a encarar a morte de Paul Grey, o Slipknot passou por momentos terríveis. Além de fundador da banda, Grey era uma figura das mais representativas e sua perda foi sentida por fãs e companheiros. No entanto, haviam compromissos a serem cumpridos na turnê do álbum “All Hope is Gone” e shows estavam marcados no mundo todo. Inclusive no Brasil, que contará com a presença dos caras no Rock in Rio.

Coletiva sobre a morte de Paul Grey dá o futuro da banda como incerto

Com a morte de seu baixista, o Slipknot optou por um substituto caseiro: Donnie Steele, ex-guitarrista da própria banda. No entanto, quando perguntados a respeito de um novo membro definitivo, o discurso passa a ser o da incógnita. Corey Taylor nega veementemente a possibilidade de um novo álbum, apesar de outros integrantes até admitirem que ele pode existir. O discurso só volta a ficar afinado no que diz respeito ao respeito pela figura de Paul Grey, extremamente resguardada pelos companheiros.

É justamente neste mérito que eu questiono um pouco a postura do Avenged Sevenfold perante a morte de “The Rev”. Desde o seu falecimento, dois bateristas já passaram pelo posto, entre eles o lendário Mike Portnoy, ex-Dream Thetar, que inclusive deixou a banda que fundou em meio à aventura com os Sevenfolds. Além disso, foram incontáveis as homenagens feitas a “The Rev”: baladas em sua homenagem, faixas com a participação dos vocais do ex-companheiro e um videoclipe, muito bonito por sinal.



Não sou contra homenagens, muito pelo contrário: pessoas queridas que partem antes do esperado merecem toda e qualquer referência, mas tenho a impressão que o excesso dela começa a partir para algo mais marketeiro do que sincero. O Avenged Sevenfold, desde a morte do seu ex-baterista, explorou e ainda explora incansavelmente a morte do amigo em homenagens que, além de emocionar, atraem cada vez mais atenção de novos fãs. A postura é completamente diferente do Slipknot, que até coloca em risco a continuidade da banda.

Confesso que um meio-termo é o adequado neste caso. Superar o luto é difícil para qualquer um, mas é necessário seguir em frente. Seria o desejo de Paul Grey, seria o desejo de “The Rev”. No entanto, explorar incansavelmente a morte de um ex-companheiro com incansáveis homenagens, é não deixar o pobre coitado quieto em seu túmulo e me dá a impressão de que, se a postura não vem da banda, pelo menos vem de uma gravadora que está gostando bastante de explorar esta questão.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O Dunga embalado para imprensa

Como as homenagens a Ronaldo já renderam muito papo nos últimos dias, agora é hora de voltarmos à realidade. Logo após o amistoso contra a Romênia, que marcou a despedida do Fenômeno, o técnico Mano Menezes divulgou a lista dos 22 convocados para a Copa América na Argentina com algumas surpresas em relação às últimas convocações, principalmente no setor ofensivo.

Carente de um meio-campista organizador de jogadas e um atacante finalizador, nossa Seleção prova a cada ano que está cada vez mais sem opções. Tanto que, no soar dos gongos, Mano esperou até o último momento e preferiu convocar os lesionados Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato. Preocupante, se pensarmos que realmente não existem tantas opções de convocação nestes setores e ainda mais se pensarmos que ambos não chegarão no auge de suas capacidades físicas.

Ganso: o salvador do meio-campo?

No meio -campo, Mano Menezes parece mostrar que realmente não tolerou a expulsão de Hernanes contra a França. Sinceramente acredito que o ex-são paulino seria muito mais merecedor de uma vaga do que o ex-corintiano Elias e o santista Elano, que depois de um ótimo começo de temporada, caiu de produção. Lucas, do São Paulo, é uma opção interessante para o segundo tempo, enquanto Jadson parece ter conquistado a confiança do treinador e não fez uma partida das piores contra a Romênia.

Tirando os zagueiros e os laterais pela direita, que foram escolhidos acertadamente, na lateral voltamos a ter problemas pelo lado esquerdo. Mais uma vez fica provado que existe uma implicância do treinador com o madridista Marcelo, que foi um dos melhores na posição da temporada europeia. André Santos e Adriano ainda não são opções 100% seguras, mas é claro e evidente que existe uma carência nesta posição no futebol brasileiro.

Entre erros e acertos, Mano Menezes vai muito pressionado para a Argentina. O teste da Copa América é de extrema importância para o treinador, principalmente se imaginarmos que é uma das poucas oportunidades de testar a competitividade da sua equipe até a Copa do Mundo. E olha que até lá tem tempo e muitos jogadores ainda devem ser testados.

Mano Menezes: teimoso e gaúcho igual o Dunga

Sem vencer equipes de maior expressão, o técnico brasileiro já é alvo de críticas e até mesmo tem sido comparado a Dunga. Será mesmo? No que diz respeito a uma possível teimosia com alguns atletas e certa “tara” por retrancas, até que dá para dizer. Já quando o assunto é educação e tratamento com a imprensa, sem comparações. Agora vocês me perguntam: Mano chega até a Copa? Eu sinceramente acho que não.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ênfase verbal e pronominal

Tenho acompanhado com muita atenção os dias que antecedem a aposentadoria definitiva de Ronaldo Fenômeno com a camisa da Seleção Brasileira. Confesso até que estou um pouco de saco cheio, apesar de acreditar que ele seja merecedor de qualquer tipo de homenagem. No entanto, em meio a tantas homenagens, o principal exercício praticado por grande parte de jornalistas esportivos é a comparação com outros jogadores da geração: Ronaldo foi o maior do seu tempo?


Para muitos dos analistas que estão trabalhando hoje na TV, existem grandes divergências quando o assunto é a comparação de Ronaldo com ídolos da década de 80 como Zico, Careca, Sócrates, Maradona e outros. Grande parte destes profissionais, nascidos no fim da década de 70 ou início de 80, tiveram oportunidade de ver estes excepcionais jogadores com muita atenção, o que não é o meu caso. Uma análise feita por mim baseia-se muito mais em uma questão que dá ênfase verbal e pronominal: os maiores jogadores que EU VI jogar.

Sou de uma geração que, infelizmente, não teve a oportunidade de ver as grandes Seleções Brasileiras da década de 80. Quando o assunto é década de 90 e o início do novo milênio, tive a oportunidade de ver em campo jogadores de elevadíssimo nível técnico como Edmundo, Rivaldo, Romário e Roberto Carlos. Isso porque só citei atletas brasileiros, mas outras estrelas mundiais também podem ser lembradas como Zinedine Zidane, Luís Figo, Dennis Bergkamp, David Beckham e Thierry Henry.

Em uma geração 90-2000, com tantos jogadores de qualidade, Ronaldo Fenômeno é sim o maior que EU VI jogar. Ao lado de Romário e Zidane, o maior artilheiro de todas as Copas do Mundo formou a tríade dos maiores do seu tempo. Com a camisa 11, Romário não foi melhor do mundo e nem fez mil gols à toa. Com a camisa 5 do Real Madrid, Zizou não foi três vezes eleito como o melhor pela FIFA e um dos mais técnicos e plásticos à toa. Com a camisa 9, no entanto, Ronaldo foi o maior.

Felizmente tive a oportunidade de ver o Fenômeno atuar ao vivo em duas oportunidades. Evidentemente não vi o máximo apresentado por ele, já que foram partidas de fim de carreira pelo Corinthians (vitória contra o Ituano, em São José do Rio Preto – 2010, e empate contra o Mirassol, em São Paulo – 2010). Curiosamente, para a minha alegria, os dois jogos tiveram gol do camisa 9.



Obrigado, Ronaldo. #prasemprefenômeno

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Os onze do Rock'n Roll

Muita gente fala (até com certa razão) que em papo de bêbado não se aproveita nada, certo? Em alguns casos a máxima não é tão verdadeira assim. Meu final de semana ausente de qualquer acontecimento esportivo ou musical não me impediu de trazer um post que, curiosamente, surgiu de um papo de três rock’n roll lovers apreciadores de uma boa cerveja e de uma boa música.

É natural do ser humano gostar de seleções e comparações. Vamos a algumas demonstrações: os dez melhores CDs que já ouvi, os dez maiores desilusões amorosas, os dez livros mais fantásticos que já li, os dez filmes mais incríveis. Cada um já teve a sua, mas aposto que nenhuma delas se baseando em um time de futebol, levando em consideração características que se enquadrem em cada posição dentro de campo.

Pois bem, o tal papo de bêbado a que me referia rendeu uma seleção do rock’n roll que, apesar das discordâncias entre os que votaram, é de bastante qualidade. Meus caros Diogo Zacarias e Murilo Tomaz que me corrijam caso eu erre em alguma posição, mas vocês sabem como funciona: uma memória afetada pelo álcool nunca é 100%.

Goleiro: Nicko McBraian (Iron Maiden)


Seguro, Nicko é um baterista que não compromete e orienta muito bem o “setor defensivo” do Iron Maiden. Tem boa saída de bola (ataque na batera) e reflexo.

Laterais: Kirk Hammet (Metallica) e Kurt Cobain (Nirvana)


Ambos atacam com agressividade e sobem muito bem para o ataque. Pela direita, Kirk mostra mais “habilidade” (nesse caso virtuosidade). Pela esquerda, Kurt foi o único puxado pela memória que era canhoto e figuraria bem na seleção.

Zagueiros: Mike Portnoy (Dream Theater) e Tim Commerford (Rage Against the Machine)


O primeiro é uma espécie de Gamarra da música com suas baquetas, enquanto o segundo faz muito bem o arroz com feijão no baixo e não compromete nem um pouco lá atrás na cozinha. Ambos tem carisma e sabem apavorar os atacantes.

Volantes: Tom Araya (Slayer) e Lemmy Kilmister (Motorhead)


Dois volantões casca grossa que ninguém ousaria passar ou encarar. Sem mais.

Meias: Dave Mustaine (Megadeth) e Angus Young (AC/DC)


Um meio-ofensivo para ser ideal precisa ter rapidez e criatividade. Os guitarristas acima fazem uma dupla que compõem bem as características.

Atacantes: Bruce Dickinson (Iron Maiden) e Robert Plant (Led Zeppelin)


Atacante que não sabe fazer gol, não presta. Vocalista que não canta pacaralho, menos. Justo ter dois frontmans e craques de tanto peso jogando ali na frente.

Técnico: Ozzy Osbourne


Ozzy é o cara. Não discorde do treinador, ou então ele engole sua cabeça.

PS: Se pudesse mexer em algumas posições, qual seriam elas? Deixe um comentário e nos diga o que você mudaria.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Amigos, amigos: carreira à parte

A história precisava de uma continuação, já que o seu primeiro ato havia sido contato há meses e não tivera um desfecho conclusivo. Era preciso ligar os últimos pontos de uma carreira de muito sucesso e que começava a dar sinais visíveis de cansaço. Fazer turnês estressantes e embriagantes, ao lado das mesmas quatro figuras, durante mais de sete anos, não deve ser a atividade mais tranquila do planeta. Eram quatro amigos, mas que precisavam seguir os seus próprios caminhos.

Para quem interpretou o parágrafo com certa estranheza, talvez passe a entender um pouco da atmosfera que rondava o System of a Down em 2005, ano de lançamento do duplo Mesmerize/Hypnotize. Após o lançamento da primeira parte, Hypnotize representou também o último álbum de estúdio produzido pelo quarteto californiano, que decidiu entrar em hiato após mais de sete anos de estrada.


Hypnotize segue caminhos e linhas bastante semelhantes ao seu antecessor, até porque foram gravados e produzidos no mesmo período. A fórmula certeira de baladas + riffs pegajosos, aliadas a dupla vocal entre Serj Tankian e Daron Malakian, voltou a funcionar como se esperava. No entanto, a impressão que tenho ao ouvi Hypnotize é de que o System of a Down deixara o que havia de melhor para o final.


A hipnose musical chega ao seu fim em Hypnotize

Tudo aquilo que havia sido deixado sem resposta em Mesmerize é respondido no seu antecessor. Na arte da capa de Hypnotize, a transformação atinge o ápice da hipnose musical e completa o sentido do seu antecessor, assim como na faixa Soldier Side. Iniciada com uma introdução na primeira parte do álbum como faixa um, ela encerra o seu sucessor na sua última faixa, em uma das canções mais bem produzidas pela banda.

Quanto à temática das letras, a política e a bizarrice voltam a dar as caras, com destaques para as matadoras Attack, Tentative, Kill Rock’n Roll e Stealing Society. Baladas muito bem feitas também são destaque como a já conhecida Holy Mountains e Lonely Day. Esta última, inclusive, representa muito bem o sentimento de um fã que soube da separação da banda, que parece voltar a dar sinais de vida em 2011 com uma turnê de reencontro.


Lonely Day, indicado ao Grammy de melhor performance
Hard-Rock de 2007

Depois de anos longe e com carreiras solo consolidadas, tenho dúvidas sobre o lançamento de um possível novo álbum do System of a Down. No fundo, acredito que a turnê 2011, que passa pelo Rock in Rio, trata-se apenas de um “vamos matar a saudade, mas amigos amigos, carreiras solo à parte”.

Album: System of a Down – Hypnotize (2005)
Nota: 9,0

Tracklist:
1. "Attack" - 3:06
2. "Dreaming" - 3:59
3. "Kill Rock 'n Roll" - 2:27
4. "Hypnotize" - 3:09
5. "Stealing Society" - 2:57
6. "Tentative" - 3:36
7. "U-Fig" - 2:55
8. "Holy Mountains" - 5:28
9. "Vicinity Of Obscenity" - 2:51
10. "She's Like Heroin" - 2:44
11. "Lonely Day" - 2:47
12. "Soldier Side" - 3:40

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Aberta a temporada do sinal amarelo

Você se lembra da primeira rodada, quando disse nesse blog que ainda é cedo para fazer qualquer tipo de projeção no Campeonato Brasileiro? Pois é, a afirmação ainda é válida para a segunda rodada. No entanto, já existem alguns clubes que começam a acender a luz amarela pelas más atuações nas duas primeiras rodadas de campeonato, tanto na briga por melhores posições como na luta contra as piores.

Execrado por corintianos e santitas, Adílson Batista não começou bem sua trajetória no Atlético-PR. Além de perder o título paranaense, o Furacão ainda não somou pontos no campeonato nacional e perdeu a segunda seguida, desta vez em casa diante do Grêmio. Vale lembrar-se das recentes campanhas do clube paranaense, que lutou contra o rebaixamento e dá sinais de não ter montado elenco suficiente para uma Série A. Será que a história se repete em 2011?

Furacão mais uma vez lutará contra a degola?

Quem também começou bem atrás no Brasileirão é o Avaí, semifinalista da Copa do Brasil. Também derrotado em casa, diante do Atlético-MG, o time catarinense iniciou uma pequena queda-livre e mostra uma situação parecida com a do Vitória em 2010 (finalista da Copa do Brasil e rebaixado no Brasileirão). Gustavo Kuerten deve estar bem mais preocupado do que satisfeito com a temporada do seu clube de coração.

Na briga pelas primeiras posições, quem anda tropeçando é o Internacional e o Cruzeiro, grandes favoritos ao título. Evidentemente, pelos seus ótimos elencos, os dois clubes tem totais condições de se recuperarem do mau início na competição, com apenas um ponto somado em seis possíveis. No entanto, sem dividir atenção com outras competições, as duas equipes tiveram atuações muito fracas e perderam pontos importantes, que podem sim fazer a diferença no final da competição.

Falcão preocupado com perda de pontos preciosos

Nesta linha de raciocínio, há quem diga que o Santos deve ser incluído, com apenas um ponto somado. Nesse caso, vale lembrar que os paulistas vêm usando time reserva nas duas primeiras rodadas, já que dedicam todas as suas atenções à fase decisiva da Copa Libertadores. De qualquer forma, também são pontos que podem fazer a diferença na trigésima oitava rodada do campeonato nacional.

Por fim, quem vem fazendo bonito, mesmo com time reserva, é o Vasco da Gama. Depois de ter um início de temporada muito ruim, a equipe carioca conseguiu montar um bom elenco e trouxe jogadores que começam a trazer bons resultados ao clube. É o caso dos renegados Diego Souza, Alecsandro, Bernardo e Éder Luiz. Neste domingo, sem os titulares, a equipe de Ricardo Gomes fez bonito e anotou 3 a 0 no América-MG, somando seis pontos em duas rodadas. Lucro total para quem vem poupando jogadores nas duas primeiras rodadas.

Paulistas na 2ª rodada
Se o Santos não começa tão bem assim, Corinthians e São Paulo largaram de maneira positiva e já somaram seis pontos com as vitórias em casa diante de Coritiba e Figueirense respectivamente. O Palmeiras também conseguiu um ótimo resultado, tirando um empate do favorito Cruzeiro e somando o seu quarto ponto na competição. Será que enfim os paulistas conseguirão retomar a hegemonia nacional, recuperada pelos cariocas nas duas últimas edições? Ainda é cedo para dizer.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Gostinho amargo

Era de se esperar que a coisa começasse a ficar feia para Thomaz Bellucci, mas não tanto como de fato aconteceu. Em dia inspirado do francês Richard Gasquet, o dono da casa foi superior em grande parte do jogo e levou a fatura por 3 sets a 1, colocando fim ao sonho do brasileiro de repetir a campanha de 2010, quando chegou às oitavas-de-final. O resultado não é tão bom para o brasileiro, já que deve perder pontos e possivelmente algumas posições no ranking.

O velho Bellucci cometeu os mesmos erros do passado

A partida não começou bem para Bellucci, que viu um Gasquet inspiradíssimo nos dois primeiros sets. Com muito talento e uma das esquerdas mais belas do circuito, que muito fazem lembrar a de Gustavo Kuerten, o francês disparou fortíssimos golpes do fundo da quadra e tirou o brasileiro da sua zona de conforto. Visivelmente incomodado em quadra, Bellucci cometia muitos erros e não repetia o bom saque de outros jogos. Com isso, o francês tinha muita facilidade em fechar seus games de serviço, ao contrário do brasileiro.

As coisas começaram a mudar um pouco no terceiro set, quando o ritmo de Gasquet caiu visivelmente. Sem a mesma profundidade de golpes e errando bem mais, o francês permitiu ao brasileiro uma reação e deu a impressão de que novamente o anfitrião decepcionaria a sua torcida. Vale lembrar que ele é conhecido pelas suas tremendas “pipocadas” em quadra, principalmente quando joga em casa.

No quarto set, a coisa parecida se repetir. Bellucci quebrou o serviço de Gasquet logo no primeiro game, mas não conseguiu manter a boa vantagem no game seguinte, devolvendo a quebra. A partida permaneceu equilibrada até o 4/3, quando o brasileiro voltou a cometer erros bobos e permitiu nova quebra de saque. Restou ao francês sacar bem e fechar a partida, com 6/3 no quarto set.

Gasquet deve ter dificuldades na próxima rodada

Apesar de ter ranking abaixo do francês, ficou para Bellucci um gostinho de derrota amarga. A meu ver, o brasileiro tinha bola e chegou a ter a chance para buscar o placar nesta sexta-feira, mas não soube aproveitar da melhor maneira. O brasileiro voltou a cometer erros infantis, escolher os golpes errados e não ter eficiência no saque. Daí fica difícil para bater não só um tenista bem qualificado, mas também com menor categoria do que ele.

Na próxima rodada, Gasquet enfrenta o vencedor de Novak Djokovic e Juan Martin Del Potro, que promete ser um grande jogo. De qualquer forma, Gasquet não é favorito contra nenhum dos dois, mesmo jogando em casa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Para botar inveja em Top 10

Uma vitória para qualquer Top 10 botar defeito: é assim que eu gostaria de definir o triunfo de Thomaz Bellucci na manhã desta terça-feira diante do italiano Andreas Seppi. Não apenas pelo resultado em si, um 3 sets a 0 inapelável, mas também pela rapidez, frieza e facilidade com que o brasileiro conseguiu a vitória.

Evitar ficar muito tempo em quadra é de extrema importância em Grand Slams, já que este tipo de torneio geralmente exige muito do físico de cada tenista. E foi justamente focado nisso que Thomaz entrou no saibro francês se impondo diante de um italiano conhecido por gostar de trocar bolas e evitar definições. A tática do brasileiro, com saques bastante eficientes e variando força e colocação, foi extremamente feliz e não deixou o adversário incomodar seu serviço em nenhum momento.

Bellucci fez o que tinha que fazer: foi simples

Quando tinha o serviço nas mãos, o italiano também se sentiu incomodado. Além de ter baixo aproveitamento de saque, Seppi cometeu muitos erros e deixou que Bellucci conseguisse se impor com facilidade. Apesar da má atuação do adversário, vale destacar a eficiência do brasileiro, que fez o seu papel e praticamente não desperdiçou as chances de quebra que teve.

De qualquer forma, o resultado de 6/1 6/2 e 6/4, em pouco mais de uma hora e meia de jogo, coloca inveja em qualquer tenista top 10 do ranking, que precisa se poupar nas primeiras rodadas para a hora que a onça bebe água. Rafael Nadal que o diga, já que teve extrema dificuldade em sua estreia e precisou de cinco sets para derrotar o gigante John Isner. Vale ressaltar também os top 10 e favoritos já eliminados, como o tcheco Thomas Berdych e o até então infalível no saibro Nicolas Almagro.

Se até agora o brasileiro não teve tanta dificuldade para garantir uns pontinhos em Roland Garros, agora o bicho começa a pegar. Na terceira rodada, Bellucci irá encarar o talentoso e anfitrião Richard Gasquet, cabeça de chave número 13, que vem jogando muito bem no saibro este ano (derrotando Roger Federer inclusive). Para vencer, Thomaz terá que não só que lidar com a torcida contra, mas também a variação de efeitos do francês.

Richard Gasquet: a bola da vez
Bola pra vencer, Bellucci tem.

terça-feira, 24 de maio de 2011

História sem fim - parte 1

Passaram-se três anos desde o lançamento da “sobra” Steal this Album (para entender o termo entre aspas, leia aqui). O System of a Down, de banda desconhecida no cenário underground e daquilo que podíamos chamar de “Alternative Metal”, já havia atingido outro patamar e já era considerada uma das bandas mais populares nos Estados Unidos. Mas com o que eles faziam sucesso? Curiosamente metendo o pau naquilo que muito americano sempre se orgulhou: a sua “hegemonia” e política.

O cenário em 2005 era outro. Passada a turbulência do fatídico 11 de setembro e suas consequências, a crítica ao sistema norte-americano continuou sendo a principal (e não única) fonte de inspiração para o System of a Down, que lançou neste ano o primeiro álbum da série dupla Mesmerize/Hypnotize. Mesmerize, o primeiro da ordem de lançamento, traz uma capa bastante curiosa e que só seria completada pelo seu álbum sucessor.


Se por um lado a crítica ao sistema e as costumeiras esquisitices produtos de viagens psicotrópicas continuaram sendo tema das letras do SOAD, por outro a banda havia passado por uma mutação impressionante em aspectos musicais. A primeira delas e mais notável deu-se com a participação cada vez mais efetiva do guitarrista Daron Malakian nos vocais da banda. Até o Steal this Album, com exceção dos backings, Serj Tankian dominava plenamente a linha vocal das melodias. Mas a mudança foi positiva?


"Everybody is going to a party, have a real good time":
impossível não ficar com ela na cabeça

Não só no single B.Y.O.B. esta mudança pode ser notada, mas também em grande parte das canções de Mesmerize. Em Lost in Hollywood, por exemplo, Daron praticamente leva o vocal principal durante toda a música, cabendo a Serj a produção dos backings em uma total inversão daquilo que a banda havia feito até hoje. A mudança, a meu ver, foi extremamente positiva no sentido em que as bases vocais de ambos combinam-se juntas. Quando não inventa ou nem dá berros descontrolados, Daron tem uma voz pra lá de acertadinha. Estas combinações podem ser vistas em faixas como Radio/Video, Violent Pornography e Question!

Outro ponto a ser realçado em Mesmerize é o novo aspecto mais comercial do System of a Down. Além de emplacar vários hits em rádios e MTVs da vida, o SOAD apostou em algumas baladas e músicas com e refrões cada vez mais fortes e pegajosos, que fizeram sucesso com públicos cada vez mais abrangentes. A aposta foi certeira para o quarteto, que novamente contou com Rick Rubin na produção do seu disco.


Question!, segundo single de Mesmerize

Mesmerize termina como uma história mal contada, um enigma sem solução. A primeira faixa, Soldier Side-Intro, não conta de maneira completa a história que propõe. A história mal contada felizmente teve continuação, mas obrigou os fãs a esperarem alguns meses para conhecer o seu final. O que Hypnotize teria a contar para os fãs? Somente a música e o tempo poderiam dizer.

System of a Down – Mesmerize (2005)
Nota: 8,5

Tracklist:

1. "Soldier Side (Intro)" - 1:03
2. "B.Y.O.B." - 4:15
3. "Revenga" - 3:38
4. "Cigaro" - 2:11
5. "Radio/Video" - 4:09
6. "This Cocaine Makes Me Feel Like I'm On This Song" - 2:08
7. "Violent Pornography" - 3:31
8. "Question!" - 3:20
9. "Sad Statue" - 3:25
10. "Old School Hollywood" - 2:56
11. "Lost In Hollywood" - 5:20

domingo, 22 de maio de 2011

Surpresas e ressalvas da primeira rodada

É evidente que não há parâmetro algum para analisar a primeira rodada do Brasileirão em relação a projeções e previsões de título, vaga em Libertadores, ou até mesmo zona de rebaixamento. Como era de se esperar, alguns dos clubes envolvidos em outras competições como a Copa do Brasil e Libertadores optaram por entrar com times reservas (o que é considerado bastante razoável). São os casos de Avaí, Santos, Coritiba, Ceará e Vasco da Gama.

O que talvez não fosse muito de se esperar foram as surpreendentes vitórias de Corinthians e São Paulo, fora de casa, diante de Grêmio e Fluminense respectivamente. No caso corintiano, que não pôde contar com Dentinho e Bruno César, negociados, a vitória veio de virada por 2 a 1 em cima de um Grêmio desfalcado e que agora está mais pressionado do que nunca. Já o Tricolor, com sérios desfalques na sua zaga, foi bastante superior em relação ao atual campeão brasileiro e também venceu com propriedade: 2 a 0.

Chicão foi um dos destaques da vitória corintiana

A primeira rodada do nosso campeonato nacional também reservou surpresa negativa para o Cruzeiro, que mesmo fora de casa, foi surpreendido pelo Figueirense, de volta à Série A. E se você não cansou de surpresas, o Atlético-GO também reservou uma aos torcedores do Coritiba. Uma das poucas equipes envolvidas em duas competições e que utilizou titulares hoje, o Coxa foi mal e terminou derrotado pelo placar mínimo jogando em casa.

Se você é um dos que se enquadra entre os surpreendidos, tanto positivamente como negativamente, muita calma nesta hora: o campeonato só está começando. A partir do momento em que as equipes passarem a se dedicar exclusivamente ao Brasileirão, o panorama deve mudar e os elencos mais fortes deverão prevalecer. Outros fatores que devem pesar mais pra frente são os reforços e perdas de jogadores na janela de transferência. A partir daí, um novo campeonato se configura.

Kléber é novamente decisivo para o Palmeiras

Com tantas ressalvas a serem feitas nesta primeira rodada, o alerta de risco que é possível já ser acionado cabe a dois clubes: Botafogo e Grêmio. O primeiro, fora de casa, não ofereceu resistência alguma ao Palmeiras e terá sérios problemas se não reforçar o time. Já a equipe gaúcha, que vem de vice-campeonato gaúcho e eliminação na Libertadores, mostrou ter um elenco pra lá de limitado e que precisa ser reforçado em quase todas as suas posições. Douglas e o recém-contratado Miralles não resolverão todos os problemas dos gaúchos, assim como Maicossuel e Loco Abreu também não são a salvação do Fogão.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Roube este album, ele não é uma sobra

O que passa na sua cabeça quando dizem que uma coisa é sobra de alguma outra? No mínimo que ela não tem a mesma qualidade da original, certo? A lógica funciona perfeitamente em vários aspectos que não se aplicam à música em um caso particular: System of a Down.

O sucesso e a repercussão de Toxicity (2001) foram enormes. O quarteto californiano de origem armena não só conseguiu emplacar vários singles, mas também passou a ser convidado para os principais festivais de música em todo o planeta. Um deles, o BIG DAY OUT da Australia, trouxe apresentações fabulosas e totalmente insanas de uma banda que, sem sombra de dúvidas, vivia o seu auge.



Durante a turnê Toxicity, algumas músicas inéditas do SOAD passaram a ser disponibilizadas na internet. A grande maioria delas, composta durante as gravações do último álbum, teve que ser deixadas de lado no processo de escolha das músicas porque havia muito material. Mas o que fazer com essa sobra? Por que não lançar um novo álbum? Foi exatamente isso o que os fãs pensaram. Foi exatamente o que o System of a Down fez.


Steal This Album (2002) tem uma das capas mais fantásticas e originais da carreira da banda, sugerindo àquele que comprava o álbum a ideia de que estava levando um produto “falsificado” ou “gravado” de um original. A originalidade da banda, felizmente, não se resumiu à capa, mas foi refletida também nas músicas de todo o cd, que seguem uma linha bastante semelhante à de Toxicity.

Com singles potentes e tão preciosos com o do seu antecessor, Steal this Album conseguiu emplacar canções que são presença marcada em diversos shows da banda, como Mr Jack, IEAIAIO, Fuck the System, Highway Song, Roulette e Boom. O último, inclusive, ganhou um clipe bastante comentado na época devido ao seu forte teor de crítica ao governo americano.



Sendo sobra ou não de um álbum excepcional como o Toxicity, Steal this Album reflete o auge criativo de uma banda que alcançava níveis de popularidade cada vez maiores. Mas ainda havia como ir além. A popularidade do System of a Down só estava começando, como o ano de 2005 futuramente ia provar.

System of a Down - Steal This Album (2002)
Nota: 9,0

Tracklist:
1. "Chic 'n' Stu" (Malakian) - 2:25
2. "Innervision" (Malakian, Tankian) - 2:33
3. "Bubbles" (Malakian) - 1:57
4. "Boom!" (Malakian) - 2:15
5. "Nüguns" (Malakian) - 2:30
6. "A.D.D. (American Dream Denial)" (Malakian) - 3:17
7. "Mr. Jack" (Malakian) - 4:11
8. "I-E-A-I-A-I-O" (Tankian, Malakian, Odadjian, Dolmayan) - 3:08
9. "36" (Malakian) - 0:46
10. "Pictures" (Malakian) - 2:07
11. "Highway Song" (Malakian) - 3:15
12. "Fuck the System" (Tankian, Malakian) - 2:12
13. "Ego Brain" (Tankian, Malakian) - 3:23
14. "Thetawaves" (Malakian) - 2:39
15. "Roulette" (Malakian, Tankian) - 3:21
16. "Streamline" (Malakian) - 3:37

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Muricy precisa poupar jogadores...Ou verá mais lesões acontecerem

Quando rejeitou a ideia de poupar atletas no Campeonato Paulista, fui plenamente de acordo com Muricy Ramalho no Santos. Há quem desvalorize a força dos estaduais, que de fato estão cada vez menos atraentes. Mas experimente não vencê-lo e descubra a reação da torcida e até mesmo a pressão vinda da diretoria por uma graninha a mais no cofre. Muricy não quis pagar para ver e levou o Paulistão para a Vila Belmiro.

No entanto, terminado o estadual, talvez agora seja a hora de Muricy começar a rever a questão. O início do Brasileirão para o Santos já é no próximo sábado, em casa, diante do Internacional e as lesões começam a atrapalhar a equipe santista. Primeiro foi Paulo Henrique Ganso, que deve retornar em quatro semanas. Depois foi a vez do lateral Jonathan, que também desfalca a equipe, assim como deve fazer Alan Patrick, que também precisou de substituição na partida de ontem contra o Once Caldas.

Alan Patrick sente lesão e deixa o gramado contra o Once Caldas

Com muito Brasileirão pela frente, o Peixe terá totais condições de se recuperar na competição, enquanto precisa manter um time inteiro para a disputa das semifinais da Libertadores. Neste caso, defendo sim que a equipe paulista mantenha um time pra lá de misto no início do nacional. Se não poderá ver novos atletas se lesionando devido ao excessivo desgaste das últimas partidas.

Em tempo: Jogando no Pacaembu, o Santos passou por sustos desnecessários no empate contra o Once Caldas. O volume de jogo apresentado pelos paulistas foi impressionante, mas nem por isso traduzido em gols e tranquilidade dentro de campo. Zé Love está em má fase técnica, mesmo que se esforce e dê assistências aos companheiros. Neymar continuou brilhante, assim como Arouca tem feito a diferença. Adriano é a surpresa positiva das últimas partidas, da mesma forma em que Elano tem deixado um pouco a desejar.

Zé Love: como diria Milton Leite, "QUE FASE!"

De qualquer forma, considero o Santos favorito em uma provável disputa contra Jaguares ou Cerro Porteño, adversário da primeira fase. Ficaria contente com uma final Santos x Vélez, que vem eliminando seus adversários com tranquilidade até aqui. Até lá, é possível contar com todos os desfalques por lesão de volta. Mas para isso, Muricy precisa começar a pensar em poupar alguns jogadores, se não o caldo vai engrossar...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sucesso Explosivo

Uma “masterpiece” não é construída de um dia para o outro: exige maturidade em aspectos musicais na composição de melodias e letras, mas também tem a ver com simbologia. O lançamento de Toxicity (2001) colocou o System of a Down não só nas paradas dos Estados Unidos, mas consolidou uma carreira que já vinha de sucesso crescente no mundo todo.

Depois de excursionar com bandas como Slayer, Incubus, Ozzy Osbourne e outras para divulgar o seu primeiro álbum de 1998, o System of a Down voltava ao estúdio para lançar Toxicity bem mais experiente. Novamente contando com a produção de Rick Rubin, o segundo cd de estúdio da banda é, na minha humilde opinião, o melhor trabalho já realizado pelo quarteto californiano em todos os aspectos.



O primeiro deles, mais técnico, conta com uma produção bem mais limpa, um Serj Tankian mais potente e aliando sua qualidade e força, além de um Daron Malakian inspiradíssimo na criação de riffs e solos. John Dolmayan e Shavo Odadjian também parecem mais coesos e criativos em suas composições. Toxicity, que dá nome ao álbum e à faixa 12, é um dos singles que simplesmente não se tira da cabeça tão cedo.



Cada vez mais político e anti-americano nas letras, Toxicity tem uma curiosidade: alcançou o topo de vendas no país justamente no dia 11 de setembro de 2001, dia dos ataques terroristas ao World Trade Center. Críticas ao sistema prisional americano, ciência e política externa são apenas algumas das temáticas presentes em músicas como Chop Suey, que chegou a ser vetada em algumas rádios do país devido ao seu conteúdo. Trata-se da primeira música que ouvi, a mais estranha e ao mesmo tempo com um dos refrões e com um dos clímax mais marcantes que já tive contato.



Toxicity é, sem dúvidas, o auge criativo da banda desde o início de sua trajetória e rendeu hits que até hoje perduram entre os favoritos dos fãs. O que talvez alguns não saibam é que a banda atingiu um período frutífero a ponto de mais de quinze músicas terem que ficar fora de Toxicity, o que abriu brecha para o lançamento de um novo álbum, que será detalhado no próximo post.

System of a Down – Toxicity (2001)
Nota: 10


Tracklist:
1. Prison Song
2. Needles
3. Deer Dance
4. Jet Pilot
5. X
6. Chop Suey!
7. Bounce
8. Forest
9. ATWA
10. Science
11. Shimmy
12. Toxicity
13. Psycho
14. Aerials

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A estreia de peso

Se vocês pensam que eu ia simplesmente deixá-los na mão depois de prometer falar um pouco da trajetória do System of a Down, muita calma. Andei meio ocupado nos últimos dias com viagens para São Paulo e processos seletivos da vida, que me impediram de falar com mais frequência aqui. Mas cá estou e de volta, pra falar daquele que foi o primeiro álbum de estúdio do SOAD, o autointitulado System of a Down, de 1998.


Seria muito pretensioso da minha parte tentar encaixar este trabalho em algum tipo de rotulação ou gênero musical. Uma análise inicial poderia tentar encaixá-lo no contexto do “New Metal”, já que foi produzido por Rick Rubin, um dos maiores do gênero e responsável por produzir bandas como Linkin Park e Slipknot. O contexto também ajudaria a seguir este caminho, já que o período foi também marcado pela ascensão de bandas como as já citadas, além de outras como KoRn, Limp Bizkit. Mas se tudo conspirava a favor, era possível chamar o primeiro álbum do SOAD como um dos principais do New-Metal? Nunca.

System of a Down é sem sombra de dúvidas o álbum mais pesado já produzido pelo quarteto de californiano de origem armena. Diferentemente dos albums mais recentes, que serão esmiuçados um por um nos próximos posts, o autointitulado de 1998 representa aquilo que mais há de obscuro e cruel no mundo da guerra, considerada a principal temática das letras da banda em toda a sua carreira. Outro destaque ficava para a maquiagem performática que a banda utilizava tanto em seus vídeos como apresentações ao vivo, hoje deixadas de lado.



Existem alguns elementos como os riffs pesados de War e Sugar, a atmosfera assustadora como as de faixas como Mind e Spiders, além das quebradas bizarras como em Cubert, Sugar e Peephole que afastam qualquer tese de New-Metal que pudesse ser enquadrada neste cd. Além do mais, qual aproximação com Hip-Hop ou Rap deve ser feita neste cd? Absolutamente nenhuma. Se fosse possível enquadrá-lo, de maneira bastante genérica, colocaria System of a Down na categoria do Metal Alternativo.



System of a Down, além do mais pesado, pode ser considerado o mais original já produzido pelo quarteto. No entanto, é possível considerá-lo o melhor? A resposta vem nos próximos posts, que trará na próxima edição a opinião sobre o premiadíssimo Toxicity (2000).

System of a Down – System of a Down (1998)
Nota: 9,0

Tracklist:
1. "Suite-Pee" (Malakian) - 2:32
2. "Know" (Odadjian, Malakian, Tankian) - 2:56
3. "Sugar" (Odadjian, Malakian) - 2:33
4. "Suggestions" (Malakian) - 2:44
5. "Spiders" (Malakian) - 3:35
6. "DDevil" (Odadjian, Malakian) - 1:43
7. "Soil" (Malakian) - 3:25
8. "War?" (Malakian) - 2:40
9. "Mind" (Odadjian, Malakian, Tankian) - 6:16
10. "Peephole" (Malakian) - 4:04
11. "CUBErt" (Malakian) - 1:49
12. "Darts" (Malakian) - 2:42
13. "P.L.U.C.K. (Politically Lying, Unholy, Cowardly Killers)" (Malakian) - 3:37

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Obrigado, Medina

Quando anunciou o System of a Down para o dia 2 de Outubro, no segundo final de semana do Rock In Rio 2011, muito provavelmente Roberto Medina não tinha nenhuma ideia do que ele estava fazendo não só por mim, mas por milhões de fãs brasileiros. Tristes com a separação da banda em 2006, os fãs do SOAD foram obrigados a contentarem-se com as carreiras-solo traçadas por alguns de seus integrantes, entre eles as excelentes Serj Tankian Solo Project e Scars on Broadway (formado por Daron Malakian e John Dolmayan).


O anúncio da volta do System of a Down, no final de 2010, não colocou fim apenas a um hiato de quase cinco anos. Coloca também fim a uma ansiedade em rever uma banda que já mostrava sinais de cansaço em 2006. É evidente que a parada foi, além de estratégica, essencial para que a banda prosseguisse e até criasse material novo, que ainda não tem previsão de sair.


System of a Down em 2006 - o pó da rabiola

Nos próximos dias, vou procurar trazer uma breve história da banda e discografia, com uma análise pra lá de detalhada cd por cd. De 1998 até 2005, cinco (ou quatro) CDs foram lançados na seguinte ordem: System of a Down -> Toxicity -> Steal This Album -> Mesmerize/Hypnotize (se considerarmos o dueto como um cd único). Do metal bizarro, passando pelo amadurecimento da banda e o seu auge comercial, muita coisa mudou em sete anos. Pela primeira vez no Brasil, o show dos caras promete não só pela exclusividade, mas também pelo tesão e ansiedade em voltarem a tocar juntos.


SOAD no BDO 2002: intensidade e insanidade

Stay Heavy!

domingo, 8 de maio de 2011

O que (não) muda em dois anos

Assim como em 2009, Corinthians e Santos voltaram a decidir o Paulistão neste domingo. Assim como em 2009, o Timão fez a terceira melhor campanha da primeira fase, cabendo ao Santos a classificação na quarta posição. Assim como em 2009, as principais esperanças corintianas estavam nos pés de um camisa 9. Assim como em 2009, coube a Neymar e Ganso criar as principais chances de perigo a favor do Peixe.


Se existem tantas coincidências em relação à decisão de 2009, o que afinal mudou de dois anos pra cá? Simplesmente tudo. O Corinthians de 2011, que decide o Paulistão, nem de perto tem a mesma qualidade da equipe de dois anos atrás, que contava com atletas em excelente fase como André Santos, Douglas, Cristian e Jorge Henrique, além de um inspirado camisa 9 que dispensa apresentações. Hoje, respectivamente, Fábio Santos, Bruno César, Ralf e o mesmo Jorge Henrique até que tentam, mas dificilmente conseguem repor a qualidade do time de 2009. Liédson até consegue, mas depende dos outros para que os gols aconteçam.

E o Santos, também mudou muito? É evidente. Ganso e Neymar, que já despontavam em 2009 como promessas, hoje são verdadeiras realidades no futebol brasileiro e estão muito mais experientes do que há dois anos. Jonathan é muito mais lateral do que era Luizinho. Elano é muito mais jogador do que Madson. Muricy Ramalho é muito mais técnico do que Vágner Mancini.


Comparações à parte, o empate por 0 a 0 no Pacaembu refletiu um equilíbrio relativo em campo neste domingo. Apesar de o Corinthians pressionar mais por jogar em casa, as melhores oportunidades estiveram com o Santos, que não soube aproveitar as chances que teve com Neymar, que acertou duas vezes a trave. Sem Paulo Henrique Ganso para a partida de volta, mas com os prováveis retornos de Arouca e Léo, o Peixe é mais forte e favorito para a disputa, mesmo com o possível desgaste da partida do meio da semana, pela Libertadores, diante do Once Caldas.

E o que esperar do Corinthians para a decisão da semana que vem na Vila? Uma equipe bem postada atrás e explorando os contra-ataques. Com o retorno de Alessandro, após cumprir suspensão, o time ganha mais equilíbrio e passa a apoiar dos dois lados. Dentinho, que já corria sérios riscos de deixar a equipe, novamente foi substituído por William e deve rodar na brincadeira. Agora, se o campeão de 2011 não será o mesmo de 2009, somente a decisão da semana que vem irá decidir.

sábado, 7 de maio de 2011

Em outro patamar

Quando afirmou que Thomaz Bellucci havia atingido outro patamar em sua carreira ao vencer Andy Murray, Guga quis dizer muito mais. O tênis, ao lado de outros esportes individuais, exige extrema confiança por parte do jogador. A seguinte vitória diante de Tomas Berdych parecia confirmar o evidente, já que não é todo dia que se eliminam dois Top 10 em um único torneio.

A derrota para Novak Djokovic, nas semifinais do Masters de Madrid, era acima de tudo esperada. Para alguns pode parecer oportunista falar agora, com a partida encerrada, mas a campanha do sérvio em 2011 é impressionante. Além de não ter perdido na temporada, Djokovic mostrou uma evolução física absurda. E tal evolução ficou evidente na partida contra Bellucci.



Apesar de derrotado no primeiro set e com uma quebra atrás no segundo, Djokovic teve tranquilidade para esperar o momento certo para crescer. Aproveitando a inexperiência de Bellucci, o sérvio não perdoou as chances que teve e devolveu duas quebras, assumindo a partir daí o controle total da partida. Fisicamente mais forte, Nole também cresceu mentalmente na partida, deixou de cometer erros tolos, colocando Bellucci em uma zona de total desconforto. O terceiro e último set, prova cabal da diferença física entre os dois, foi amplamente dominado pelo sérvio.

Apesar da derrota, o momento de Bellucci é extremamente favorável. Nas próximas semanas, o brasileiro deve aparecer muito próximo do Top 20 do ranking mundial, que o credencia a um dos cabeças-de-chave em Roland Garros. Além disso, a campanha em Madrid prova que Thomaz tem totais condições de brigar contra os gigantes do saibro, principalmente se repetir aquilo que fez esta semana: mostrar-se forte mentalmente, consistente nas trocas de bola e bem no saque, mas acima de tudo escolhendo as bolas certas nos pontos importantes.

Vale lembrar que, até chegar a Madrid, Bellucci vinha mostrando inconstância enorme com derrotas até certo ponto inexplicáveis como Santiago Giraldo, Pablo Cuevas e até mesmo o decadente James Blake. Esperamos que a campanha recente dê aquilo que faltava ao brasileiro, e que faz falta a qualquer tenista no circuito: confiança.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quando o problema vira solução

E não é que os reality shows, tão populares no Brasil através do BBB, também chegaram ao mundo Headbanger? Não é brincadeira, não. Na verdade, se fizermos um exercício de memória, há quem se lembre de “The Osbournes” e o seu incrível sucesso nos Estados Unidos. Mas agora estamos falando de algo bem mais sério do que pessoas confinadas dentro de uma casa e sendo filmadas.

Aproveitando a necessidade de um novo baterista, depois da saída de Mike Portnoy, a banda de Metal Progressivo DREAM THEATER resolveu fazer nada menos do que um verdadeiro reality show para definir o novo integrante. Para o processo seletivo, foram recrutados sete competentíssimos bateristas, que poderiam tranquilamente assumir o posto na banda. São eles:

- Aquiles Priester (ex-Angra)
- Peter Wildoer (Darkane)
- Marco Minnemann (ex-Kreator, Joe Satriani)
- Virgil Donati (Planet-X)
- Derek Roddy (Nile)
- Mike Mangini (Extreme, Steve Vai)
- Thomas Lang (Glenn Hughes)

Logo após a saída de Portnoy, um verdadeiro carnaval foi feito em cima do acontecimento. Trocas de farpas via Internet, tentativa de regresso à banda, negativa do Dream Thetar, e por aí vai. Se me perguntem o que eu acho da saída de Portnoy, sempre uso a metáfora do cara que trocou a sua esposa de vários anos por uma mais novinha (leia-se Avenged Sevenfold). O problema é que Portnoy tomou um pé na bunda da sua nova amante e tentou voltar pra ex-esposa (sem sucesso).



Brincadeiras à parte, o que eu vejo em todo esse episódio é uma excelente oportunidade de marketing para o Dream Theater. Além de atrair a atenção da mídia com as tais declarações polêmicas, a banda conseguiu fazer de um problema (a falta de um baterista) uma solução para arrecadar ainda mais dinheiro, através de um reality show para escolher um novo integrante para o posto.

Quem tiver interesse em acompanhar os dois primeiros episódios da série, pode acessar o Capítulo Um e o Capítulo 2 pelo Youtube. O próximo deve sair nos próximos dias e deve contar com a participação do brazuca Aquiles Priester, um dos meus favoritos na disputa. No entanto, se me perguntar realmente quem leva a fatura, fico entre Marco Minnemann e Mike Mangini (o primeiro por seu um fenômeno, o segundo pela química com a banda).

Quem não conhece o som da banda, vale a pena ver um vídeo do último álbum dos caras, Black Clouds & Silver Linings, de 2009. O Dream Theater é, sem dúvida, uma das bandas mais conceituadas no mundo headbanger e será sempre respeitado. Com Portnoy ou sem ele.



Nota do blogueiro: Ainda acho que esse “divórcio” Portnoy e Dream Theater não vai durar muito tempo.

domingo, 24 de abril de 2011

Quatro clubes e um destino

O palco era exatamente o mesmo, assim como os riscos e a pressão. Corinthians e Palmeiras tiveram um final de semana com momentos de bom futebol, mas que poderiam ter sido um pouco mais tranquilos. Contra Oeste e Mirassol, dois dos maiores rivais do futebol paulista colocaram a prêmio suas cabeças na competição estadual, mas passaram adiante e agora se enfrentam em partida única, válida pelas semifinais.

No sábado, foi a vez do Pacaembu receber o Timão contra o Oeste de Itápolis. Apesar do placar aparentemente magro, a superioridade corintiana ficou evidente durante os 90 minutos de partida. A opção por Bruno César no lugar de Morais deu mais mobilidade ao time, que também contou com os retornos de Alessandro e Dentinho. No caso do atacante, nem tão reforço assim, já que o garoto foi substituído durante a partida por William, graças a uma indisposição estomacal. Melhor para o Timão, já que o substituto fez a diferença com um golaço.



Apesar da superioridade em campo, o gol de empate sofrido no fim da primeira etapa mostrou um Corinthians afobado e perdendo muitas chances no reinício do jogo. Reflexos da eliminação na Libertadores? A resposta só virá no próximo final de semana, quando Palmeiras e Corinthians se enfrentarão.

E por falar no Verdão, a história contada pelo rival no sábado praticamente se repetiu no domingo: gol madrugador, empate no fim da primeira etapa, afobação na volta do intervalo e gol “aliviador”. Destaques positivos na atuação alviverde ficaram por conta de Kléber e Valdívia, que novamente provaram que podem fazer a diferença. Márcio Araújo e Luan, que apesar de limitados tecnicamente, mostraram muita disposição e também foram destaques no Pacaembu.



Final antecipada no Morumbi?
A outra semifinal do Paulistão coloca em campo as duas melhores equipes de São Paulo, tanto em elenco como em equipe titular. Santos e São Paulo passaram sem sustos por Ponte Preta e Portuguesa, respectivamente, e agora duelam por uma vaga na final. De maneira quase unânime as duas equipes são apontadas como favoritas ao título, mas devem respeitar a máxima de que em clássico não há favoritos.

De qualquer forma, o que podemos esperar no próximo final de semana são jogos eletrizantes. De todos eles, apenas o Santos joga durante a semana e talvez sofra um pouco com o desgaste. Já o Tricolor deve contar com as voltas de Alex Silva e Lucas, lesionados. No outro lado da chave, o Corinthians vai com força máxima, e o Verdão pode ter de volta Thiago Heleno e Cicinho.

E como diria ele..



Stay Heavy!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Paulizzzzzzzztão

A última rodada do Paulistinha até que reservou algumas pouquíssimas emoções para um campeonato que tem sido tão chato. O grande responsável por esse “feito” foi a folclórica Portuguesa, que não dependia apenas das suas forças para classificar-se para a próxima fase. No entanto, a sorte esteve do lado da Lusa, já que dois dos seus adversários diretos (São Caetano e Paulista) foram derrotados.


Com o empate parcial diante do São Bernardo, a Lusa já garantia a classificação com os resultados, mas o gol de Ananias no final colocou um novo ingrediente na classificação: rebaixou o adversário, salvando o quase degolado Ituano, de Juninho Paulista. O que surpreendeu de fato foi a derrota do São Caetano em casa diante do Linense por 2 a 0, que acabou mantendo o time de Lins na primeira divisão paulista.

Após o fim da última rodada, Rogério Ceni e Paulo C. Carpegiani reclamaram do regulamento do Campeonato Paulista. A princípio, pareceu uma reclamação de quem acabou insatisfeito com o próximo adversário teoricamente mais forte, já que o Palmeiras utilizou-se do regulamento para ter caminho teoricamente mais livre. Mas será que eles têm razão?



Felipão, ao dizer “Cala boca e joguem” tem razão, já que o regulamento de uma competição deve ser aceito por todos. Como dizia mamãe: o combinado nunca sai caro. No entanto, existe sim uma discussão importante a respeito do regulamento do Paulistinha, que vem ano vai ano continua chato pracaramba. As mudanças de 2011, com oito classificados, conseguiram tornar o campeonato ainda mais maçante, já que todos os grandes clubes de São Paulo garantiram sua classificação com muita antecedência.

O que também incomoda nas críticas são-paulinas é apontar problemas sem sugerir soluções. É evidente que a fórmula do torneio é ruim, mas não adianta nada apontar os erros sem indicar possíveis caminhos a serem seguidos.


O Campeonato Paulista é comprovadamente inchado para incluir o maior número de clubes do interior possível. Para que todos possam jogar contra todos com menos chatices, o regulamento do Cariocão me agrada (dois grupos divididos entre dez times), onde no primeiro turno as equipes se enfrentam entre dentro do grupo. No segundo turno, após as semifinais e finais em jogo único do primeiro turno, as equipes de um grupo já jogam contra as do outro, com novas semifinais e finais em jogo único. Por fim, os finalistas são definidos pelo campeão de um turno contra o do outro, com campeão definido em jogos de ida e volta.

O grande problema do Paulistão é o excesso de times para a adoção desta fórmula. O calendário dos estaduais é curto e não sei se a solução carioca consegue ser adotada em São Paulo. O ideal seria a redução de clubes na elite do Paulista, mas isso interfere diretamente em interesses da Federação de São Paulo. De qualquer forma, meu registro está feito. Dezesseis clubes é mais do que siuficiente.